hologramas de elementos de futebol
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Criatividade no futebol: dentro e fora de campo

Criatividade é um termo bastante usado para definir jogadores mais técnicos no futebol. Mas será que o conceito se resume a isso? Nosso parceiro do Cadeira Central traz esta reflexão, ampliando a visão e aplicando a criatividade tanto dentro quanto fora de campo.

O conceito de criatividade é simples. Para ser criativo, uma ideia ou ação precisa ser novo, original e apropriado, útil. Aquilo que não segue um padrão deve ser considerado criativo. Por este fato, essa acaba surgindo em momentos de dificuldade, onde o que é imposto como padrão já foi utilizado e não resolveu o problema. Obviamente algumas pessoas tem mais facilidade em encontrar tais soluções. Crianças conseguem ser mais criativas por não conhecerem os padrões do mundo, ao contrário daqueles que passam anos tendo o mesmo comportamento. A rejeição daquilo que é criativo ocorre pelo fato desta acabar com hábitos cômodos, mas que não produzem o efeito esperado. A criatividade está diretamente ligada aos esportes no momento em que está ligada à superação de desafios.

Como qualquer outra habilidade, a criatividade pode ser treinada, tendo dois pontos como principais meios para isso. O primeiro é o repertório, de onde surgem as ideias. Este é construído com base nas vivências de cada um. Realizar atividades que temos medo e conviver com pessoas ou ambientes diferentes, que não estamos acostumados, são prática que nos ajudam a criar repertório. Em ambos os casos será preciso esquecer o que era feito antes para se adaptar.

O outro ponto importante para iniciativas criativas é o método. Este é a forma com que as ideias são construídas. Aqui existem diversas opções para quem busca inserir criatividade em uma ideia. O método que mais nos agrada é o que unifica dois elementos que normalmente não estão relacionados para o surgimento de um terceiro. Os próximos parágrafos trarão o conceito de criatividade aplicado ao futebol e aos elementos que compõe o esporte dentro e fora de campo.

Criatividade nos gramados

Dentro do campo, a criatividade sempre foi uma das características mais celebradas em um atleta. O jogador criativo é reconhecido como aquele meio campista do passe perfeito, que desmonta a defesa adversária. No entanto, a visão precisa ser mais ampla. O jogador criativo é aquele capaz de fazer escolhas fora do padrão que solucionem o problema apresentado pelo jogo, seja este vencer a defesa adversária ou desarmar o atacante. A criatividade não é algo estético, mas sim uma habilidade que trata da eficiência de cada atleta. Por isso, um jogador que possui boa técnica nem sempre é criativo, sendo necessário provar sua capacidade na busca por soluções diferentes para que sua criatividade possa ser exaltada.

A criatividade vista nos gramados diminuiu ao longo do tempo. As gerações de jogadores que nasceram nos anos 1970, 1980 e até parte dos 1990 cresceram jogando futebol na rua ou no campinho do bairro. Ali, havia liberdade na tomada de decisão e a criatividade era estimulada na disputa contra buracos na rua, carros passando e o vizinho mais velho e mais forte. Essa mentalidade acompanhava o atleta até sua chegada ao profissional, e os treinadores da época sabiam disso. Muitos destes incentivavam que seus jogadores seguissem com a liberdade que a brincadeira proporcionava, agora dentro dos grandes estádios. No entanto, o processo de desenvolvimento das cidades diminuiu o espaço e tempo para que meninos e meninas pudessem jogar futebol na rua, e as gerações atuais não trazem a mesma bagagem.

A evolução da parte tática também atuou contra a criatividade. Passar um modelo de jogo, com atitudes sempre iguais, para um atleta acaba o deixando preso a uma ideia, e qualquer ação diferente do padrão por parte do adversário acaba com aquilo que foi orientado no treinamento. O comportamento do jogador também contribui para diminuição de sua criatividade. Muitos não gostam de assistir futebol em seus momentos de lazer, nem outros esportes, que também auxiliam no aumento do repertório. Para resolver este problema, a criatividade virou objeto de estudo em alguns países, com destaque para Portugal. Foram criados treinamentos para estimular o aumento do repertório dos atletas, com novas formas de agir, a partir de uma percepção do que acontece no campo de jogo ao invés de repetir sempre a mesma mecânica.

Criatividade na gestão

A criatividade também aparece como habilidade fundamental na gestão dos clubes, principalmente em momentos de crise, quando aplicá-la vira questão de sobrevivência. Esta pode ser utilizada em qualquer ambiente, basta que soluções fora do padrão sejam buscadas. Quando o assunto é o futebol brasileiro, existe uma carência criativa. O principal motivo disso é o conservadorismo presente nos dirigentes dos clubes de futebol, uma consequência do que é visto na sociedade de maneira geral.

O ambiente político dos clubes favorece esse comportamento, com os mesmos nomes ocupando os principais cargos durante anos. A decisões são tomadas sempre da mesma maneira, a partir de crenças e verdades que funcionavam duas décadas atrás, mas para os dias atuais não servem mais. Aqui aparecem inclusive diversas ações de extrema arrogância por parte desses gestores, defendendo suas teses e negando o que for diferente.

Retomando as duas formas para construir iniciativas criativas, é possível dizer que falta principalmente repertório no mercado do futebol brasileiro. Existe certa dificuldade para analisar práticas de outras ligas, outras modalidades e até mesmo do clube rival. A criatividade exige troca de ideias, conexão entre todos. O que é visto por aqui é justamente o contrário, com clubes protegendo as poucas ações diferenciadas que surgem, com medo do adversário fazer algo melhor.

Mais recentemente, empresas estão aparecendo no mercado com a criatividade necessária para mudar a perspectiva no Brasil. São as Sports Techs. Segundo estudo realizado pela Liga Insights, BST — Brazil Sports Tech e Supera Parque o setor ainda está em fase de construção, mas já em etapa de consolidação e crescimento. Mercado de apostas, ciência de dados, inteligência artificial, conteúdo digital e serviços são algumas das áreas de atuação. Aos poucos, essas empresas estão entrando no ambiente dos clubes. Atlético-MG, Coritiba, Fortaleza e São Paulo lançaram seu aplicativo em parceria com a Sportheca, um hub de tecnologia e inovação que acelera e investe em startups que atuam no esporte. Como já foi falado, a criatividade é questão de sobrevivência e alternativas como perdão da dívida pelo governo e altas bonificações em acordos com a televisão não devem ocorrer nos próximos anos. Será preciso criatividade para descobrir formas de aumentar suas receitas.

O futuro

Como seria então o cenário ideal para estimular a criatividade no futebol brasileiro? É preciso que seja criada uma cultura criativa, tanto dentro, quanto fora de campo. No primeiro caso, os técnicos precisam conhecer modelos de treinamento que estimulem a criatividade de seus atletas e seus times. Incentivar a troca de ideias entre profissionais para que o futebol brasileiro cresça como um todo, não apenas um ou outro clube. Fora dos gramados, a tão falada liga, que reuniria as entidades do país, seria capaz de melhorar este processo. Os clubes dialogando mais entre si em busca de soluções para seus problemas, diferente do que é feito hoje de forma individual. O mercado está cada vez mais competitivo e incentivar a criatividade por aqui pode ser a única saída para um futuro sustentável do futebol brasileiro.

Texto original de Rodrigo Romano, do Cadeira Central.

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