
Para que os clubes de futebol iniciem bons processos da prática simultânea entre o futsal e o futebol de base, objetivando excelência na captação, formação, transição, necessitamos de 03 fatores soberanos para o sucesso do projeto, sendo eles:

Figura 01 – A tríade do sucesso para uma boa execução dos processos de integração entre o futsal e o futebol de base nos clubes de futebol
Obs.: Não cabe neste texto discutir e aprofundar outros porquês, precisamos apenas focar na tríade já apresentada na figura 01 para uma maior compreensão do assunto.
Saber
Sem conhecimento, nada é possível! É preciso SABER para concordar ou discordar de qualquer questão em discussão. Nesta temática, é muito comum faltar conhecimento e argumentos plausíveis em proveito da busca de um processo que realmente seja factível, e sem preconceitos.
Não cabe mais a utilização de palavras descrentes e tendenciosas, baseadas em arquétipos do passado, do tipo – eu não acredito porque: são modalidades diferentes, o piso da quadra ocasiona lesões, não existem tantos estudos que comprovem a efetividade das práticas conjuntas, etc.
É necessário que se amplie um pouco mais a visão, precisamos estar mais atentos na construção dos porquês, e nos posicionamentos adotados.
Vivemos em uma época onde a informação e o acesso para o conhecimento estão à disposição para quem se auto consentir a aprender. O networking, estágios, cursos, certificações, publicações científicas, textos informais, declarações de atletas e profissionais das duas modalidades, outros indicativos, nos conduzem a cada momento para uma assertividade gradativa em nosso dia a dia.
O conhecimento adquirido ao estudar o objeto, nos faz pensar e entender que o futsal não é o único meio (modalidade ou esporte) contribuinte para a formação de um jogador de futebol. O futsal, ajuda, auxilia, norteia, fazendo que a sua fomentação dentro do clube de futebol gere alternativas nos afastando dos “pontos cegos” que insistem em continuar atrapalhando.
Portanto, antes de qualquer crítica e cancelamento prematuro, mais uma vez lembro, é preciso SABER!
Feito isso, concordar e discordar faz parte da construção de qualquer ideia que faça sentido.
Acreditar
Em plena conexão com o saber, ACREDITAR é uma sequência lógica do aprendizado adquirido. Quando conquistamos conhecimento, temos o livre arbítrio para acreditar ou não, em outras palavras, escolher qual caminho seguir.
Penso que a prática simultânea entre o futsal e o futebol de base se encaixa perfeitamente nesse contexto. Apesar de tantos indícios, o motivo ainda é rodeado de certa descrença e falta de vontade de muitos profissionais e clubes, embora, exista também um outro lado se aprimorando e estudando o assunto.
Já comentei em textos anteriores, que ainda dependemos de uma melhor compreensão dos gestores para que haja de fato bons processos nos clubes. Na verdade, é uma junção de fatores, porém de nada adianta o corpo técnico acreditar, se a gestão não tiver o conhecimento suficiente para execução de uma boa integração.
Também é possível observar um procedimento reverso, onde muitos treinadores “fingem” que acreditam, porém, na prática a história é bem diferente.
Os clubes precisam ter mais cuidado e inserir processos de seleção mais diretos, entendendo qual tipo de profissional vai trazer para dentro dos seus processos. Essa condição vai fazer com que o clube não tenha conflitos futuros evitando danos muitas vezes irreversíveis.
Talvez a palavra a ser encontrada seja “sinergia”, e através disso, o ACREDITAR realmente aconteça de forma natural, verdadeira e efetiva, para que, enfim, o clube melhore sua captação, formação esportiva, desenvolvimento do atleta, transição do futsal para o futebol de base, respeitando sempre o projeto esportivo, planejamento estratégico, DNA, localização, outros atores.
Fazer
Para saber FAZER, é preciso SABER e ACREDITAR, completando a tríade da integração entre o futsal e o futebol de base.
E como fazer? Podemos utilizar diversos modelos de gestão futsal + futebol.
No meu livro “O Segredo do Futebol Brasileiro – Futsal e Futebol de Base”, apresentamos como sugestão, 07 modelos possíveis para inserção destes processos, independente das condições estruturais e administrativas.
As circunstâncias dos processos dependem de uma gama de variáveis. Não existe “receita de bolo” ou “fórmula mágica perfeita”, cada clube precisa ter o cuidado para criação do seu processo autoral. Não é interessante simplesmente copiar algo que já deu certo em outro lugar.
Por essa razão, acredito ser muito importante mirar no FAZER, produzindo algo que se torne sustentável, de acordo com os projetos/processos de formação a curto, médio, longo prazo. Em resumo, depende do querer dos “comandantes” e “comandados”.
O interessante dessa construção é ter a consciência que existirão erros e acertos. Errar é permitido sim, e precisamos ficar tranquilos com essa possibilidade, logo, provavelmente isso vai acontecer em diversos momentos dos processos.
Temos que ter a liberdade para mudar o que for necessário, e ser flexíveis. O FAZER não deve ser engessado, pelo contrário, devemos explorar as diversas oportunidades pedagógicas e outras tantas envolvidas na prática simultânea entre o futsal e o futebol.
Por fim, deixo como opção, uma condução equilibrada do todo – SABER/ ACREDITAR/FAZER, exercendo de forma coerente a viabilidade do futsal + futebol, sem prejuízos ou insistências que podem, de alguma forma, prejudicar algo que possa ser importantíssimo na formação, performance, e futuro esportivo do clube.
Texto de Rodrigo Neves

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