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Quem cala, restringe!

Como prosseguimento do desenvolvimento da linguagem e das suas ferramentas, o surgimento das redes sociais tem um papel impactante na forma com que o ser humano se relaciona entre si e com o mundo. Barreiras são constantemente quebradas e o que se espera (ou pelo menos esperava) é um mundo cada vez mais globalizado e interativo. De certa forma isso vem se cumprindo.

O ano é 2021, meus amigos e eu, sem formação jornalística, sem experiência no mundo do futebol e com outras responsabilidades na vida possuímos este espaço aqui para falar e escrever sobre futebol. Nós não somos exceção, somos a regra, as mídias sociais possibilitam o que até então parecia impossível: dar voz aos desconhecidos. Uma grande oportunidade para quem não teria chance de mostrar os seus verdadeiros talentos.

Para além disso, o mundo virtual permite que não só os talentos sejam apresentados, mas também as opiniões de milhões de pessoas sobre variados assuntos a todo mundo, gerando assim um paradoxo sobre as consequências da “democratização da opinião”. E dessas consequências este escrito busca tratar.

Considerando esta situação, existe uma discussão sobre a falta de posicionamentos dentro da comunidade do futebol, seja por meio dos clubes, treinadores ou jogadores. É interessante destacar que estes últimos tem um contexto muito específico de formação que os distanciam de questões sociopolíticas.

A grande maioria dos atletas tem na sua origem muitas dificuldades ligadas à pobreza e a falta de educação de qualidade, acrescidos de um cenário familiar quase sempre desestruturado. Neste turbilhão de angústias e necessidades, a bola torna-se o principal, pra não dizer singular, mecanismo de expressão da sua personalidade, das suas opiniões e dos seus sentimentos. A sua voz se manifesta pelo campo.


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Até porque a preocupação em melhorar a vida dos seus familiares e amigos está acima de qualquer outra necessidade. Um pequeno deslize e todo o seu sonho pode ser destruído como um castelo de areia que se desvai com uma pequena marola. A fragilidade da carreira de um jogador, essencialmente dos mais jovens, o tornam refém da inércia política e dos posicionamentos sobre questões sociais.

Não pode-se esquecer também do papel dos assessores e empresários que, por questões mercadológicas, indicam os rumos da carreira, ou seja o atleta tem pouca autonomia sobre a própria carreira e as vezes até sobre a vida. Quantas vezes não ouvimos que “meu foco é todo no campo, essas outras questões eu deixo para o meu agente”. Sintomático. Sem contar que o público do futebol convencionou-se a acreditar que os agentes do futebol são robôs programados para satisfazer às suas demandas.

Aquele que se posiciona está muito mais exposto às críticas, muitas vezes de forma violenta, orientado a falar só sobre o jogo, como se não fosse uma pessoa normal com ideias e opiniões próprias. Por outro lado, os clubes, assim como o esporte de modo geral, não são alheios à sociedade e os seus problemas. Há um papel social que deve ser cumprido, principalmente se tratando da importância dos valores democráticos, constantemente subvalorizados no país. Quando um clube deixa de se manifestar nesse sentido consegue desrespeitar a sua história e a identidade que lutou para construir.

Ainda há um déficit gigantesco com relação a esta função e devemos cada vez mais cobrar isso de instituições tão importantes e presentes no dia a dia da população. Em contrapartida, é necessário que os jogadores não sejam cobrados pela falta de posicionamento, mas que haja, por parte dos clubes e dos staffs um estímulo para que causas importantes sejam defendidas pelos jogadores.

A influência que os atletas mantêm com seus admiradores precisa ser entendida e utilizada, para que as gerações futuras que constantemente se espelham nos seus ídolos tenham exemplos positivos a seguir. Para que a bola seja somente uma das formas de se expressar.

Texto de Pedro Heitor do Los Futebólicos.

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