jogo de futebol na rua
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Jogo, logo existo – parte 2

Tempo é privilégio. Por algum motivo eu estive privilegiado o suficiente nas últimas semanas para pensar. Raridade. Me veio à mente um questionamento banal, simplista, trivial. Andar de ônibus deixou de ser uma aventura. Por óbvio, deixou de ser porque em alguma ocasião foi. 

Existem momentos, quase sempre só inteligíveis somente com certo distanciamento cronológico, que afastam determinadas sensações que pareciam as únicas possíveis. Pegar conduções é tão corriqueiro, não parece fazer sentido que algum dia ela tenha sido algo diferente de uma tarefa. A empreitada que te leva para outras, essas sim, importantes. 

Imagine só, correr da chuva um dia já foi divertido. Nem de longe me lembra o estresse que é hoje para não chegar molhado em casa. O resfriado logo após, as roupas sendo estendidas. A situação é a mesma, a reação e o sentimento por elas é que são completamente diferentes. O mundo do imaginário nos apresenta sensações difíceis de decifrar e ainda mais de explicar. Torna a vida uma brincadeira, como jogar bola.

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Jogar bola, a brincadeira mais popular desse país. Caso vivo estivesse, Confúcio adaptaria a sua famosa frase. A bola é o arroz que faz viver e ao mesmo tempo as flores que fazem ter pelo que viver. Relação que como a maioria delas nem sempre se baseia no equilíbrio.

O futebol é uma atividade profissional, claro. Paga muito bem para alguns, inclusive. Quem trabalha com ele sabe da responsabilidade grande que tem, principalmente por envolver uma paixão sem tamanho de milhões de pessoas. Nada disso pode ser esquecido, mas ainda assim é uma atividade lúdica. Requer fantasia, imaginação e não somente para as categorias de base ou jogadores jovens.

É um sentimento que não pode se perder, como o banho de chuva ou o passeio de ônibus. Precisa gerar no atleta o reconhecimento daquilo que passava quando jogava no quintal de casa, afinal por mais que estejamos sempre acompanhando, lendo, estudando, praticando, o jogo é deles, feito por eles. É, por vezes, a única forma de expressão que estas pessoas tem. Um grito ensurdecedor do eu. E melhor, do nós e dos nós que as relações dentro e fora de campo constroem. “Deixem os menino (e menina) brincar”.

Texto de Pedro Heitor, de Los Futebólicos.

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