Uma reportagem publicada nesta semana revelou um suposto esquema de venda de licenças de treinador. No centro da história está Alejandro Mancuso, ex-jogador argentino que defendeu Flamengo e Palmeiras e que foi auxiliar de Diego Maradona no comando da seleção argentina durante a Copa do Mundo de 2010.
De acordo com a apuração, Mancuso se apresentava como uma espécie de diretor internacional da ATFA, a Associação de Técnicos de Futebol Argentino. Nessa posição, ofereceria um atalho para quem quisesse obter as quatro licenças de treinador (C, B, A e PRO) sem passar por toda a formação normalmente exigida.
O pacote custaria cerca de R$ 100 mil. E, segundo a reportagem, os documentos poderiam chegar pelo correio em poucos dias, algo que contrasta com o processo regular, que envolve cursos, aulas e avaliações ao longo de anos.

Quais os nomes citados?
O que fez a história ganhar proporção foi a lista de jogadores e ex-jogadores mencionados. Entre eles estão Thiago Silva, Luiz Gustavo, Roberto Carlos, Felipe Melo, Alex de Souza, Paulinho, Paolo Guerrero, Diego Lugano, Petkovic e Roberto Assis, irmão de Ronaldinho Gaúcho.
As histórias, no entanto, estão longe de ser iguais.
Felipe Melo, por exemplo, desconfiou do processo justamente porque não conseguia marcar as aulas presenciais. Retirou os documentos das redes sociais e acabou recebendo o dinheiro de volta.
Alex teria recebido um certificado com um erro, no mínimo, curioso: onde deveria estar escrito “futebol”, apareceu a palavra “futsal”.
Já outros nomes afirmam que nunca utilizaram as licenças ou negam qualquer envolvimento com irregularidades.
A própria ATFA nega que Mancuso tivesse autorização para representar a entidade. Mancuso, por sua vez, também nega ter vendido licenças e afirma que trabalhava apenas como comentarista de rádio.
E há um ponto que precisa ficar claro: a citação na reportagem não significa que essas pessoas tenham cometido algum crime. Em 2025, a polícia argentina realizou uma busca na sede da ATFA e não encontrou provas de emissão irregular de licenças. Em dezembro daquele ano, a Justiça Federal argentina arquivou o caso por falta de crime.
Ou seja, existe uma reportagem com documentos, mensagens e relatos que levantam questões sérias, mas não houve condenação criminal de nenhum dos citados.
Por que isso importa?
A licença de treinador não é só um papel para pendurar na parede. Ela representa formação, conhecimento tático, preparação e, principalmente, responsabilidade profissional. Num mercado em que ex-jogadores consagrados migram cada vez mais para o banco de reservas, a discussão sobre como essas credenciais são obtidas, e sobre quem fiscaliza esse processo, ganha peso.
Este conteúdo faz parte da Newsletter do FootHub, clique aqui e inscreva-se para receber nossa curadoria de notícias em primeira mão!
Texto de Gabriela Mantay
