jogador em tomada de decisão
jogador em tomada de decisão

Tomada de decisão no futebol e seus conceitos

Analisar as escolhas técnicas e táticas de um atleta ou equipe depois de executadas, pode ser muito simples. No entanto, existem outros diversos fatores dentro da partida de futebol que devem ser considerados quando se quer avaliar a decisão tomada pelo jogador. Neste primeiro texto no site do FootHub falarei de uma destas, a tomada de decisão e conceitos.

Vamos começar com um exemplo. Imagine que seu time está com a posse de bola no ataque. Você é o atacante. O lateral consegue fazer o cruzamento em sua direção. Você domina a bola no peito, mas ela acaba subindo. Você está de costas para o gol e tem poucos segundos para decidir o que irá fazer.

Esse momento exige uma tomada de decisão, certo?

Se eu perguntasse para 20 pessoas, em quanto tempo elas me diriam que dariam uma bicicleta? Talvez 18, 19, ou até mesmo as 20, em menos de 2 segundos. Por que isso acontece? Porque a bicicleta, neste caso, seria um recurso que todos temos afinidade. Isso não significa que possuímos uma motricidade (conjunto de funções nervosas e musculares que permite os movimentos voluntários ou automáticos do corpo) capaz de executá-la, mas sabemos que nesse cenário ela poderia ser um recurso.

Esse exemplo serve para explicar o elo entre a percepção com as experiências prévias.  Quando temos um cenário com uma solução, é mais fácil de executarmos a esta conclusão já conhecida. Quanto mais ferramentas para utilizar, mais possibilidades de surpreender o adversário nossa equipe terá. Por isso, os treinamentos de futebol devem trazer aos jogadores um ambiente mais perto possível da realidade. O professor espanhol Javier Lopez Lopez nos ensina em seus livros ‘Entrenamiento Táctico Cognitivo en el Futbol Base’, ‘Integración Táctica e Modelos Tácticos’, que os treinos devem chegar o mais próximo possível das situações de um jogo, desenvolvendo a capacidade cognitiva dos atletas. Aqui podem ser criadas atividades de:

  1. Rondos;
  2. Jogos de posição;
  3. Situações táticas;
  4. Espaço reduzido;
  5. Jogos condicionados.

Essas tarefas de treinamento devem colocar o atleta dentro de situações para que os atletas desenvolvam soluções para os “problemas” que surgem nas partidas.  O professor ainda ressalta que, para que se tenha um bom desenvolvimento tático individual e coletivo, é necessário que seja desenvolvida ao máximo o nível das capacidades coordenativas, psicológicas, socioafetivas, condicionais, técnicas e cognitivas, todas de forma interrelacionadas.

Existem alguns estímulos essenciais aos atletas de futebol que auxiliarão na percepção para que se possa escolher a melhor decisão dentre as possíveis, a partir daquilo que foi vivenciado nos treinamentos. Esses sentidos são: visão, audição, tato e cinestésico. A percepção permite o cérebro receber, elaborar e interpretar a informação que provém de seu entorno.

Tenho mais uma pergunta: qual estímulo produz uma resposta motora mais rápido?

  • Visual – 185 milissegundos – 0.185 segundos
  • Auditivo – 146 milissegundos – 0.146 segundos
  • Tato – 150 milissegundos – 0.150 segundos
    Fonte: Apostila – Neurociências aplicadas ao treinamento – Curso de treinador ATFA – Conmebol.

Apesar de ser a principal, por que a visão não é mais rápida? Acontece que a visão é 70% da capacidade de processamento sensorial. É como um programa de computador pesado e lento, impactando diretamente na resposta motora, por isso ela não é a mais rápida.

Voltando para o momento da “bola ao ar” descrito anteriormente. Processada a informação, temos que escolher o que fazer. Dentro de uma situação poderemos tomar inúmeras decisões. Diante dessa hipótese, vamos observar o cenário e nos perguntarmos: e se estiver vindo um companheiro de frente para o gol com possibilidade de chute (distância, tempo e ângulo)? Se eu dominar a bola, terei tempo de girar e finalizar? Existe algum companheiro para receber um passe de cabeça e finalizar para o gol? Notem o quanto é importante percebermos o que está acontecendo e quais são nossas possibilidades.

Processado o cenário, o atleta deverá buscar uma solução por meio de uma ação. Essa ação será expressa a partir de um comportamento motor que tentará concluir o lance. É nessa hora que o jogador buscará no seu cérebro quais são as melhores ferramentas para aquele momento e enviará estímulos para que seja produzido o movimento.  

A parte chave é que quanto mais situações similares o atleta tenha vivido, maior será o leque de opções para resolver o “problema”. Por outro lado, o tempo para a tomada de decisão é cada vez menor no futebol. Isso faz com que se tenha que tomar a decisão mais rápido, o que ocasionará um maior número de escolhas erradas. 

É neste momento que entram os treinamentos acima citados. Quando o treinamento é realizado visando que o atleta passe a executar suas escolhas e movimentos inconscientemente, ele terá uma vantagem sobre o rival. Os mecanismos de percepção e decisão se associam a ações táticas, enquanto a execução está relacionada com ações técnicas. Isto é, o jogador percebe a situação e buscará diferentes recursos técnicos para buscar uma solução.

A tomada de decisão deve ser treinada por diferentes tarefas, sempre respeitando a idade e a criatividade de cada indivíduo, obedecendo uma linha gradual do mais fácil ao mais difícil. Para finalizar: o que te vem à mente sobre a bola subindo? Uma bela bicicleta e um golaço.

Texto de Everton Calegari.

compartilhe

Compartilhar no facebook
Compartilhar no twitter
Compartilhar no linkedin
Compartilhar no pinterest
Compartilhar no email
Compartilhar no telegram
Compartilhar no whatsapp

Faça parte do nosso time

Preencha o formulário para que nossa equipe possa avaliar suas informações e entrar em contato.

Publique o seu artigo

Preencha o formulário para que nossa equipe possa entrar em contato e ajudar você a publicar seu artigo.