Análise da incidência de lesões em jogadores de futebol

Por Bruno Machado

O futebol é um esporte de contato complexo que envolve riscos relativamente altos e taxas de lesões em atletas profissionais, amadores e jovens durante treinos e partidas. É bem verdade que o futebol modernizou-se em todos os sentidos, os jogos estão mais rápidos, dinâmicos e agressivos, exigindo dos atletas níveis elevados de aptidão física, treinamentos intensivos, maiores períodos de exposição em treinamentos e partidas oficiais, principalmente no nível profissional.

As lesões em atletas profissionais estão associadas à idade do jogador, cargas de trabalho (internas e externas), padrões de treinamento, nível de jogo e tempo de exposição em treinamentos e partidas. Visando garantir que os jogadores atinjam seu potencial máximo e, simultaneamente, um risco de lesões relativamente baixo, o departamento médico (DM) e as comissões técnicas buscam métodos seguros e eficazes para garantir aos atletas o maior desempenho oferencendo o menor risco de lesões. Profissionais como fisioterapeutas, preparadores físicos, fisiologistas e nutricionistas atuam juntos na promoção da saúde dos jogadores, controlando suas capacidades físicas e evitando que permaneçam afastados por lesões.

Segundo os dados estatísticos de um estudo que acompanhou durante sete temporadas equipes da UEFA, as extremidades inferiores são mais acometidas. Em uma equipe de 25 atletas pode-se esperar cerca de 10 lesões musculares da coxa a cada temporada, sete delas afetam os músculos posteriores da coxa e três o grupo muscular do quadríceps. Em seguida lesões ligamentares da articulação do joelho e entorse de tornozelo aprecem respectivamente como as mais comuns.

Entenda a lesão:

De acordo com a declaração do Consenso de Munique as lesões musculares podem ser classificadas como lesões diretas e indiretas, sendo as indiretas agudas as mais comuns, variando de acordo com a o nível de comprometimento muscular. O “grau” da lesão estará relacionado diretamente com o tempo de retorno do atleta ao esporte, nos casos onde há lacerações os atletas necessitam de um período maior de afastamento e reabilitação.

No joelho a grande maioria das lesões não envolvem contato direto. Os fatores de risco podem ser não modificáveis ??(como idade e sexo) e modificáveis ??(como nível de condicionamento, força, equilíbrio e flexibilidade).  A ruptura do ligamento cruzado anterior (LCA) geralmente ocorre após um trauma torcional no joelho. O mecanismo mais comum é quando o atleta roda o corpo com o pé fixo no chão. Este é um dos principais temores dos atletas e da comissão técnica, pois acarreta em um longo período de afastamento que pode chegar até nove meses.

As entorses de tornozelo representam 80% de todas as lesões do tornozelo e pé no futebol. O mecanismo mais frequente é trauma de inversão e flexão que ultrapassa a capacidade do movimento fisiológico da articulação. Na grande maioria das lesões  integridade ligamentar responsável por estabilizar a articulação  é acometida, sendo o ligamento talofibular (TFA) o principal ligamento lesado. O tempo de retorno ao esporte depende  do grau da lesão, ou seja, o nível de acometimento das estruturas. Para um retorno seguro é necessário restaurar a funcionalidade a articulação, respeitando o período de cicatrização adequada dos tecidos.