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A figura do falso nove

O futebol é parte importante da vida de milhões de pessoas ao redor do mundo, principalmente pelo seu apelo social. Um impacto imensurável no cotidiano difícil de gente que vê o esporte como pequena recompensa em meio a tantas dificuldades encontradas, um alívio momentâneo num mar de preocupações. Cada um desses “futeboleiros” tem sua identidade caracterizada pelas influências desta paixão que carrega, se enxergam naquilo que veem em campo.

Mas apesar de transcender as barreiras esportivas, o futebol continua tendo na sua essência como jogo a competição. E é nisso que se baseia majoritariamente os esforços dos agentes da modalidade, aspirando o objetivo principal, que é desempenhar bem a sua atividade e consequentemente ganhar.

A partir daí, em termos táticos ou mesmo estratégicos, cada posição tem funções estabelecidas em campo tendo em vista as ideias do treinador. Elas são realizadas visando fins específicos, isto é, com a intenção de gerar vantagens à equipe, levando em conta o contexto de jogo, a característica do adversário e do jogador escolhido para fazê-la.

“No futebol há nove posições e duas profissões: goleiro e centroavante”. A frase é de Dadá Maravilha, célebre atacante brasileiro e símbolo do que é um camisa 09 clássico. Por muito tempo a figura do jogador mais avançado se baseava em alguém alto, com pouca mobilidade e que marcava muitos gols, porém entregava pouco na construção dos ataques, se limitando muitas vezes às finalizações dentro da área.

São diversos os exemplos de jogadores que se destacaram neste sentido, das épocas mais antigas até o momento atual. Assim como boa parte das equipes que marcaram seu nome na história se utilizavam deste goleador nato.

Dentro deste contexto, em alguns momentos houve “impostores” infiltrados no clã dos atacantes de referência, é o caso da Hungria da década de 30 (primeiro registro deste tipo), do poderoso Brasil de 70 e do Carrosel Holandês de 74. Nestes times, o jogador que iniciava as jogadas nas posições mais avançadas não pertencia ao grupo de atletas com boa estatura, que atuavam mais parados, movimentando pouco, pelo contrário. São aqueles que denominamos “falso 9”.

O falso 9 não é uma posição, é um conceito definido por um tipo peculiar de movimentações do homem de frente que sai do seu posicionamento inicial, geralmente no meio dos zagueiros adversários e parte pra zonas mais recuadas, entre as costas dos meio-campistas e os defensores. Esse deslocamento gera uma dúvida nos seus marcadores, pois podem persegui-lo e abrir assim buracos na linha defensiva ou continuar na sua posição atual e deixá-lo receber com mais espaços entrelinhas.

Atrair, enganar, fingir ser algo que não é para gerar vantagens e criar um caos na organização adversária, princípios encontrados também no popular jogo Among Us, com os impostores infiltrados na nave e atuando de forma análoga ao falso 9.

É muito comum ver jogadores com muito talento e mobilidade que se sentem a vontade ao atuar nas posições mais avançadas, alguém que partisse da referência tentando romper linhas e encostar nos jogadores mais abertos, sendo assim confundidos com o falso 9. A questão aqui não é só ser fixo ou móvel e sim o tipo de movimentação e as intenções, sejam mais racionais ou instintivas, por trás da mesma.

Outro aspecto importante de entender é que centroavantes com biótipo mais desenvolvido para um jogo mais físico, estático, com perfil para ser um referencial de ataque também podem realizar movimentos análogos ao do falso 9. Um bom exemplo é o inglês Harry Kane, que tanto o Tottenham quanto a seleção inglesa se valem muito da qualidade do jogador nos passes mais verticais para os companheiros que atacam o espaço deixado por ele.

A popularização deste termo se dá principalmente pelo sucesso na utilização do mesmo pelo treinador Pep Guardiola com seu histórico trabalho no Barcelona utilizando Lionel Messi na função. O confronto contra o Real Madrid, no dia 02 de maio de 2009, ficou marcado como o jogo que mudou a percepção da massa do futebol com relação ao termo. Uma partida de culto do camisa 10 argentino que garantiu a elástica vitória por 6×2.

Em termos mais atuais, Roberto Firmino tem proeminentes resultados recuando no campo e acionando em velocidade os pontas Mané e Salah. O brasileiro é peça chave no funcionamento do time campeão europeu e inglês.

É assim que o futebol caminha, com barreiras e dificuldades sendo geradas por uns e a partir daí a busca pelas soluções por outros. No meio disto estamos nós, disfrutando do jogo que nos causa tanta paixão.

Texto de Pedro Heitor, de Los Futebólicos.

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