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Foto: Divulgação Botafogo

Nas últimas décadas, o futebol se consolidou como um dos negócios mais globalizados do mundo. A Europa, com suas principais ligas, especialmente na Inglaterra, Espanha, Itália e Alemanha, tornou-se um epicentro das grandes movimentações de atletas, atraindo talentos de todos os continentes com promessas de salários altíssimos, visibilidade e projeção mundial. Esse fluxo gerou um mercado extremamente competitivo, no qual nem todos os jogadores conseguem se firmar, por muito tempo.

Nesse cenário, surge um movimento inverso curioso, jogadores com passagem por grandes clubes europeus, mas que não conseguiram se estabelecer como protagonistas, começam a chamar atenção de clubes brasileiros. E o que pode parecer, à primeira vista, um sinal de decadência esportiva, é visto por muitos como uma oportunidade estratégica.

Isso porque mesmo com pouco tempo de jogo em seus clubes na Europa, esses atletas retornam ao Brasil carregando uma bagagem de valor, passaram por centros de excelência em preparação física e tática, conviveram com metodologias modernas e enfrentaram alguns dos maiores jogadores do mundo. Essa vivência, mesmo sem holofotes, é vista como um diferencial competitivo.

Além disso, jogadores que perderam espaço nos elencos europeus costumam ter valores de mercado mais acessíveis, o que atrai e muito os cofres aqui do Brasil. Transferências sem custos, acordos de empréstimo e negociações salariais viáveis para quem busca reforços com qualidade sem comprometer o orçamento. Para o atleta, o retorno é visto como uma chance de resgatar o bom futebol, ganhar ritmo de jogo e voltar a ativa.

A estratégia entre os dirigentes é oferecer um ambiente em que o jogador se sinta confiante, recupere seu desempenho e possa ser vendido com lucro ou mesmo se tornar peça-chave no elenco para a conquista de grandes títulos.

Além disso, o calendário deste ano de 2025 é bem apertado e exige por elencos diversificados, contando com atletas adaptáveis taticamente.

Um exemplo recente é o de Joaquín Correa. Aos 30 anos, o atacante deixou a Inter de Milão sem custos para reforçar o Botafogo na disputa da Copa do Mundo de Clubes. Ainda que tenha vivido altos e baixos na Itália, seu histórico técnico e tático chama atenção. Ele possui boa condução de bola, movimentação inteligente e capacidade de criar jogadas.

Na Inter, foi ofuscado por outros nomes e perdeu espaço no elenco. Chegou a ser excluído da lista da Liga dos Campeões e sua última temporada foi extremamente discreta. Ao ser convocado para a Copa do Mundo pela Argentina, não conseguiu embarcar para a competição, por conta de uma lesão.

No Brasil, encontra um novo ambiente e um esquema tático que pode potencializar seu estilo de jogo, atuando como segundo atacante, função que valoriza a leitura de jogo e habilidade no passe.

Em vez de apenas repatriar ídolos ou buscar jovens promessas, os clubes têm olhado para os “patinhos feios” do futebol europeu como peças estratégicas para se tornarem destaques aqui no Brasil.

Então o que parecia ser o fim de carreira, passou a ser reinvenção. E para os clubes brasileiros, essa pode ser a chave para montar elencos competitivos, eficientes e com chances de conquistar títulos expressivos. Esse é nosso imprevisível futebol brasileiro.

Texto de Gabriela Mantay

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