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Quando o trabalho do analista se parece com o do Sherlock Holmes

Quando criança, eu pensei que poderia ter várias profissões. Mas nunca achei que fosse ser detetive. E hoje eu sou quase isso! Afinal, o trabalho de análise do adversário é quase uma tarefa para o Sherlock Holmes.

Qual o esquema tático do adversário? Quais são as variações? Que decisões os jogadores normalmente tomam? Qual a estratégia do treinador? Qual o modelo de jogo? E a bola parada? Como são os movimentos de bola aérea defensiva e ofensiva? Eu gostaria de ter a resposta imediata para todas as perguntas, mas eu não consigo dizer que é “elementar, meu caro Watson”. Porque não é.

O trabalho do analista

A análise do adversário sempre busca padrões de jogo. Não se encontra isso em um jogo só. O analista precisa avaliar pelo menos três jogos. Se for possível (nem sempre é) mais. Quatro, cinco, dez jogos! Este seria o mundo ideal. Afinal, é assim que encontramos as ações de jogo que uma equipe pode propor durante o nosso confronto.

Nem sempre é fácil desvendar tudo que o adversário pode fazer. Às vezes há dificuldades que vão além da leitura e análise. Como por exemplo: não ter a imagem de um jogo. O torcedor comum está acostumado a ver a Premier Legue, a Champions, todos os jogos televisionados no Brasileirão. Mas a realidade das divisões inferiores não é assim. E como eu faço?

Assim como um bom detetive, há maneiras diferentes de se desvendar um mistério. Podemos buscar informações com profissionais da imprensa, ligar para companheiros de outras equipes ou até mesmo procurar outros analistas que possam ter alguma imagem recente. A imagem do jogo sempre dá um melhor direcionamento de como o adversário pode se portar no jogo.

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Sustentabilidade na captação de atletas, por Felipe Ksessinski.

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Sistema de jogo, organização estrutural e organização funcional, por Los Futebólicos.

Como brinquei no início do texto, é como um trabalho de detetive. E os mistérios são infinitos. Até agora, falamos apenas sobre situações coletivas. Mas e as análises individuais? Elas também existem. Nós precisamos entender a característica individualmente de cada atleta adversário.

Se um atacante sempre puxa a bola para a esquerda antes de puxar para a direita, eu posso avisar o defensor do meu time. O padrão é esse. Juntos nós descobrimos o lado que precisamos bloquear primeiro. Todos estes detalhes são importantes para que possamos identificar os padrões no nosso adversário e ir para um jogo preparados da melhor maneira possível.

Em 90 minutos a gente encontra padrões. Às vezes é muito mais fácil achar padrões individuais do que coletivos. É o perfil do atleta. Ele te mostra em 90 minutos os padrões dele. Os hábitos que ele tem para atacar, defender, driblar, etc. Em um jogo é possível observar isso para dar sequência para os demais.

Quando eu analiso, eu quase não olho para a bola. Eu estou olhando para todos os contextos e movimentações que ocorrem dentro de um jogo. É como se fosse nos livros de Sir Arthur Conan Doyle: Holmes não observa apenas a cena do crime. Todo o contexto influencia na procura da melhor solução.

E depois de olhar tantos jogos, nós encontramos o padrão. O departamento de análise faz um relatório e repassa para que o treinador identifique as características do rival e prepare seu time para o próximo confronto.

Enquanto isso, o analista se prepara para o próximo adversário. Ou melhor, para o próximo mistério. Assim como com Sherlock Holmes, sempre há um novo caso a ser solucionado. Ou melhor, um time a ser analisado.

Texto Michele Kanitz.

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