treinador de futebol
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Um ritmo diferente na dança das cadeiras do futebol brasileiro: o que esperar da primeira edição do Brasileirão com limite para a troca de treinadores

O próximo final de semana marcará a estreia de um Campeonato Brasileiro diferente. Além de ser a segunda edição da competição em meio à pandemia e, por isso, sem a presença de público nas arquibancadas, é a primeira vez que haverá um limite para o registro de treinadores nas equipes. A medida, que promete dar um novo ritmo à verdadeira dança das cadeiras – ou dos bancos de reservas – que já se tornou característica do futebol brasileiro, foi aprovada em março deste ano pela maioria dos clubes participantes e valerá nas Séries A, B e C.

Como vai funcionar a regra

Caso venha a demitir o treinador com quem iniciou a competição, a equipe poderá inscrever junto à CBF somente mais um técnico e, se este também vier a ser demitido ao longo desta edição, será necessário inscrever um interino já registrado na comissão técnica da equipe principal ou categorias de base e que conte com no mínimo seis meses de trabalho no clube. A exceção é se a demissão for uma iniciativa do profissional, o que não afetará o limite de trocas.

Da mesma maneira, o treinador que tiver a iniciativa de se demitir durante a disputa do campeonato também só poderá ser inscrito por mais uma equipe durante aquela edição. Isso significa que, em caso de um novo pedido de demissão, ele não poderá assumir uma terceira equipe dentro do campeonato. A demissão de iniciativa do clube, contudo, não afetará este limite.

Vale ressaltar que essa determinação é válida para trocas dentro da mesma competição, o que significa, na prática, que um treinador que eventualmente tenha atingido seu limite de trabalho dentro da Série B, por exemplo, não terá nenhum impedimento para assumir uma equipe que dispute as outras séries do Brasileirão. Esse é um elemento da nova regra que pode estimular um maior intercâmbio de profissionais entre as competições.

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Os números das trocas de comando técnico no futebol brasileiro

Analisando apenas o cenário da elite do futebol brasileiro, as inúmeras trocas de comando representam realmente um ponto de alerta e demonstram a fragilidade de uma posição que não recebe, por diversos fatores culturais e estruturais, a valorização que deveria frente ao importante papel que desempenha.

Recentemente, um estudo da Universidade do Esporte da Alemanha colocou o Brasil no primeiro lugar do ranking de trocas de treinadores dentro de sua principal competição nacional. Somente no ano passado foram 28 mudanças de comando entre 17 equipes da Série A do Brasileirão. Atlético-MG, Ceará e Grêmio permaneceram com o mesmo treinador com quem iniciaram o campeonato, ao passo que o Botafogo teve 4 trocas e Coritiba e Goiás fizeram 3 trocas cada um. De 2011 a 2019 foi contabilizada a impressionante marca de 472 trocas de comando – demissões de iniciativa do clube ou do treinador – entre os times que disputaram a elite do futebol nacional.

Esse cenário contribui para que um outro número também chame bastante a atenção: em média 10 treinadores por ano assumem dois ou mais trabalhos uma mesma competição. As entidades de classe se posicionam como contrárias às trocas desenfreadas de comando, contudo, a realidade faz com que muitos profissionais não consigam recusar convites e acaba se refletindo em um ciclo que até então parecia infinito.

O que esperar a partir da implementação da medida

Segundo a CBF, a ideia é estender aos treinadores o limite que já existe para o registro de atletas, os quais podem atuar somente em até duas equipes diferentes em competições nacionais organizadas pela entidade. Este ano, por conta dos impactos da pandemia do coronavírus, os clubes terão o direito de inscrever até 50 atletas na competição.

Entretanto, o cargo de treinador no futebol brasileiro, por diversos fatores, apresenta uma fragilidade que dificilmente se vê nas funções de atleta, o que faz os números alarmantes de demissões terem se tornando aceitáveis para grande parte do ecossistema do futebol, apesar dos diversos problemas que esses índices representam.

Não à toa, cada vez menos os técnicos brasileiros têm reconhecimento no exterior, ao passo que se valoriza mais por aqui o trabalho dos estrangeiros. Além das estatísticas, o pouco tempo de desenvolvimento de um trabalho se somarmos a pressão por resultados e o calendário cada vez mais apertado que os clubes têm que cumprir, compromete, sobretudo, a qualidade do futebol brasileiro como um todo, inclusive quanto à formação de atletas.

Se por um lado a nova norma, ao longo das temporadas, pode representar um aumento das demissões ainda durante a pré-temporada e a disputa de campeonatos estaduais, existe a esperança de que, também com o passar do tempo, ela possa ajudar os clubes a refinarem os critérios para contratação de um treinador e diminuir o anseio por resultados rápidos e finalizações de trabalhos ainda em desenvolvimento, representando mais estabilidade e, por consequência, mais segurança para os profissionais.

O que é certo é que, a partir deste sábado, 29, a dança das cadeiras ganhará um novo ritmo. Seu clube estará entre os pés-de-valsa ou vai dançar?

Texto de Luiza Soares.

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