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Futebol, Fórmula 1 e cultura organizacional – Parte 1

No dia 06 de abril tive a oportunidade de ministrar uma aula no Curso Executivos de Futebol no FootHub com o tema Estrutura Organizacional em um Clube de Futebol. É um assunto envolvente e que me desperta muita curiosidade porque sempre acreditei muito que qualquer organização, por mais banal que seja essa afirmação, é feita de pessoas. Pessoas excelentes, empresa excelente.

Durante a preparação para aula pesquisei diversos cases de empresas e clubes para tentar trazer os melhores exemplos e protagonizar um compartilhamento de conhecimento de muita qualidade entre os participantes, uma vez que a turma é extremamente qualificada.

Gosto de usar referências de outras indústrias e citar frases de profissionais de áreas de gestão, liderança, filosofia, entre outras ciências sociais ou não. No preparo da aula recordei uma frase do Ricardo Basaglia que diz “Perceba o quão fácil é encontrar um carro vermelho, quando você está sempre pensando em um. Isso vale quando você está sempre pensando em oportunidades, automaticamente isso liga seu radar para encontrá-las. Mas cuidado, também funciona para quem só pensa em problemas”.

Boom! Desde a pré-aula, passando para a semana da aula e chegando ao dia de hoje (12 de abril) parece que meus olhos e ouvidos estão treinados para identificar palavras como “identidade”, “cultura”, “organograma”, “cultura organizacional”, “competências” e “liderança”.

No compromisso que assumi com o FootHub de escrever artigos, tento trazer insights e correlações do futebol com o nosso mundão cotidiano. Falar de cultura no futebol é sempre complexo, pois envolve inúmeras variáveis, muitas histórias e momentos que vão formando e transformando a cultura de cada clube. Porém, independente das peculiaridades, um ponto que volto ressaltar é na importância das pessoas.


Leia também no nosso site:

O que é Modelo de Jogo, por Los Futebólicos.

A força do conteúdo, por Cadeira Central.

A análise nossa de cada dia, por Michele Kanitz.


Para entender a cultura do clube (ou empresa) onde você está entrando, nada melhor que conhecer as pessoas que lá estão. Pode ser por meio de observações das crenças, mentalidades e comportamentos. Conversando com elas é possível identificar as principais queixas, as formas de comunicação e como lidam com a mudança.

Essas pequenas e rápidas formas para iniciar um diagnóstico de uma cultura organizacional que apresentei aos alunos na última semana foram corroboradas em nível nacional e internacional nesta semana.

O treinador Tiago Nunes, em entrevista ao site UmDois Esportes, recordou sobre a sua fase de adaptação e conhecimento do Club Athletico Paranaense em 2017, quando chegou para assumir a equipe Sub-20. Como é de praxe, um profissional novo no clube fica hospedado cerca de 15 dias no Centro de Treinamento do Clube até encontrar um apartamento em Curitiba. Tiago Nunes ficou quatro meses no CT!

“Por que eu fiz isso? Para conhecer o clube. Eu vivi o clube, conheci todos os funcionários, todo mundo que estava lá. Fazia refeições de manhã, tarde e noite. Essa última refeição era somente com a molecada que vivia lá. Isso me ajudou demais no processo lá na frente por já estar ambientado com o clube, entender como é a comunicação e quais eram as dificuldades do clube nisso”.

Tiago Nunes, Treinador de Futebol

Em uma aula da Licença Pro da CBF Academy, o ex-treinador e atual chefe de Desenvolvimento Global de Futebol da FIFA, Arsène Wenger, seguiu na mesma linha de raciocínio. “Quando você chega tem que se adaptar à cultura local para depois começar imprimir suas ideias”, declarou, lembrando que alguns clubes apresentam suas particularidades com profissionais que trabalham meio expediente ou com profissionais que estão há 40 anos no clube e que dificilmente mudará a forma de trabalhar.

Para criar uma cultura saudável e vencedora é preciso ser objetivo, claro e honesto com as pessoas.“Nossa primeira qualidade é acreditar no ser-humano e mostrar respeito. Sempre foi vital para mim que os jogadores acreditassem que queira o melhor para eles e que seria honesto sempre com eles”

A cultura organizacional nos pequenos detalhes

Agora imagine você entrando a primeira vez no seu local novo de trabalho e enquanto espera na recepção percebe que sobre a mesa estão um jornal velho e uma xícara de café usada e suja.

Você pode questionar: o que isso impacta no rendimento da sua equipe?

Esse exemplo é real e contado por Toto Wolff, acionista e CEO da Mercedes-AMG Petronas Motosport, equipe que desde 2014 venceu todas as competições de equipes e de pilotos na Fórmula 1. A história acima ocorreu em 2013, quando ele foi contratado para mudar o rumo da equipe.

Vamos ao relato original: “Quando me sentei na recepção, nem parecia uma equipe de F1: tinha um jornal velho na mesa e uma xícara de café usada. Eu não acreditava que ali era a Mercedes. Você pode perguntar ‘mas como isso impacta no rendimento do carro na pista?’. Isso mostra um tipo de atitude, falta de atenção aos detalhes. E acho que esses fatores que muitos ignoram porque não é aerodinâmica, não são números, têm de fazer parte dos valores da equipe.”

“Esses valores são o diferencial, e eles levam à camaradagem que temos dentro da equipe. Nós empoderamos as pessoas, culpamos os problemas e focamos em resolvê-los. E não tem politicagem. Isso acontece do lado de fora, para fazer com que as coisas aconteçam ao nosso favor. Mas, dentro da equipe, politicagem não é permitida. Não tem lugar para os idiotas, usando a máxima dos All Blacks [time de rúgbi da Nova Zelândia]. Não dá para dar lugar para o babaca genial.”

Esses trechos estão no blog Pole Position do UOL Porém todo o conteúdo pode ser encontrado no podcast High Performance. Uma aula de liderança que será comentada no próximo artigo. Aguardem a parte 2!

Texto de Caio Derosso.

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