
Foto: Danilo Fernandes/Meu Timão
Nos últimos anos, já não é novidade para ninguém que o futebol no Brasil vem se tornando algo cada vez mais caro de se consumir e de assistir, seja pelos altos preços dos ingressos para acesso aos estádios ou pelas camisetas oficiais dos clubes, que hoje podem ultrapassar os R$ 400,00. Mas afinal, quando foi que o futebol brasileiro ficou tão caro de se assistir?
A resposta passa por uma série de fatores, que vão muito além dos clubes. A inflação, as mudanças sociais, a modernização das estruturas esportivas e o crescimento do marketing e das marcas dentro do futebol foram determinantes nesse processo.
Desde o final dos anos 1990, o futebol brasileiro passou a vivenciar uma nova era: surgiram as primeiras transmissões de TV por assinatura, valorizando o espaço publicitário e ampliando as receitas dos clubes e das federações. No entanto, junto com o aumento do investimento, vieram também os primeiros sinais de encarecimento para o torcedor.
O processo, na verdade, espelhou o que já havia acontecido na Inglaterra, no fim dos anos 1980 e início dos 1990. Após o aumento da violência nos estádios e o crescimento dos grupos de hooligans, a Premier League optou por subir o preço dos ingressos para afastar os torcedores mais violentos. A medida funcionou em parte mas teve como consequência direta a exclusão do público popular, já que o preço médio dos tickets aumentou cerca de 50% em poucos anos.
No Brasil, algo semelhante ocorreu após a Copa do Mundo de 2014. A modernização dos estádios, aliada a novas normas de segurança e conforto, levou muitos clubes a reduzir as áreas populares de suas arenas, buscando um modelo mais “europeu” de gestão. Exemplos simbólicos dessa mudança estão no fim da Coreia do Beira-Rio e da Arquibancada Norte do Olímpico, palco da famosa “avalanche” gremista. Ambas desapareceram com as reformas do Beira-Rio e a construção da Arena do Grêmio.
Com os altos custos das obras e da manutenção das novas arenas, os clubes passaram a buscar mais arrecadação. Isso impactou diretamente os produtos oficiais. Em 2011, as camisetas de Inter e Grêmio custavam, em média, R$ 180. Hoje, o mesmo item gira em torno de R$ 400,0, mais que o dobro.
O ingresso também acompanhou essa escalada. No último Gre-Nal antes da pandemia, válido pela Libertadores de 2020, o ticket médio custava cerca de R$ 80 nas áreas livres e visitantes. Após dois anos de paralisação e estádios vazios, os clubes tentaram inicialmente reaproximar o torcedor, oferecendo valores mais acessíveis. Mas, apenas três anos depois, o preço médio de um ingresso nas principais arenas do país já ultrapassa os R$ 220,00.
O resultado é visível nas arquibancadas. Mesmo entre os clubes com as maiores médias de público do país, como Internacional e Grêmio, os estádios têm ocupado menos de 50% de sua capacidade total. Em 2025, o Inter apresenta média de cerca de 20 mil torcedores por jogo, enquanto o Grêmio tem números semelhantes.
Diante desse cenário, cresce o debate sobre a necessidade de áreas sociais com ingressos mais acessíveis para o público popular, medida que poderia devolver ao futebol parte da sua essência. Afinal, o torcedor é a alma do esporte. Sem ele, o espetáculo simplesmente não acontece.
Texto de Pepe Scobby

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