
Muitos jovens que possuem o sonho de ser jogador de futebol acreditam que o caminho é estar competindo nas principais competições, quase sempre organizadas pelas Federações Estaduais. Para os clubes, a disputa de uma Copa São Paulo de Futebol Júnior, por exemplo, é o ápice em termos de visibilidade para as categorias de base. Essa realidade foi por muito tempo a ambição de gestores, treinadores, atletas e pais. Porém, isso vem mudando nos últimos anos.
O futebol vem se tornando um esporte de alto custo para os clubes já nas categorias de base, dificultando e muito a participação de clubes pequenos e tradicionais em categorias menores. Atualmente, muitos são os que “terceirizam” suas categorias de base, seja ela para grupos de empresários, investidores e até mesmo escolinhas de futebol particulares, tendo seus custos assumidos pelos terceiros.
Na Federação Paulista, por exemplo, para os jogos como mandante, os custos operacionais de uma partida incluem arbitragem, equipe médica, seguranças particulares, emissão de credenciais, equipe de apoio e operacional e gandulas. Quando a equipe precisa jogar como visitante, acrescenta-se viagens, alimentação e em alguns casos hospedagem.
O retorno nesses casos se dá quase que única e exclusivamente na venda de jogadores, que nem sempre acontece, e que tem seu retorno a médio e longo prazo. Patrocinadores e investidores contribuem na diminuição das despesas, não gerando grandes receitas para as categorias de base de um clube.
O calendário dessas competições também é outro fator impeditivo na maioria das vezes. Mesmo em São Paulo, estado que realiza cerca de 6000 jogos por ano, algumas categorias participam durante três a quatro meses apenas, tendo o restante do ano sem competições oficiais e diminuindo o interesse de investidores e a visibilidade de futuras negociações para seus atletas.
Diante disso, podemos observar um aumento no número de “competições paralelas”, que tem como objetivo suprir a demanda dessa falta de jogos encontrada pelos clubes. A oferta pelas tradicionais copas de férias, que acontecem em dezembro, janeiro e julho está cada vez maior e diversificada. Essas competições são até previstas pelas federações que costumam ter pausas no calendário nesses períodos.
Porém, ainda falta mais. Entidades esportivas vêm surgindo e criando competições durante todo o ano, em altíssimo nível, com a participação de equipes que disputam as competições oficiais e ao mesmo tempo oportunizando a equipes menores e que não conseguiriam arcar com os custos de um Campeonato Paulista, mas que conseguem participar de tais competições não oficiais. O custo operacional nessas competições normalmente se resume a arbitragem, com valores mais acessíveis, e taxa de inscrição, quando acontece.
O aumento do número dessas competições, bem como a qualidade com que são organizadas em consonância com a adesão de uma grande quantidade de equipes, tem gerado uma visibilidade interessante para os participantes. Os clubes considerados “grandes” tem enviado seus observadores técnicos para essas competições, bem como tem suas equipes representadas, e talentos estão sendo lapidados também fora dos grandes campeonatos.
Essas entidades buscam organizar suas competições com regulamentos similares aos campeonatos organizados pela Federação, contribuindo para um ciclo de continuidade nas equipes melhores estruturadas financeiramente e outro ciclo de oportunidade para as equipes com recursos limitados.
Por ora, as competições da Federação e das entidades esportivas no estado de São Paulo vem se complementando, oferecendo condições para que equipes em diferentes situações participem conjuntamente. Resta saber o que podemos esperar para um futuro não muito distante.
A Federação tomará atitudes que podem restringir a participação de seus filiados em outras competições? As Entidades se consolidarão como calendário mais atrativo para todos os participantes, sejam eles filiados ou não, diminuindo o interesse nas competições oficiais? A Federação se adequará para que os custos operacionais sejam interessantes para todas as equipes, incentivando inclusive a filiação de novas equipes?
É fato que a Federação Paulista tem investido em estudos técnicos para fomentar cada vez mais as categorias de base no estado de São Paulo e é consenso nos cubes a importância de se manter uma categoria de base no mais alto nível, mas só o tempo nos trará todas as respostas de como serão organizados os calendários para os jovens e crianças que visualizam no futebol, seu sonho de vida.
Texto de Marlon Gomes

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