
Foto: Reprodução/Bahia
Quando falamos de um clube migrar do modelo associativo para o corporativo (SAF), desde logo, estabelecemos três pilares a serem observados por aqueles, dirigentes ou meros representantes das associações que estiverem concebendo junto a investidores, a transformação de associação em corporação. São eles COMPETITIVIDADE, PERENIDADE E SUSTENTABILIDADE.
Competitividade
Para ser competitiva, segundo pensamos aqui no FootHub, a nova entidade (sempre tendo em conta seu tamanho e suas ambições) deve ter equipamentos propícios e modernos para os jogos, ou seja, um estádio com instalações adequadas para um bom desempenho de seus profissionais e para bem recepcionar o público que acorrer aos espetáculos de futebol na praça, assim entendido campo segundo regras da FIFA, vestiários de clubes e arbitragem, rigorosamente estruturados como reza a cartilha das entidades organizadoras de competições.
Ademais, Centro de Treinamento para equipe principal e base, com campos adequados (sugere-se 1 deles sintético) para os exercícios diários de aperfeiçoamento e formação de atletas, Central de Performance com equipamentos em todas as áreas da ciência do esporte e da saúde, tendentes a coibir e recuperar lesões e a potencializar rendimentos de elenco e formação de novos players.
Toda essa gama de exigências, deve ser gerenciada por profissionais habilitados, que buscam capacitar-se e desenvolver- se ao longo da sua carreira. Em resumo, gestão altamente profissional.
Mesmo que se dependa dos conceitos dos futuros gestores profissionais, que com certeza irão considerar a cultura do clube, sua inserção no mercado, sua colocação no ranking. Nunca demais lembrar que, para formação de elenco, sugere-se ter futebolistas fisicamente bem dotados
(altura, força, velocidade, agilidade, habilidade), mesclando jovens promessas (de preferência formados na casa) e experientes competitivos.
A comandá-los, treinador com perfil adequado para as características do grupo, preservando a
história e os objetivos da entidade. Olhos voltados para a base, ter presente as modernas metodologias para captação, (com recrutadores em todo país), iniciação (com utilização do Futsal nos primórdios de treinamento para meninos até 13 anos) idades competitivas de 14 a 20 anos (priorizando formação e aprimoramento), além de transição adequada, não antecipando etapas.
Tudo isso em um setor dotado de ferramentas científicas e profissionais com conceitos modernos para aplicação correta dessas plataformas. Complementando tudo isso, em busca da competitividade.
Para se chegar a um valor correto da operação de transferência das ações do clube transformado em SAF, apontamos a necessidade de suplementação orçamentária pelo investidor, o que se fará pela identificação dos rivais dentro do mercado de atuação da nova corporação, aqueles com quem competirá em busca de títulos, em especial, os números que apresentarem esses rivais na sua contabilidade, além dos equipamentos que utilizam.
Para melhor explicar o que seria essa suplementação orçamentária, indica-se a análise de
um quadro com as receitas anuais dos maiores clubes brasileiros, integrantes da primeira
divisão nacional, todos buscando conquistas nas mais variadas competições do país.

Fonte: Fabricio Falkowski
Apenas para construção de tese para tornar o raciocínio inteligível, observa-se o São Paulo FC, que em 2024, arrecadou 731 milhões no ano, e mirar seu principal adversário no mercado paulista, a Sociedade Esportiva Palmeiras, que teve como receita total, no mesmo exercício de 2024, a cifra de 1,2 bilhões.
Baseado nesses números, para poder competir em igualdade de condições com o Alviverde, o Tricolor Paulista deverá aproximar suas receitas daquelas realizadas pelo rival durante cada
exercício.
Em outras palavras, um eventual investidor do São Paulo, além de incrementar receitas por práticas de gestão mais adequadas, deve suplementá- las em cerca de 400 milhões por ano, enquanto houver essa distância, para com isso tornar-se mais competitivo na relação direta com quem quer suplantar. Isso seria uma das exigências a ser externada e negociada junto ao investidor.
Essa máxima vale para todas as demais associações que pensam em migrar para o sistema corporativo e que encontram no próprio mercado, os rivais que pretendem superar. Bem entendido que essa máxima da suplementação orçamentária é o valor a ser identificado como parâmetro para a negociação, pois é certo também concluir que uma boa gestão de clube, com critérios adequados, planejamento, convicção, identificação dos melhores profissionais poderá ter sucesso, mesmo com utilização de recursos em menor monta do que um concorrente, aquinhoado com valores superiores.
Por fim, ser competitivo é participar de todos os campeonatos, torneios e certames existentes no calendário oficial, com chance de conquista!

Perenidade
Para ter perenidade (que seria o clube vivo e pulsante para todo o sempre) o(s) dirigente(s) da associação que estiver (em) gerindo a operação de venda das ações, deve (em) considerar, primeiro, a quitação das dívidas pretéritas, pois ninguém consegue gerir normalmente uma empresa com pendências, com obrigações não cumpridas, com credores descontentes, sejam eles próximos ou distantes, pois tudo acaba refletindo no desempenho.
Afora esses aspectos, o fato de quitar dívidas pretéritas, concede a nova gestão, oportunidade de investir toda a receita auferida (e suplementada pelo investidor) pela entidade, no custeio e investimento de sua atividade, e não como hoje, onde clubes endividados, destinam 20% do que arrecadam para reduzir passivos ou para atender serviço deste mesmo débito.
Nesse tópico, a negociação certamente será penosa, pois a Lei 14.193-21 prevê o Regime Centralizado de Execuções (RCE) que estabelece prazo para quitação de dívidas pretéritas dos clubes que se transformam em SAF, e ainda ante a consideração de que, a própria jurisprudência nacional tem entendido que as associações antes da transformação em corporação podem
impetrar pedidos de recuperação judicial perante a justiça brasileira.
Portanto, há casos em que os investidores ou usam o RCE ou utilizam – em comum acordo com as associações – a Recuperação Judicial (RJ). Em qualquer caso, o clube deve assegurar a quitação
das dívidas pelo investidor, seja por pagamento próprio – como fez a SAF do Bahia – seja por pagamento por RJ – como fez o Cruzeiro – e seja qual for a opção de parcelamento, que se estabeleça com sólida garantia.
Além disso, já na contratação, deve ficar assegurado e visível, que será estabelecido processo de longo prazo, para ser atingido o segundo pilar. A competitividade não se conquista no curto prazo.

Sustentabilidade
O terceiro pilar a ser perseguido por aqueles que representam o clube na negociação com investidores, diz respeito à sustentabilidade do modelo de negócio. De nada adianta constituir uma nova sociedade com alto investimento inicial, mas sem fundamentos que garantam sua continuidade no médio e longo prazos — o conhecido “voo da galinha”, comum em projetos mal estruturados no futebol brasileiro.
A SAF deve ser concebida com bases sólidas, capazes de suportar oscilações esportivas, financeiras ou institucionais ao longo do tempo. Isso implica, afirmar que o investidor, ao assumir a maioria acionária e utilizar o nome, a história e a marca do clube, ofereça garantias formais, jurídicas e econômicas de que os compromissos assumidos serão honrados até o fim do ciclo contratual.
Essas garantias podem assumir diferentes formas, como aportes escalonados vinculados a metas, garantias bancárias, fundos fiduciários, cláusulas de penalidade ou outras estruturas que assegurem liquidez e segurança jurídica para a associação em caso de inadimplemento. Além disso, a sustentabilidade requer:
1. Governança transparente e profissional, com conselhos ativos e independentes;
2.Planejamento estratégico de longo prazo;
3.Regras claras para eventual saída ou substituição do investidor;
4.Preservação dos valores e da identidade institucional do clube.
A SAF deve nascer com capacidade de existir, competir e evoluir por décadas — não apenas resolver problemas imediatos. A sustentabilidade, nesse sentido, é o que transforma uma boa operação financeira em um projeto institucional legítimo e duradouro.

Sistemas, Processos e Governança
Esses pilares aqui expostos, com os argumentos que lhes dão sustentação, servem apenas como parâmetro para os dirigentes, que em nome das associações, forem os negociadores dessa complexa operação de tranformação em corporação, de entidades no mais das vezes centenárias,
muitas delas com inúmeras divergências políticas, recorrendo ao novo modelo por convivência com dívidas impagáveis, que certamente afetam o poder de decisão pela pressão que exercem.
Cada entidade tem suas peculiaridades, sua cultura, seu patrimônio, torcedores apaixonados que a um tempo pensam em obter resultados no campo, e a outro tempo desejam sempre preservar as condições do clube associativo, como se proprietários fossem, condição que a SAF lhes retirará.
Nós do FootHub, atuamos neste segmento, e para cada um dos pilares, temos regras peculiares que julgamos devam ser seguidas, nos equipamentos, na estrutura, na identificação de gestores e profissionais de cada área, o que em outro momento teremos oportunidade de demonstrar minuciosamente.
Aqui se defende a máxima de que, antes de pensar em contratar atletas, muitas vezes de alto valor, é mais eficaz pensar-se na governança, nos processos, nos sistemas, nos equipamentos e na competência das pessoas que implementarão todos esses conceitos.
Resumindo, encontra-se o valor de uma operação de SAF, seja qual for o tamanho da associação (cada um deve situar-se no seu ambiente), pela soma das rubricas dividas + melhora da estrutura + suplementação orçamentária + garantias e assim se atingirá o trinômio
COMPETITIVIDADE, PERENIDADE, SUSTENTABILIDADE!
Texto de Fernando Carvalho

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