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Hoje, por paradoxal que pareça, na medida em que me preocupo demais com a qualidade técnica  no futebol,  vamos refletir sobre um tema que muito me agrada: os esquemas táticos. 

E não há qualquer paradoxo, haja vista que o futebol bem jogado não prescinde da estratégia de jogo. Estratégia aliada à boa técnica e outras condições é tudo do que precisamos nos nossos trabalhos, quaisquer que sejam, e mesmo na vida cotidiana e até em família, enfim nas relações humanas. Muito mais, certamente, no jogo.

  Ferem-me os ouvidos e os olhos ouvir e ler constantemente que a culpa não é do treinador pela falta de rendimento de uma equipe, vez que não há o que retirar de jogadores limitados, como se tudo dependesse apenas da qualidade dos atletas no esporte bretão. Fosse assim, como explicar as inúmeras vitórias históricas de times inferiores sobre equipes fortíssimas registradas na história do esporte, como o Maracanazo em 1950 ou o Mundial do Sport Club Internacional sobre o poderoso Barcelona em 2006?

  Ora, um bom técnico e uma boa estratégia de jogo fazem sim equipes limitadas atingirem posições de destaque nos campeonatos e até mesmo o título. Daí que penso que a diferença na casamata e no vestiário fazem muito peso.

No futebol de antanho jogava-se com praticamente todo o time no ataque. O objetivo era fazer gols. Depois vieram inúmeras variações táticas, como o afamado “WM”. Em tempos mais modernos, ali pelos anos 70, tivemos muita força no 4-2-4, já com uma ideia de ataque e de defesa, mas com o reduzido número de meio-campistas focado na técnica e primeira armação de jogadas a exemplo de Dudu e Ademir da Guia, na Academia Palmeirense de 1972/3.

  Aos poucos então, descobriu-se o mais do que óbvio: que se ganha o jogo fortalecendo meio campo. Daí avançamos para o 4-3-3 clássico dos anos 70 (Internacional, Corinthians, Vasco, Cruzeiro, São Paulo), passando na década seguinte, anos 1980, ao 4-4-2 adotado por exemplo por Telê Santana na Seleção Brasileira de 1982, com Dirceuzinho ou Paulo Isidoro fazendo o chamado falso ponta.

  Esse esquema, diga-se, tem inúmeras variações dentro de si próprio. Enquanto a seleção de 1982 e várias equipes jogavam na forma de dois volantes e dois meias, alguns o utilizaram e ainda utilizam na forma de um tripé de volantes e um armador, no formato de um losango. Mas para isso são necessários dois volantes com boa técnica e um excelente camisa 10.

Na Europa e especialmente na Argentina o 4-4-2 assumiu o formato de duas linhas de quatro sobrepostas, o que defensivamente, a meu sentir, é o esquema ideal, pois reduz o espaço entre linhas, dificultando sobremaneira as manobras de ataque do adversário. Para atacar, todavia, se não for muito bem treinado em variações dentro do jogo, é esquema que produz poucos gols.

Hoje temos a simpatia europeia pelo 3-4-3, onde temos um zagueiro centralizado e dois abertos, quatro no meio e três atacantes com dois extremas que necessariamente devem voltar para marcar no espaço defensivo.

Igualmente o 5-4-1 ou o 3-6-1, esquemas defensivistas existem, e sobre tais prefiro nem falar, pois se o futebol não é apenas atacar também não é apenas defender.

O 3-5-2, que recebe a efusiva homenagem de muitos experts, poucas vezes deu certo, talvez apenas na Seleção Brasileira de 2002 e no Grêmio de Tite de 2001, também não me agrada, pois na prática acaba se tornando um 5-3-2, esvaziando o meio-campo e perdendo fácil para adversários que sabem a arte de povoar este espaço. O Santos de Muricy em 2003 que o diga, ao sacar Elano para por Dorval em campo!

Também temos o festejado 4-2-3-1 que é bom esquema, ao qual aderem a maioria dos clubes brasileiros de hoje e nasceu, a meu ver, pela quase extinção do camisa 10 clássico.

Mas você me pergunta: Qual o melhor esquema? E eu respondo que, embora dependa muito das peças e dos treinamentos, ainda me agrada o velho 4-4-2, seja na forma de dois volantes e dois meias, seja na forma de losângulo, com um bom camisa 10 canhoto e dois atacantes móveis. É o sistema do equilíbrio e com ele se tem defesa, meio-campo e ataque.

EUGÊNIO PAES AMORIM

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