jogo de futebol de noite
jogo de futebol de noite

Jogo, logo existo!

Sete horas da manhã de um sábado ensolarado, centenas de crianças e adolescentes amontoados no campinho de terra no interior de um grande estado brasileiro.

É dia de peneira, quase uma instituição não só do futebol brasileiro, mas de uma sociedade com raríssimas chances de crescimento na vida (por meios lícitos).

Poucos momentos conseguem agregar tanta gente dividindo um sonho em comum: o de existir.

Digo existir porque a maioria desses jovens atletas surgem do nada, onde nem erva daninha vinga, já diria Emicida.

 A perspectiva é mínima, a chance de ser notado em meio a tanta gente é pequena, mas é tão real quanto os inúmeros problemas que assolam as comunidades.

 É a forma de trazer para o mundo real aqueles vivem no mundo paralelo criado pela agressiva desigualdade deste país de proporções continentais.

O jogo se mistura com a vida, o jogo é a vida para a maioria.

Pouco interessa se as possibilidades são tão restritas, o futuro já nasce restrito para quem acorda com um despertador diferente do usual, o que te acorda para a vida.

Eles sabem que aquele dia vai ser mais longo que o normal, o sol vai castigar ainda mais, tudo está contra você, menos uma coisa. A bola.

A bola é a sua melhor amiga, a única que consegue te alegrar mesmo nos momentos mais difíceis, a bola é leal.

Isso não quer dizer que o meio em que a bola se encontra seja assim confortável, ele exige mais do que você imagina, o seu sonho te cobra do momento em que você encontra este objeto esférico pela primeira vez até o fim da sua eventual e improvável carreira.

O voltar para casa é o mais difícil, mais do que jogar, mais do que passar pelo seu adversário, que, diga-se de passagem, terá a mesma ou maior fome de vencer que você, todo mundo ali luta pelo mesmo objetivo e a competição é inevitável.

Chegar com a notícia ruim acaba com o dia, torna tudo mais difícil, a lágrima pesa, as pernas tremem, a vida parece ter cada vez menos sentido.

O sentimento de frustração destrói e constrói pelo mesmo que motiva, é o seu sonho, a transformação de vida que a sua família precisa, que você precisa.

Mas é claro que há aqueles que retornam aos lares cheios de esperança, mais vivos do que nunca, sem querer pensar sobre tudo que ainda deve passar até que aquele devaneio de criança se torne realidade. O que dá para se falar a ambos: continuem persistindo, joguem, pois é assim que você, eu, nós existimos. O sonho nunca é só um sonho.

Texto de Pedro Heitor de Los Futebólicos.

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