base da chapecoense
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Uma base para a Base

O atual quadro mundial e os aspectos da pandemia levam os “analistas ” de futebol  cada dia mais para uma linha de raciocínio que direciona quase todas as discussões sobre gestão e futuro dos clubes às Categorias de Base. Como se as soluções econômicas e técnicas do clube pudessem ser sanadas por um bom resultado do Sub-20 ou, no máximo da profundidade, esperar um futuro glorioso de uma geração pois a equipe Sub-17 venceu um torneio no exterior. Mas e se eu te disser que isso não é, exatamente, a “Categoria de Base” do seu clube? Que ter os olhos sobre o Sub-20 ou Sub-17 de um clube é como analisar um jogo apenas pelo resultado? Se te apontar que há mais a desenvolver do que o próprio clube?

Eu, por meio de meus estudos e vivências , acredito demais na máxima de que quanto mais estudamos e nos aprofundamos em determinado tema mais percebemos que menos sabemos. Você pode ter lido isso em Sócrates, uma versão semelhante de Voltaire ou até mais recente vindo de Cortella. Fato é que, se os filósofos percebem isso sobre a vida como um todo, não há como ser diferente no futebol. Basta uma tarde de pesquisa sobre o jogo, para descobrir uma infinidade de temas e hipercomplexidades que você, talvez, jamais tivesse visto ou pensado sobre.

“Ninguém tem necessidade daquilo que desconhece.”

Vitor Frade

O livro “Outliers”, de Malcolm Gladwell, cita estudos que apontam a necessidade de 10.000 horas de prática, em qualquer atividade, para que se alcance o nível de um “fora de série”. Trocando em miúdos e trazendo para o futebol de maneira bem simples, precisaríamos de 10.000 horas de treinos e jogos para que um atleta pudesse chegar ao alto nível. Seriam 03 horas por dia, 20 horas por semana, durante 10 anos… Você consegue imaginar alguém treinando tanto, por tanto tempo, durante toda uma vida? Então como achar que um jovem poderia chegar pronto ao profissional de um clube? Eis que entra a importância do que chamo de “base da Base”.


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Os processos da base

O processo de formação de atletas precisa ser mais conhecido e respeitado. Antes de um jogador estrear no profissional com 19 ou 20 anos, ele teve outros 10 anos de formação prévia. Em boa parte das vezes esse período nem foi dentro de um grande clube. Estamos falando da formação de indivíduo, de uma criança que inicia no esporte com 07 anos, chega no clube do coração e vive toda uma adolescência e inicia a vida adulta defendendo uma instituição, uma cultura, uma identidade. Um clube de futebol de nível de Série A no Brasil chega a ter 200 colaboradores em atividade em prol do processo de formação. Estamos falando de uma estrutura de 200 pessoas que precisam estar em consonância de valores e filosofia de trabalho para formar jovens que talvez nem cheguem ao final do processo.

Formar jovens que chegam no meio do caminho, de diferentes locais do continente e precisam entender onde estão e que responsabilidade enfrentarão se chegarem ao objetivo deles de pisar no profissional. Há muito mais do que a parte técnica ou tática antes de você poder avaliar um jovem que estreou nesta semana em seu clube. Há muito a desenvolver no entorno do campo. A realidade é que o processo de formação de atletas precisa começar muito, mas muito mesmo, antes dos 17 ou 18 anos, quando os atletas passam ter os primeiros destaques à grande mídia.

Formar atletas é um processo de longo prazo, que exige consistência na filosofia e metodologia de trabalho. É preciso aumentar sempre mais a base da pirâmide. Trata-se de robustez no processo: se a cada 1000 atletas apenas 01 chega ao alto nível, o clube precisa estar em processo contínuo com 2000, 3000, 10000 atletas. E isso significa uma responsabilidade enorme sobre a INICIAÇÃO DESPORTIVA. Não apenas no seio do clube, mas no meio onde está inserido. Precisamos falar sobre SUSTENTABILIDADE na captação através do desenvolvimento da iniciação. Mas isso é assunto para a nossa próxima reflexão.

Texto de Felipe Kssesinski.

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