sonho de Renato realizado
sonho de Renato realizado

Um assessor de imprensa, um ponta, um ídolo do ponta, um chopp e um sonho realizado

“Você quer ver um show amanhã?” Era dezembro de 2016, o Grêmio acabara de ser Pentacampeão da Copa do Brasil e eu estava na parada de ônibus no Rio de Janeiro ao final do morro de acesso à estátua do Cristo Redentor, minutos depois de me recuperar de conhecer aquela vista indescritível. A pergunta feita era de Renato Portaluppi, ao telefone.

Nos demorados segundos até que eu respondesse às escuras que sim, pois não sabia do que se tratava – imaginava ser um ingresso para um show de samba em algum lugar da cidade maravilhosa – o convite quase foi desfeito. “Quer ou não quer, porra? ”, sem avisar qual era a atração. Quando então aceitei, ouvi o seguinte recado. “Então amanhã tal horário vai para o Maracanã e procura pelo fulano. Ele vai te dar dois ingressos para tu veres de perto um ataque com Renato, Neymar e Marinho, tá bom pra você? ”

Se eu tivesse direito de resposta, diria que o cara que escalou o então técnico do Grêmio ao lado do fenômeno que apanhou tipo bicho semana passada na final da Copa América contra a Argentina ao lado do destaque do Brasileirão daquele ano pelo Vitória só podia ser maluco. Mas maluco eu também não seria a ponto de fazer essa provocação.

Na noite seguinte, bermuda e alpargata era meu traje na zona VIP do Mário Filho para assistir ao tradicional “Jogo das Estrelas”, promovido pelo Zico há anos. Em 2016, além da conotação solidária, o evento também prestou linda homenagem aos mortos na tragédia da Chapecoense. O maior nome da história do Flamengo e ídolo de Renato sempre teve no companheiro do título brasileiro de 1987 um baita parceiro como figurinha carimbada na pelada beneficente de final de ano.

Na hora da escalação das duas equipes, as vaias de mais de 58 mil pessoas ecoaram pelo estádio quando Renato Gaúcho (Portaluppi, parece ser apenas para nós, gaúchos) foi anunciado pelos alto falantes. É evidente que gravei esse momento e o tenho sempre comigo como carta na manga para alguma discussão de bar quando ele fala da maior torcida do Brasil. Torcida que ele fez questão de reverenciar segunda-feira em sua apresentação como novo treinador do time.

– Não lembro de atritos com o clube ou com a torcida. Maior prova é que, no jogo beneficente que o Zico faz todo o ano, o Zico brincava: “Está vendo, você é ídolo, a torcida gosta de você. Tem o gol de barriga… mas isso faz parte. Nos últimos dias, eu estava na praia e tive que ir embora pelo excesso de carinho, de fotos. A torcida pode ficar tranquila que trabalho não vai faltar. Vamos trabalhar para que a gente possa continuar dando alegria ao torcedor.

O combinado com Renato era de que nos encontrássemos em tal portão ao final do jogo para voltarmos para a zona sul e terminar aquela noite, claro, ao redor de uma mesa tomando uma sequência de chopes com petiscos. Renato foi substituído bem antes do apito final. Descemos até a saída do vestiário para encontrá-lo, porém constatamos que os dribles que as pernas não conseguem dar em campo, a cabeça segue dando fora dele.

Pensando antes, ele já estava no quinto chope, em Ipanema: “Peguem um táxi e venham duma vez. Ficaram fazendo o que aí depois que eu saí do jogo, pô? Venham para cá de uma vez!” Meia hora depois, a mesa estava completa. Sentados em banquinhos altos com mesas na rua, de chinelo e boné, o atacante de uma hora atrás era mais um carioca qualquer curtindo uma das coisas que a cidade tem de melhor. A simplicidade da vida boemia.

Nos cinco anos que convivi com Renato no Grêmio, foi naquele réveillon carioca que senti na pele o que ele dizia desde quando o conheci em 2010: “Tem coisa melhor do que isso daqui?”, apontando para os amigos e uma caneca dourada sem colarinho. Provavelmente agora no Flamengo, o futevôlei e os chopes tranquilos fiquem mais raros, pois, mesmo um ídolo, depende do resultado de campo para viver em paz. Para Renato, o percurso até realizar o seu sonho foi amplamente desfrutado. Agora é hora de brindar. Neymar não joga no Flamengo e, antes do próximo jogo beneficente, há dezenas de partidas valendo três pontos para a nação rubro negra. A primeira é hoje. Boa sorte, malandro.

Texto de João Paulo Fontoura.

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