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Foto: Gilson Lobo/AGIF

Considerando as principais funções de um executivo de futebol, é possível dizer que a contratação de treinador está entre aquelas mais importantes no dia a dia do profissional. Dentro do curso Executivo de Futebol do FootHub, um dos encontros trata justamente sobre o assunto, com minha explanação e alguns cases que obtive através da minha carreira como dirigente, onde trago o que acredito ser o verdadeiro passo a passo que os clubes devem seguir para concluir a contratação de seu treinador.

Contratação e Demissão do treinador

No inicio da minha aula, trago um estudo de Matheus Galdino sobre como os dirigentes contratam e demitem treinadores no Brasil. Os motivos que são levados em conta para a contratação são:

  • Disponibilidade: inclinação do técnico em assumir o cargo.
  • Resultados recentes: a leitura se restringe a perder ou ganhar.
  • Popularidade: percepção de torcedores e imprensa sobre a pessoa.
  • Média salarial: quanto promete pagar e qual a multa para rescindir.
  • Análise do cargo: julgamento especulativo do dirigente sobre objetivos.

Já os critérios e a forma comumente usados pelos clubes para demissão são:

  • Pressão externa: exercida por torcedores, jornalistas e influenciadores.
  • Pressão interna: exercida por jogadores, patrocinadores e grupos políticos.
  • Comunicação: falta de transparência, justificativa e até contato para demitir.
  • Responsabilização: não cumprimento de contratos e pagamentos acordados.

Notem que na hora de contratar, não há qualquer abordagem técnica e tática com os profissionais. Da mesma forma, não há diálogo sobre o que modelo de jogo, expectativas, necessidades e metodologia de treino. Nas minhas participações em palestras e cursos no FootHub, procuro orientar exatamente o contrário desta triste realidade apresentada no estudo.

Para mim, os princípios para escolha de treinadores e sua comissão estão relacionados com a trajetória do profissional no mercado, se seus conceitos são semelhantes a ideia de futebol do clube, desenvolvendo um trabalho de acordo com a realidade da entidade, levando em conta a sua ambição, orçamento, respeitando a hierarquia interna de funcionamento da organização.

“A contratação de um treinador tem que ser movida por vários critérios, mas principalmente, pela convicção”

Definição do Perfil do Treinador

O primeiro passo no processo de definição do treinador é a análise do perfil do profissional. No momento em que o executivo vai escolher o seu treinador, ele tem que se dar conta de qual a melhor forma de jogar pelo elenco que ele tem na mão, pelo tamanho do clube, pela ambição na temporada, pelo orçamento, ou seja, ele tem que saber quem procurar.

O executivo deve estabelecer o perfil adequado do profissional a ser buscado. O treinador será propositivo ou reativo? Estrategista ou conceitualista? Jovem ou experiente? Com bagagem e títulos ou em busca de afirmação? Concorda em ser uma parte da engrenagem ou quer a chave do vestiário?

Outro aspecto importante a ser analisado dentro do processo da contratação de um treinador, é considerar caracteristicas sobre a liderança do profissional, como os elencados a seguir:

  • Ser referência no vestiário
  • Honestidade, firmeza e equilíbrio
  • Conhecimento dos processos e conteúdos
  • Gestão de pessoas (com várias origens e temperamentos)
  • Delegar e confiar na equipe de trabalho
  • Planejar executar e cobrar a execução pela equipe de trabalho
  • Convicção no trabalho
  • Humildade para reconhecer erros
  • Dividir louros nos momentos bons
  • Assumir responsabilidades nos momentos ruins

Na minha ótica, para identificar todas essas características, existem 3 modos:

1. Informações públicas, por meio da imprensa.

2. Informações pessoais, através de ligações para pessoas que já trabalharam com o treinador.

3. Utilização do serviço de análise de desempenho

Entrevista com o Treinador

Após analisar todos esses pontos, o próximo passo é o contato pessoal com o profissional. Antes de firmar contrato, porém, é fundamental fazer um amplo debate com os profissionais elencados a respeito do sistema de jogo, do método de trabalho, da cultura do clube, do grupo de atletas, dos jogadores da base, das futuras contratações e, por fim, do acordo salarial. Deixar claro também a ambição da equipe e a estratégia para fazer isso acontecer.

Nestas conversas para a contratação do treinador, costumo apresentar nas aulas do FootHub um questionário do que deve ser tratado com o futuro profissional a ser contratado. As principais perguntas são estas:

1 – Como joga fora de casa contra um adversário superior?

2 – Como joga em casa com oponente inferior?

3 – Que tipo de estratégia implementa diante da força do adversário?

4 – Faz alterações durante o jogo usando atletas e sistemas não treinados ou experimentados?

5 – Como joga contra um time que tem um a menos? E como atua quando está com um a menos?

6 – Que tipo de características o time terá quando está vencendo ou perdendo? Quais as mudanças que costuma implementar nestas situações?

Nesta conversa, é fundamental cobrar uma relação de causa e efeito entre treinamento e atuação. Com isso, o dirigente terá condições de cobrar do profissional quando acontecem situações que o desagrade. Se já foi falado isso anteriormente, o gestor tem condições de abordar o treinador.

A maioria dos técnicos tem resistência em discutir questões táticas e de treinos. Mas quando é abordado isso ainda no momento da contratação, o comandante fica mais à vontade para debater isso durante a convivência que vai durar meses e até mesmo anos.

Último passo

Para finalizar o processo de seleção, restam alguns assuntos a serem debatidos, como salário, gratificações e premiação por objetivos, moradia e outros benefícios.

Costumo falar que a questão salarial deve ser o último tema a ser tratado, depois de todas as demais alinhavadas. Naturalmente, já se sabe de antemão uma ideia em conversas com representantes dos profissionais de quanto o treinador e sua comissão técnica custam ou custaram nos últimos trabalhos. Mas esse tema somente no final das tratativas.

Trata-se de um ritual necessário para minimizar erros. Por este estudo recentemente publicado, percebo que temos um longo caminho no futebol brasileiro a ser percorrido. Da minha parte, seguirei insistindo em uma abordagem mais profissional que apliquei na minha trajetória e julgo ser uma das maneiras de avançarmos daqui para frente.

Texto de Fernando Carvalho

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