modelo de jogo
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O que é Modelo de Jogo?

Muito provavelmente, seja ao longo de uma transmissão de uma partida de futebol ou de um programa de debate esportivo, alguns de vocês já ouviram a seguinte expressão: “o modelo de jogo…”. Diante disso, a fim de aprofundar o debate, faz-se necessário questionar:

O que é o Modelo de Jogo?

Pode-se dizer que o modelo de jogo é alcançado através da apreensão da ideia de jogo, por parte dos atletas, nos diversos treinamentos praticados pela comissão técnica, traduzindo-se, portanto, nos comportamentos corriqueiros da equipe ao longo de todas as fases de uma partida, quais sejam a organização defensiva e ofensiva, bem como a transição defensiva e ofensiva.

A percepção do modelo de jogo não se dá, tão somente, no âmbito das variações táticas da equipe, acontecendo também nos aspectos técnico, físico e mental apresentados rotineiramente por uma determinada equipe, vez que os seus padrões organizacionais e comportamentais perfazem os princípios de jogo que compõem a diretriz multifatorial aplicada.

Neste sentido, por roborar a ideia ora tratada e facilitar o entendimento do instituto ora mencionado, é preciso trazer à baila o entendimento de Garganta (1997) ao asseverar:

“é possível, observando equipes e jogadores ao longo de vários jogos, encontrar padrões de organização, que permitem tirar conclusões sobre o comportamento de jogo de jogadores e equipes. Esse comportamento tem relação com as características do jogo construído pela equipe, especialmente com o seu sistema organizacional. Estes comportamentos e suas relações, caracterizam o chamado ‘modelo de jogo’.”

Júlio Garganta

Ocorre que a eficiência do Modelo de Jogo decorre da interação harmônica entre as ideias do treinador e diversos fatores que circundam a atmosfera do clube, como as características dos jogadores à disposição, a identidade futebolística inata à instituição, o sistema e a estrutura de jogo, o contexto atual do clube, as peculiaridades do grupo de atletas, as valências individuais de cada jogador, bem como a cultura do País e da instituição comandada, motivo pelo qual o mencionado conceito jamais poderá ser reduzido, de maneira isolada, à organização de uma equipe em campo ou à ideia do treinador.

Não se pretende defender a ideia de que existe apenas um modelo correto, visto que a implementação efetiva dele, como já mencionado, depende da consonância de uma série de elementos intrínsecos e extrínsecos ao campo. A intenção, em verdade, é mostrar que a confluência de todos os fatores destacados resulta no modelo de jogo mais adequado a ser implementado em cada equipe.

Há de se dizer que o Modelo de jogo de cada equipe deve ser instituído com base nos fatores mencionados acima, podendo ser mais simples, intuitivo e contar com capacidade individual limitada dos jogadores ou mais robusto e estruturado, escolha que estará condicionada às características próprias de cada universo no qual o técnico e sua comissão estão inseridos.

Não necessariamente os modelos robustos/estruturados serão os mais indicados e, de igual modo, nem sempre os modelos intuitivos serão desprezíveis, pois a efetiva aplicação de cada um deles, na grande maioria dos casos, depende da miscibilidade entre as ideias do treinador e os diversos elementos já destacados.


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Os métodos utilizados para edificação de um determinado modelo de jogo podem ensejar benefícios ou prejuízos, estando o fim condicionado à atmosfera na qual se intenta a implementação do instituto então dissecado.

Apenas para exemplificar, vale dizer que a construção estrutural do modelo de jogo, a qual tem como cerne uma abordagem sistemática, por demandar mais tempo para atingir significativa consolidação, apresenta, por vezes, dificuldades para ser plenamente estabelecida, sobretudo em contextos nos quais há insegurança gerencial e instabilidade em desfavor das comissões técnicas, sendo, portanto, recomendável, estritamente nestes contextos, a utilização de meios mais diretos de construção dos padrões comportamentais da equipe.

Fica claro que o conceito modelo de jogo é amplo e sua efetiva concretização está relacionada a uma série de elementos peculiares inseridos no contexto de cada equipe, restando evidente a imprescindibilidade de observar, casuisticamente, a relação entre os padrões comportamentais de jogo, de jogadores e de equipes com objetivo de identificar as características do variável instituto.

Material citado no texto:

GARGANTA, J. Modelação táctica do jogo de futebol: estudo da organização da fase ofensiva em equipas de alto rendimento. 1997. 302f. Tese (Doutorado em Ciências do Desporto e de Educação Física)-Faculdade de Ciência do Desporto e de Educação Física, Universidade do Porto, 1997.

Texto de Mauro Maia de Los Futebólicos.

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