conteúdo via streaming
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A força do conteúdo

‘Sunderland Até Morrer’, ‘All or Nothing – Manchester City e Tottenham’, ‘Match Day’. Essas são apenas quatro das diversas séries sobre clubes, jogadores e modalidades esportivas que fizeram sucesso nos últimos meses. Embaladas pelo crescimento do streaming, novas opções de conteúdo têm mostrado sua força como uma das formas de promover o esporte, clube ou até mesmo um atleta.

Para começar a jornada do conteúdo, o primeiro ponto é entender que este deve estar incluído no planejamento, na estratégia da instituição, seja clube, confederação ou empresa do setor. O Barcelona é o grande exemplo neste sentido. O clube espanhol lançou nos primeiros meses de 2020 sua estratégia digital, baseada em dois pilares: FRM, Fan Relationship Management, e o Barça Studio. O primeiro é tema para um próximo texto, vamos focar no segundo agora.

O Barça Studio é responsável por toda a produção de conteúdo original do clube, e busca atingir os milhões de torcedores do clube espalhados pelo mundo. É importante lembrar que apenas uma pequena parte da torcida de um clube de futebol consome os principais produtos, como ingressos para jogos, quando era possível, e programas de sócio torcedor. O conteúdo surge como a principal alternativa para aproximar o fã da instituição que ele é apaixonado.

A série ‘Match Day’, citada no começo deste texto, foi uma das primeiras produções do estúdio. Os oito episódios trazem os bastidores da temporada 2018/19 do clube, mostrando inclusive a derrota para o Liverpool por 4 x 0 que eliminou a equipe da Liga dos Campeões. No entanto, a produção não para por aí. Já estão sendo preparados dois conteúdos em diferentes formatos. O primeiro será uma série de ficção, que terá La Masia, centro de formação do Barcelona, como plano de fundo. A outra se trata de um desenho animado, mostrando a preocupação do clube com o público infantil.

Diferentes funções do conteúdo

Com o conteúdo inserido em sua estratégia macro, é possível aproveitar os diferentes formatos e funções que este tipo de produção oferece.

Conteúdo para aproximar

Como foi dito, o conteúdo pode ser utilizado para aproximar os fãs de seus clubes. O formato de bastidores cresceu muito nos últimos meses, tanto com as séries já citadas, quanto com ‘Last Dance’, produção que traz a história do último título da NBA de Michael Jordan pelo Chicago Bulls.

No Brasil, uma iniciativa que chama atenção neste sentido é o Sócio Digital do Bahia. A ferramenta, lançada em julho de 2020, tem valor de R$ 7,90 para sócios e R$ 9,90 para o público geral. O clube baiano entrega bastidores, entrevistas exclusivas, mostra os treinamentos, conversas entre jogadores, tudo aquilo que seus torcedores sempre tiveram curiosidade de saber como acontecia.

O sucesso foi imediato, como informou Guilherme Bellintani:

Em uma manhã, o Sócio Digital deu ao Bahia mais receita do que o YouTube em uma década.

Guilherme Bellintani, presidente do Esporte Clube Bahia

Conteúdo para complementar

Quando falamos da relação entre clube e torcedores, muitos pensam apenas nos 90 minutos de uma partida. No entanto, com todas as opções de conteúdo existentes, o torcedor quer receber muito mais que isso.

O relatório The Future of Sports Fan apresenta algumas tendências para o apaixonado por esportes do futuro. Em relação ao consumo de conteúdo 73% do público deseja consumir algo no momento em que quiser, utilizando os diversos canais disponíveis: televisão, site, redes sociais, aplicativos, jornais e rádio. Além disso, a chamada geração Z mostra uma preferência por assistir apenas os melhores momentos ao invés de uma partida inteira, tanto de futebol como outros esportes. É muito tempo para prestar atenção em uma única atividade, que nem sempre apresenta boa qualidade.

Conteúdo para atrair novo público.

O conteúdo ainda pode ser utilizado para atrair novos públicos para um esporte ou aumentar a base de fãs de um atleta. Nos últimos meses, foram dois os destaques neste sentido. A série ‘O Gambito da Rainha’, que usa o xadrez como plano de fundo, acabou auxiliando na popularização do esporte, com muitas pessoas buscando as regras do jogo e formas de praticar online.

Já ‘Drive to Survive’, que conta os bastidores da Fórmula 1, foi um dos pilares do desenvolvimento de um novo público para a modalidade, que atingiu na temporada de 2020 ótimos números de audiência, apesar de contar com menos provas. A série utiliza os dois princípios anteriores para se destacar, aproximando o público dos pilotos através dos bastidores e sendo alternativa de conteúdo para além dos dias de grande prêmio.

O futuro do conteúdo

A última novidade em termos de conteúdo é a inclusão dos influenciadores em clubes profissionais buscando alternativas para promover os estaduais. No Rio de Janeiro Cartolouco disputa o estadual pelo Resende, enquanto no Rio Grande do Sul Duda Garbi busca atuar pelo São José.

Em um formato que aproxima ainda mais o esporte do entretenimento, os clubes de menor relevância podem se destacar nos meios digitais, atraindo não só novos fãs, mas também patrocinadores que sejam atraídos por esta base de torcedores.

Para concluir, vale destacar que a maioria das iniciativas de conteúdo inovadoras não partiram de grandes clubes, que ainda ficam muito restritos aos formatos mais tradicionais. Com muitas instituições lançando suas próprias plataformas de streaming por aqui, quem sabe não vemos está tendência mudar nos próximos meses?

Texto de Rodrigo Romano, do Cadeira Central.

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