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Num futebol globalizado, em que clubes desembolsam milhões em busca de estrelas internacionais, o Athletic Bilbao segue na contramão. Fundado em 1898, o clube mantém uma das filosofias mais radicais do mundo: apenas jogadores nascidos ou formados no País Basco vestem a camisa vermelha e branca. Mais do que uma política esportiva, trata-se de um manifesto cultural.

Lezama: o coração que alimenta o Athletic

Desde 1971, o complexo de Lezama é a espinha dorsal do clube. Ali não se trata apenas de formar atletas, mas de preservar uma identidade. E os números provam que funciona:

  • Na temporada 2023/24, 14 jogadores revelados no clube defenderam o time principal, responsáveis por impressionantes 68,9% dos minutos disputados na LaLiga.
  • Historicamente, a evolução é ainda mais gritante: nos anos 70, apenas 25% do elenco era “da casa”; em 2018, esse índice já passava de 80%.

Ídolos forjados em casa

Quem sai de Lezama não carrega só o sonho de jogar futebol — carrega também a responsabilidade de representar uma cultura. A lista é longa e cheia de nomes marcantes:

  • Julen Guerrero, símbolo dos anos 90 e da fidelidade ao Athletic.
  • Iker Muniain, que assumiu a braçadeira de capitão como herdeiro da filosofia basca.
  • Aritz Aduriz, referência de raça e gols, que virou lenda mesmo voltando ao clube já veterano.
  • A nova geração é representada por Nico e Iñaki Williams, hoje as maiores pontes entre tradição e modernidade.
  • Outros, como Yeray Álvarez e Unai Núñez, mantêm viva a espinha dorsal bilbaína.

Lucros da base: muito além do campo

O modelo de Lezama não alimenta só o time tecnicamente, mas também financeiramente.

  • Em 2012, Javi Martínez saiu para o Bayern Munich por €40 milhões.
  • Em 2018, Aymeric Laporte foi para o Manchester City por €65 milhões.
  • No mesmo ano, Kepa Arrizabalaga deixou o clube rumo ao Chelsea, pagando sua cláusula de rescisão de €80 milhões.
  • Incluindo também Ander Herrera, as vendas de apenas quatro jogadores da base somaram cerca de €221 milhões.

Esses recursos reforçam o caixa, sustentam salários e investimentos em infraestrutura, garantindo que o Athletic siga competitivo sem trair sua filosofia.

O impacto em Bilbao e no País Basco

Reprodução Athletic Bilbao

O Athletic é mais que um clube: é um motor econômico e social. O novo San Mamés não é apenas um estádio, mas um ponto de encontro da comunidade, que gera empregos, turismo e consumo local.

  • Em 2018/19, só a movimentação dos torcedores em jogos no San Mamés e em Lezama gerou €42,9 milhões em Bilbao, com a criação de 426 empregos diretos.
  • No total, o clube movimenta €466 milhões em Bizkaia, €570 milhões na região basca e ultrapassa €750 milhões em nível nacional.

Além das receitas esportivas, o Athletic investe em setores culturais, turísticos e comerciais. O museu, a loja oficial, os eventos corporativos e até o tour pelo estádio são fontes de renda que voltam para a comunidade. Em 2024, por exemplo, o clube registrou aumento de €6,3 milhões em receitas comerciais, impulsionado por essas iniciativas.

Títulos e conquistas históricas

Apesar de não disputar em igualdade financeira com gigantes como Real Madrid e Barcelona, o Athletic Bilbao coleciona conquistas respeitáveis:

  • 8 títulos da LaLiga (o último em 1984).
  • 24 Copas do Rei, segunda maior marca da Espanha.
  • 3 Supercopas da Espanha, a mais recente em 2021 contra o Barcelona.

E mesmo sem a fartura financeira de outros gigantes, o clube segue colecionando histórias de resistência.

Jogadores do Athletic Bilbao comemorando o título da Copa do Rei Javier Soriano/Getty Images

De Lezama à Roja

A influência do Athletic chega até a seleção espanhola. Jogadores formados no clube ajudaram a construir títulos históricos. Javi Martínez, por exemplo, foi campeão do mundo em 2010 e bicampeão europeu em 2012. Antes dele, nomes como Andoni Zubizarreta também levaram a tradição basca para a Roja, mostrando que a filosofia de Bilbao ultrapassa fronteiras.

Nico Williams: fidelidade em tempos modernos

Foto: Reprodução

Um dos episódios recentes que mais emocionaram a torcida foi a decisão de Nico Williams de renovar com o Athletic, mesmo diante do forte interesse do Barcelona. Em uma época em que contratos milionários parecem irresistíveis, o jovem talento escolheu seguir no clube que o formou. Para muitos, esse gesto simboliza exatamente o que é ser Athletic: resistir, pertencer e carregar o orgulho basco no peito.

Orgulho e resistência cultural

Não é fácil competir com orçamentos bilionários, mas o Athletic Bilbao mostra que é possível ser grande de outro jeito. Cada vitória em San Mamés é também uma vitória da cultura, da identidade e da comunidade basca.

Enquanto o futebol mundial acelera rumo à globalização, o Athletic segue como exceção. E talvez seja justamente essa teimosia que o torna um dos clubes mais fascinantes do planeta.

Texto de Bernardo Moreira

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