
Quatro gigantes brasileiros, quatro histórias distintas, um mesmo palco: o Mundial de Clubes da FIFA 2025. Botafogo, Palmeiras, Flamengo e Fluminense representam o Brasil com trajetórias marcantes, superações, ciência, estratégia e ambição. Cada um, à sua maneira, mostra ao mundo por que o futebol brasileiro segue sendo protagonista.
Botafogo no Mundial de Clubes
Um campeão da Champions League, um 3º colocado na La Liga, atrás somente de Barcelona e Real Madrid, e uma das maiores franquias da MLS, Liga Americana de Futebol. Esses eram os adversários do Botafogo no Mundial de Clubes, um clube que até 5 anos atrás caia para a segunda divisão do Campeonato Brasileiro. Um grupo considerado temido, conhecido como o “grupo da morte”, onde haviam dois grandes clubes europeus, um norte americano jogando em casa e o brasileiro que queria mostrar para o que veio.
O Botafogo garantiu a sua classificação, desafiou as previsões pessimistas e ainda surpreendeu o mundo com o desempenho, organização tática e entrega de seus atletas. Essa caminhada veio já no início de 2022, quando o clube retornou à elite do futebol e logo foi comprado pelo investidor norte-americano John Textor, a partir da construção de um clube SAF. Em 2024 o Botafogo conquistou um campeonato Brasileiro e uma Copa Libertadores na mesma temporada, e com isso garantiu sua vaga para a Copa do Mundo de Clubes, neste ano de 2025.
A trajetória no Mundial começou com uma vitória por 2 a 1 sobre o Seattle Sounders, resultado que já dava indícios de que o técnico Renato Paiva se preparava de um jeito diferente para este torneio. Mas foi contra os gigantes europeus que o Botafogo se consolidou como um time competitivo.
No segundo jogo, a equipe enfrentou o atual campeão da Champions, Paris Saint-Germain, com a ideia de neutralizar o jogo e explorar as transições rápidas, o Botafogo utilizou de intensidade e organização. Além disso, o time se destacou pela postura defensiva impecável e venceu por 1 a 0, com um gol de Igor Jesus em contra-ataque.
A classificação foi confirmada em uma derrota contra o Atlético de Madrid, em um jogo onde o Botafogo, apesar do desempenho ruim, teve bons momentos, criou oportunidades de gols e melhorou com as alterações feitas pelo treinador no segundo tempo. Afinal, o time brasileiro entrou em campo podendo perder por até dois gols e mesmo assim se classificaria, mas preferiu manter a proposta defensiva, sem abdicar das tentativas de acelerar o jogo nas suas transições.
A definição da classificação no grupo se deu no saldo de gols apenas nas partidas entre os três times envolvidos. O PSG terminou com saldo +5, o Botafogo com 1 e o Atlético com -1. Com isso, PSG e Botafogo se classificaram nessas respectivas posições.
Palmeiras no Mundial de Clubes
A trajetória do Palmeiras no Mundial de Clubes foi marcada por uma combinação de estratégia, análise de desempenho e ciência. Desde a estreia contra o Porto, quando dominou o jogo mas não saiu do zero, Abel Ferreira sabia que precisava mais do que posse de bola e intensidade. A equipe até pressionou, criou, mas esbarrou em decisões precipitadas e na falta de precisão. Foi nesse ponto que a análise de desempenho teve um papel fundamental para conseguir identificar padrões, ajustar posicionamentos e propor mudanças táticas.
Na segunda rodada, diante do Al Ahly, essas mudanças ficaram evidentes. O Palmeiras entrou com outra postura, especialmente no segundo tempo, e venceu com autoridade. Os analistas do clube detectaram uma transição defensiva lenta no adversário e uma marcação em linha alta que poderia ser explorada. O resultado foi direto de um trabalho integrado entre campo e leitura tática, dos profissionais do clube.
O terceiro jogo, contra o Inter Miami de Mascherano, trouxe um novo desafio. O adversário ofereceu resistência, soube anular os pontos fortes do Palmeiras e quase saiu com a vitória. Mas o empate arrancado no fim não foi obra do acaso. Ele veio de ajustes feitos ao longo da partida, com base em dados que são observados ao vivo e na leitura da comissão sobre os comportamentos do rival.
Mas o que diferencia esse Palmeiras é um tópico inovador no Brasil, a neurociência. Através do Núcleo de Saúde e Performance, o clube implantou o uso de estimulação transcraniana, uma “massagem cerebral” para acelerar a recuperação física e mental dos atletas, melhorar a concentração e aumentar a capacidade de tomada de decisão sob pressão.
A ideia é simples e revolucionária, quanto mais preparado estiver o cérebro, melhor será o rendimento em campo. Desde junho de 2025, o Palmeiras conta com um centro exclusivo para recuperação e neurociência na Academia de Futebol, integrando sessões de acupuntura, pilates, relaxamento e estimulação cognitiva. Essa preparação mental é especialmente valiosa em torneios curtos como o Mundial, em que há pouco tempo para treinar entre jogos e onde decisões rápidas fazem a diferença entre a glória e a eliminação.
Abel Ferreira, admitiu erros, mudou a equipe quando necessário e confiou na união entre ciência e futebol para elevar o nível do time. O resultado é uma equipe que pensa o jogo com a mesma velocidade com que o executa e que usa a análise de desempenho não apenas como diagnóstico, mas como ferramenta de evolução contínua.
O Palmeiras se classificou em primeiro lugar no grupo, com 5 pontos, juntamente com o Inter Miami de Messi e Suárez. Agora o confronto nas oitavas é contra o Botafogo e pelo menos um dos brasileiros já está garantido nas quartas de final da Copa do Mundo de Clubes da FIFA.
Flamengo no Mundial de Clubes
A participação do Flamengo no Mundial de Clubes foi marcada por uma trajetória competitiva e uma proposta de jogo bem definida sob o comando de Filipe Luís. Recém chegado ao cargo de treinador da equipe principal, o ex-lateral demonstrou sua capacidade de transição do campo para a gestão. Com 73% de aproveitamento desde que assumiu o time, Filipe já figura como o terceiro técnico mais eficiente do clube no século, atrás apenas de Jorge Jesus e Dorival Júnior.
Nessa competição, o Flamengo enfrentou três adversários de diferentes perfis, o Espérance de Tunísia, Los Angeles FC e Chelsea. A estreia contra o Espérance demonstrou um Flamengo intenso na marcação alta e com boas trocas de passes entre meio-campo e ataque. Já contra o Los Angeles, o empate escancarou a dificuldade do time em controlar o jogo em momentos de decisão.
Um dos principais pontos da proposta de Filipe Luís no Mundial foi a ênfase na intensidade, muito pela escolha de escalar um time mais leve e físico, essa opção dividiu opiniões, mas fazia parte de um plano estratégico de jogo reativo, especialmente diante do adversário europeu.
Quando chegou o jogo contra o Chelsea, o Flamengo intensificou a pressão e levou a vitória por 3 a 1. O time inglês abriu o placar aos 13 minutos do primeiro tempo com Pedro Neto, após erro na saída de bola da defesa rubro-negra. Apesar da vantagem do Chelsea e do domínio inicial, o Flamengo voltou melhor na segunda etapa e mostrou grande poder de reação.
Aos 70 minutos, o Flamengo já havia virado o jogo. O Chelsea sentiu e ainda teve um atacante expulso apenas quatro minutos depois de entrar em campo. Com um a mais, o Flamengo passou a controlar o jogo e selou a vitória com o terceiro gol nos acréscimos. A vitória foi a mais elástica de um clube brasileiro contra uma equipe europeia em jogos oficiais no século, e consolidou a liderança do Flamengo no grupo, além de fortalecer o trabalho de Filipe Luís à frente da equipe.
Fluminense no Mundial de Clubes
O Fluminense chega às oitavas de final do Mundial de Clubes de 2025 após uma campanha estável na fase de grupos, marcada por uma defesa sólida, protagonismo do goleiro Fábio e expectativas de evolução ofensiva. A estreia do Tricolor foi um empate em 0 a 0 contra o Borussia Dortmund, em um duelo equilibrado onde os goleiros foram os principais destaques. A atuação segura da equipe animou os torcedores, embora tenha ficado evidente a dificuldade do time em finalizar.
Na segunda rodada, o Fluminense enfrentou o Ulsan Hyundai, da Coreia do Sul, e venceu por 4 a 2. A vitória garantiu os primeiros três pontos do time na competição, mas também levantou questionamentos sobre a queda de rendimento na segunda etapa e a pouca efetividade ofensiva.
Fechando a fase de grupos, o Fluminense empatou novamente por 0 a 0, desta vez com o Mamelodi Sundowns, da África do Sul. O resultado garantiu a segunda colocação no grupo, atrás do Borussia Dortmund, e a vaga nas oitavas de final, onde enfrentará a Inter de Milão.
Fora de campo, o Fluminense também se movimentou para fortalecer o elenco. Para o Mundial, ele inscreveu 32 jogadores, incluindo jovens da base como Isaque, Wallace Davi e Riquelme Felipe. Um dos principais reforços foi o Soteldo, contratado junto ao Santos. O venezuelano foi incluído na lista final e gera expectativa de estreia na fase eliminatória.
Até o momento, o Fluminense apresenta uma campanha sólida do ponto de vista defensivo, apenas um gol sofrido em três jogos, mas com claras limitações criativas no setor ofensivo. A equipe aposta em sua consistência, na experiência de jogadores como Fábio, Thiago Silva e Ganso, e no talento de Cano e Arias para surpreender adversários mais fortes na fase mata-mata. O Tricolor chega confiante, ciente de suas limitações, mas com a esperança de seguir escrevendo história no maior torneio de clubes do mundo.
Texto de Gabriela Mantay

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