hélices de inovação
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O futebol e as hélices de inovação

Estive recentemente visitando o Instituto Caldeira, um dos espaços que compõe o ecossistema de inovação de Porto Alegre, que vem evoluindo e merece ser assunto de um conteúdo futuro. Nesta visita ouvi novamente a história do local, que surgiu a partir da união das quatro hélices de inovação. Esse termo foi novidade para mim e, a partir daquele momento, fiquei pensando como o futebol se relaciona com as hélices de inovação. Por que não fazer um texto analisando essa questão?

Ecossistema de inovação

Para começar o texto, é importante caracterizar um ecossistema de inovação. No artigo Como o ecossistema local pode ajudar no processo de Inovação, a Débora Saldanha, Gerente de Inovação do Atlético-MG, resume bem o conceito: “De uma forma bem simplista, são um conjunto de ambientes, comunidades e iniciativas que visam fomentar o desenvolvimento social e econômico local através da tecnologia, inovação, e principalmente, pela colaboração.”

Outro ponto importante de um ecossistema de inovação é a inovação aberta, ou seja, todos os atores que fazem parte do ecossistema devem incentivar ideias e trabalhar de foram colaborativa em busca da construção de novos produtos e serviços.

É aqui que entra o conceito de hélices de inovação, tema principal deste texto. As hélices representam os responsáveis por desenvolver a inovação dentro deste ecossistema. Quando surgiu, o conceito citava três atores: empresas, governo e universidades. Mais tarde a sociedade civil foi inserida ao grupo, formando a quádrupla hélice.

Hélices de inovação

A teoria das hélices de inovação surgiu nos anos 1990, tendo o pesquisador Henry Etzkovitz como um dos idealizadores. Segundo o próprio, o modelo já existia na prática, nos Estados Unidos, ao longo dos anos 1930 e 1940. A partir da observação da atuação do Massachussetts Institute of Technology, MIT, neste período, e da sua relação com o polo de indústrias de alta tecnologia em seu entorno, o autor estruturou a teoria que foi utilizada por muito tempo.

O modelo é simples: as universidades concentram estudos e conhecimentos científicos para atender as demandas apresentadas pelas empresas privadas, que analisam, gerenciam e comercializam produtos a partir dos resultados. Tudo isso com auxílio do poder público, que busca incentivar setores e regiões com políticas específicas para cada um.

Com o passar do tempo, especialistas apontam novos agentes nessa estrutura. As pessoas, ou sociedade civil, são consideradas como a quarta hélice. Neste caso, é a sociedade civil, as organizações e associações coletivas, através da mídia, da arte, do estilo de vida, que passam a demandar os problemas e as soluções, ao invés das universidades.

A principal dificuldade do modelo são as diferenças entre os quatro agentes. Empresas, governo, universidades e sociedade civil têm tempos distintos para trabalhar e buscar soluções para seus problemas.  Como o próprio autor da teoria relata em entrevista, em muitos casos, se faz necessária a criação de uma instituição ou a atuação de um indivíduo para unir as hélices de inovação, coordenar as relações e ideias em busca de um mesmo objetivo. É o caso do Instituto Caldeira, que citei no começo deste texto.

O futebol e as hélices de inovação

No futebol brasileiro, o ecossistema de inovação ainda é muito reduzido. No meu último texto Investimentos e startups no esporte ao redor do mundo, mostrei como o cenário na Europa se mostra mais maduro neste sentido, com clubes, federações e entidades privadas lançando suas próprias iniciativas para desenvolver a inovação.

Para melhorar o contexto brasileiro, uma solução é se aproximar da melhor forma possível das quatro hélices. Atualmente, entendo que existe espaço para uma maior aproximação entre instituições do esporte com o meio acadêmico. Centros de pesquisa universitários podem ser aliados importantes para temas como saúde, performance dos atletas, comportamento de consumo dos torcedores, entre outros.

Por exemplo, o webinar promovido pelo FootHub no final de junho, “A transição do futsal para o futebol”, surgiu de um trabalho de pesquisa de Marquinhos Xavier, técnico da seleção brasileira de futsal e participante do evento, tema relevante para o futuro das duas modalidades.

No relacionamento com o governo e sociedade civil, o cenário deve mudar a partir da lei da SAF, principalmente pelo artigo 28 da lei, que institui o Programa de Desenvolvimento Educacional e Social (PDE). Em convênio com instituições públicas de ensino, os clubes que adotarem o novo modelo devem promover medidas em prol do desenvolvimento da educação, por meio do futebol, e do futebol, por meio da educação.

O São Paulo mostrou recentemente uma das formas de realizar este trabalho ao lançar no último mês de junho seu Hub de inovação aberta Inova.São, em parceria estratégica com a Deboo, especializada em Web3, e da Sportheca, startup studio da indústria do esporte.

A Escola de Educação Física da USP, foi a primeira instituição de ensino a fazer parte do projeto, assim como a organização social de cultura IDBrasil, responsável pela gestão do Museu do Futebol. Ambas representam, respectivamente universidade e sociedade civil dentro do ecossistema.

Para finalizar o texto, retomo a entrevista de Henry Etzkovitz, um dos idealizadores da teoria das hélices de inovação. O autor destaca que devemos trabalhar a inovação de forma constante, inventando maneiras melhores, sem a existência de um modelo específico. Todos podemos aprender uns com os outros, sabendo aproveitar da melhor maneira a realidade de cada local. O FootHub assume cada vez mais este papel no cenário de inovação do futebol brasileiro conectando pessoas e desenvolvendo conhecimentos com objetivo de tornar a indústria do futebol cada vez mais profissional.

Texto de Rodrigo Romano.

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