investimentos e startups no esporte
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Investimentos e startups no esporte ao redor do mundo

Quando falamos do cenário de sportstech, startups com soluções voltadas para o esporte, a SportsTechX é a principal fonte de dados e insights do setor. A empresa possui relatórios anuais que analisam os cenários de startups, hubs de inovação e investimentos nos principais mercados de sportstech do mundo, trazendo dados sobre setores que receberam os maiores aportes, empresas destaque e a formação do ecossistema.

Em mais este texto voltado para a área de inovação no FootHub, nosso objetivo é destrinchar os três principais reports lançados ainda no primeiro trimestre de 2022, voltados para os ecossistemas da América do Norte, Ásia e Oceania, e Europa, destacando os principais pontos de cada local, bem como buscando as relações entre eles.

Visão geral

Para iniciar, é importante ter uma visão geral do cenário. A tabela abaixo nos ajuda a entender qual o foco principal de cada um dos três mercados que serão analisados. Na América do Norte, o destaque fica por conta dos fundo de venture capital, sendo 27 instituições nesse formato voltadas para o esporte. Na Europa, os números ressaltam a criação de iniciativas de inovação, como hubs dos próprios clubes, com 36 entidades atuando dessa forma. Já na Ásia e Oceania, os números são tímidos, não havendo um setor com grande destaque.

Antes de entrarmos no volume de investimento de cada um dos locais nos últimos anos, é preciso explicar a metodologia do relatório. A SportsTechX divide as startups em três segmentos, de acordo com o objetivo de suas soluções. Temos startups voltadas para atletas e performance, fãs e conteúdo e gestão e organizações. Esclarecido isso, vamos aos números:            

A primeira análise é em relação ao volume de investimento ao longo dos últimos cinco anos. Conforme mostra o gráfico 01, a América do Norte se destaca no assunto com cerca de 14 bilhões de euros investidos no período, uma consequência natural dos diversos fundos de existentes, principalmente, nos Estados Unidos. A Europa apresentou um volume abaixo das outras duas regiões, com destaque apenas para o equilíbrio entre os setores onde os investimentos ocorriam.

No segundo gráfico está a divisão por setores. Iniciativas relacionadas aos fãs e conteúdos foram as que mais receberam investimentos ao longo dos anos analisados, cerca de 12 bilhões de euros. Investigando cada um dos mercados, não parece que esta tendência irá parar por aqui. Projetos das áreas de streaming, apostas e fantasy games, ou que utilizem tecnologias da Web3.0, como NFTs, Fan Tokens e Metaverso, mostram muita força além de ter um potencial enorme de crescimento.

Cada um dos três mercados contam algumas histórias além do números reunidos acima, como tendências específicas ou empresas que se destacaram de certo modo. Nos tópicos a seguir irei abordar destaques de cada região, que ajudam a entender o comportamento do cenário de investimentos e startups no mundo do esporte.

Investimento e startups na América do Norte

As grandes empresas de tecnologia dos Estados Unidos costumam ser destaque nos relatórios da SportsTechX. No último ano, o tema foi a entrada do grupo formado por Facebook, Amazon, Apple, Netflix e Google, conhecido com FAANG, no mercado de Fitness, com seus investimentos no setor.

Para 2021, o relatório traz outra área que também tem sido foco destas empresas: o streaming. A indústria de transmissões, com o acréscimo das plataformas digitais, é uma das que mais cresce no mundo, tanto pelo avanço da tecnologia, quanto pelo fato de as pessoas estarem se acostumando a assistir cada vez mais conteúdos por este meio. Para 2028, a previsão é que o mercado de transmissões esportivas ao vivo movimente em torno de 88 bilhões de dólares.

Conforme mostra a tabela abaixo, as empresas de tecnologia já se posicionam de alguma forma neste mercado. O acordo entre Apple e MLS, divulgado após o lançamento do relatório, faz parte deste novo momento. Mesmo que em mercados específicos, que não tenham tanta audiência, este primeiro passo permite o aprendizado sobre as práticas ideias em relação a entrega de conteúdo, além de entender o comportamento dos fãs.

Além destas grandes empresas, existem outras, como a Disney, dona dos canais ESPN, que têm força e experiência com direitos de transmissão para bater de frente com as gigantes da tecnologia. Sem considerar ligas e outras entidades, como a própria NFL e LaLiga com o LaLiga Pass, que tendem a entrar na disputa ao redor do mundo. Como diz o próprio relatório, It’s Game Time!

Investimento e startups na Ásia e Oceania

Ao analisarmos a versão do relatório da SportsTechX voltada para Ásia, um ponto que merece ser abordado é o crescimento da Índia neste cenário. O país sempre foi reconhecido pela paixão pelo críquete. O cenário de um único esporte era pouco favorável para que startups de diversas áreas pudesse aproveitar a capacidade de escalar existente em um país com 1,3 bilhão de população.

No entanto, este jogo está virando. A popularidade de outros esportes parece aumentar, ao mesmo tempo que novas tendências como esports e NFTs começam a fazer parte do universo dos indianos. O volume investido em startups locais é uma consequência disso. Conforme mostra o gráfico abaixo, destacado do relatório da SportsTechX, a quantia quadriplicou em 2021 na comparação com o ano anterior, chegando a 1,8 bilhão de euros.

A principal startup responsável pelo avanço do gráfico acima se chama Dream 11, com captação de 1,2 bilhão de euros. Trata-se de um fantasy game voltado para diversos esportes, como críquete, futebol e basquete. A plataforma conta com mais de 130 milhões de usuários, reforçando o potencial do país quando o objetivo de uma empresa é escalar seu produto.

Investimento e startups na Europa

Como é mencionado pelo próprio relatório da SportsTechX, e destacado nos gráficos do início deste texto, a Europa não está a frente de nenhuma área. Quando falamos de captação de investimentos por startups, os americanos lideram, seguidos das startups da Ásia e Oceania. Ao analisar os principais setores, como Fitness, NFTs e Fantasy Games e Apostas, os principais destaques estão em outros continentes.            

O que podemos destacar do cenário europeu? Neste caso, o principal insight presente no relatório é o alto número de iniciativas de inovação que a Europa apresenta, 36 no total, conforme mostra a imagem abaixo. Houve um aumento de 33% do número de iniciativas inovadoras no continente em relação ao ano anterior, tanto ligadas a clubes e ligas quanto instituições privadas.

As iniciativas de clubes e ligas, elencadas nas duas colunas da esquerda, têm como objetivo solucionar problemas internos das instituições. Este fato acaba contribuindo para que nenhuma startup seja desenvolvida buscando o ganho em escala e a captação de bilhões em investimento. Por mais que em alguns casos a tecnologia possa ser vendida para outros clubes do cenário, não é a mesma situação de empresas como a Dream 11 destacada anteriormente no texto, com seus 130 milhões de clientes.

O que vem pela frente

Cada um dos reports é encerrado com entrevistas com investidores e representantes de incubadoras, aceleradoras e demais iniciativas de inovação. Estes profissionais deixam sua opinião sobre algumas das tendências vistas nas páginas anteriores, além de destacar áreas que merecem atenção para os próximos anos.

Segundo algumas das autoridades do ecossistema, devemos ficar de olho em projetos voltados para a saúde e performance dos atletas e para o engajamento dos fãs, incluindo aqui as soluções web3 citadas nos parágrafos anteriores. Vamos aguardar os próximos relatórios para ver o que este universo de investimentos e startups nos apresenta.

Texto de Rodrigo Romano.

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