Skip to main content

Com a decadência do futebol argentino no cenário mundial, a aderência das SAFs pode ser uma das soluções para a economia dos clubes.

Foto Instagram: soybostero.oficial

O futebol argentino sempre foi marcado por times ‘’raçudos’’, que dão a vida em campo e que jogar contra eles era um grande desafio, ainda mais na Argentina, perto de suas torcidas que não param de cantar e apoiar. Mas a realidade não se mostra muito satisfatória para os argentinos, que sempre viveram intensamente o esporte. Apesar do país ter conquistado a Copa do Mundo de 2022, o desequilíbrio técnico e econômico dos clubes argentinos é notável e acumula situações negativas e reflete na decadência do futebol. 

Ainda na fase de grupos, os dois grandes times do país e únicos representantes na Copa do Mundo de Clubes, River Plate e Boca Juniors, foram desclassificados da competição. Na Libertadores, a última vez que um clube argentino ganhou foi em 2018, com o River. Já o campeonato argentino passou por alterações nos últimos tempos, com a exclusão do rebaixamento em 2024, para que em 2025 reunisse 30 clubes para disputar o ‘’novo formato’’ da competição.  

Diante desses acontecimentos, a pauta sobre SADs na Argentina reacende, porém diversos aspectos entram em divergência ao longo desse debate. Aderir ou não aderir?

Conflito entre presidentes

Antes mesmo de assumir o seu mandato, o atual presidente da Argentina, Javier Milei, se manifestou a favor de liberar o capital privado no futebol argentino. Em 2023, Milei publicou um decreto com mudanças na economia do país, entre elas está a Lei Geral de Sociedades (1984), que permite a transformação dos clubes em Sociedades Anônimas Desportivas (SADs). As SADs seriam semelhantes às SAFs aqui no Brasil, as quais permitem que os clubes se tornem empresas e atraiam investimentos privados.

O empecilho para a adesão das SADs na Argentina é a oposição do presidente da Associação do Futebol Argentino (AFA), Claudio Tapia. Desde 2017, Tapia mobiliza os tradicionais clubes argentinos a não adotarem essa iniciativa e, com essas medidas, houveram ações judiciais que impedem a implementação das SADs no país.

Reprovação dos clubes argentinos

Diante das possíveis mudanças no futebol argentino, os clubes foram às redes sociais expressar seu descontentamento às SADs, argumentam que ‘’os clubes são dos sócios e sócias’’. Mas por que eles reprovam esse modelo de empresas?

  1. Legislação: não há uma regulamentação própria para esse tema e muitos clubes precisariam adaptar seus estatutos com essa nova realidade no futebol.
  2. Política: a AFA e o Sindicato dos Atletas eram opositores do governo de Javier Milei e apoiavam Sergio Massa, o outro candidato que concorreu à presidência. 
  3. Sócios: na Argentina, os sócios possuem uma conexão muito intensa e forte participação nos processos políticos dos clubes. Os times temem a mudança para a SADs pois ‘’tiraria a importância’’ dos associados.

Estudiantes SAF?

Um dos poucos clubes a favor do movimento das SADs é o tradicional Club Estudiantes de La Plata. Atualmente, liderado pelo presidente Juan Sebastián Verón, o time já conquistou em sua história 4 Libertadores (1968,1969, 1970 e 2009), 1 Intercontinental (1968) e 6 Campeonatos Argentinos (1912/13, 66/67, 81/82, 82/83, 05/06 e 09/10).

O clube de La Plata entrou no radar de um possível investimento estrageiro, e estaria buscando alternativas para driblar a proibição do país. Foster Gillett, empresário estadunidense, pretende aplicar mais de R$ 800 milhões no Estudiantes. Por conta desse interesse estrangeiro e do alto capital oferecido ao clube, Verón defende a implementação das SADs e discorda da AFA.

Texto de Maria Heloisa Pinzetta


Executivo de Futebol – Turma 10 

Quer trabalhar no mercado do futebol, ampliar sua rede de contatos e viver essa experiência por dentro? O FootHub é o seu ponto de partida!

As inscrições para a Turma 10 do curso Executivo de Futebol já estão abertas. Seja você estudante, profissional em transição de carreira ou apaixonado pelo esporte, esta é a oportunidade de participar da maior edição do curso.

Você terá acesso a 10 aulas online ao vivo, 4 gravadas, 2 encontros presenciais, certificado de 60 horas, professores que são referência no mercado e, claro, a chance de construir um networking valioso para sua trajetória.

Leave a Reply