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A área da nutrição aplicada ao esporte vai muito além de apenas uma alimentação adequada para a produção de energia. Os nutrientes certos ajudam o corpo na construção muscular, na recuperação do atleta, na prevenção de lesões e colabora com o sistema imunológico. O profissional desta área conduz o atleta com uma avaliação individual e elabora estratégias e planos alimentares que mais se adequam a cada situação, visando a sua máxima performance. Mas partimos do início, o que é Nutrição Esportiva?

O que é Nutrição Esportiva?

A nutrição esportiva é uma área da nutrição que estuda a relação entre os alimentos, o desempenho físico e a saúde de atletas e praticantes de atividades físicas. Seu principal objetivo é otimizar a performance, acelerar a recuperação e promover o bem-estar geral, adaptando a alimentação às necessidades específicas de cada indivíduo, esporte e fase de treinamento.

Para alcançar seus objetivos, a nutrição esportiva atua em diversas frentes:

Quais os pilares da nutrição esportiva?

  • Fornecimento de Energia: Garante que o corpo tenha a quantidade e o tipo certo de energia (principalmente carboidratos e gorduras saudáveis) para suportar a intensidade e a duração do exercício, evitando a fadiga precoce.
  • Recuperação Muscular: Foca na ingestão adequada de proteínas e outros nutrientes para reparar os músculos danificados durante o exercício, otimizando a recuperação e o crescimento muscular.
  • Hidratação: Orienta a ingestão de líquidos e eletrólitos antes, durante e depois da atividade física para prevenir a desidratação, que pode comprometer seriamente o desempenho e a saúde.
  • Otimização da Composição Corporal: Ajuda a alcançar e manter um peso e uma composição corporal ideais (relação entre massa magra e massa gorda) para a modalidade esportiva, influenciando diretamente a agilidade, força e resistência.
  • Prevenção de Lesões e Doenças: Uma alimentação balanceada e rica em vitaminas e minerais fortalece o sistema imunológico e contribui para a saúde óssea e articular, reduzindo o risco de lesões e doenças.
  • Adaptação a Fases de Treinamento e Competição: Ajusta a dieta conforme as diferentes fases da temporada (treinamento intenso, pré-competição, competição, transição), maximizando o rendimento em momentos cruciais.

Vamos falar agora sobre os mecanismos responsáveis por ajudar a cumprir os objetivos da nutrição esportiva.

Mecanismos da nutrição esportiva:

Suplementação:

A suplementação visa complementar uma dieta bem elaborada, suprindo lacunas nutricionais e otimizando processos fisiológicos que são intensamente demandados pelas exigências físicas do futebol. Suplementos como a Creatina,  Carboidratos em géis, bebidas ou gomas, Whey Protein, vitaminas e minerais, colágeno são alguns utilizados com os jogadores visando otimizar seu desempenho. 

Efeitos Ergogênicos:

O termo “Efeitos Ergogênicos” refere-se a qualquer método, substância ou prática que seja capaz de melhorar ou aumentar o desempenho físico, a capacidade de trabalho ou o rendimento esportivo. Algumas estratégias nutricionais, como o consumo de bicarbonato de sódio, podem auxiliar na redução da fadiga e melhorar o desempenho em atividades com predominância do sistema anaeróbico. 

Recuperação:

Os processos nutritivos para a recuperação dos atletas são cruciais para que o corpo consiga se restabelecer das demandas físicas intensas do treino e da competição, minimizando a fadiga, reparando tecidos danificados e repondo as reservas de energia. Essa recuperação eficiente é o que permite ao atleta treinar e competir em alto nível de forma consistente, evitando o overtraining e reduzindo o risco de lesões.

Alguns dos métodos utilizados para a recuperação é a Reposição de Glicogênio, ou seja, a ingestão de carboidratos no pós-exercício é fundamental para repor rapidamente essas reservas, preparando o corpo para a próxima sessão de treino ou jogo.

Outro método é o Reparo e Reconstrução Muscular, já que o exercício intenso provoca microlesões nas fibras musculares, a ingestão adequada de proteínas de alta qualidade fornece os aminoácidos necessários para a reparação e a síntese de novas proteínas musculares.

A Hidratação e Reposição de Eletrólitos, que exige a ingestão de água e bebidas ricas em eletrólitos é vital para restabelecer o balanço hídrico e eletrolítico do corpo.

Para finalizar, a Redução da Inflamação e Estresse Oxidativo, já que o exercício intenso pode gerar um processo inflamatório e estresse oxidativo, nutrientes com propriedades antioxidantes e anti-inflamatórias, encontrados em frutas, vegetais (especialmente frutas vermelhas, gengibre, cúrcuma, vegetais folhosos escuros) e fontes de ômega-3 (peixes gordurosos), são importantes para mitigar esses efeitos, contribuindo para uma recuperação mais rápida e eficaz.

Avaliação Nutricional:

A Avaliação Nutricional é um processo contínuo e detalhado que permite ao nutricionista compreender o estado de saúde, os hábitos alimentares, a composição corporal e as necessidades energéticas e nutricionais de cada indivíduo. É a partir dessa avaliação aprofundada que o profissional consegue traçar estratégias personalizadas e eficazes para otimizar a performance e a saúde.

Como a nutrição pode melhorar o desempenho esportivo?

Para melhorar o desempenho, a dieta do atleta deve ser elaborada com equilíbrio entre proteínas magras, carboidratos, gorduras saudáveis e vitaminas, respeitando o físico e a saúde dele. Um plano alimentar bem elaborado e balanceado pode melhorar o rendimento físico, aumentar a resistência do atleta e ajudar no pré e pós atividade. Além disso, contribui na qualidade do sono e influencia na saúde mental, na disposição e motivação do jogador.

Por conta disso, os clubes cada vez mais estão investindo em profissionais desta área para acompanhar seus atletas, tanto nos treinos, quanto nos jogos em casa ou de visitante. Com isso, os profissionais da área de nutrição possuem uma rotina importante.

Rotina de um nutricionista esportivo em um clube de futebol

O nutricionista acompanha o dia a dia dos atletas, desde os treinos até os jogos dentro e fora de casa. Os profissionais da nutrição trabalham junto à comissão técnica,obtendo informações sobre a estrutura corporal de cada jogador e sobre o treinamento que será aplicado. 

‘’A gente vai ter que trabalhar com esse indivíduo, muitas vezes junto com suas famílias, para então a gente passar a importância não só do cardápio em si, qual o alimento, mas a importância de criar uma cultura, do por que ele precisa se alimentar antes do treino, por que ele tem que levar um lanche para comer no final do treino, quantas refeições ele vai fazer depois disso para se recuperar’.’

Lenice Zarth Carvalho

Lenice foi a convidada do episódio 40 do FH Podcast

A rotina não segue um padrão, algumas variantes influenciam nos trabalhos, como as condições do clube e o ambiente que o time jogará.

Condições dos clubes – clubes com recursos mais elevados conseguem fornecer todas as refeições necessárias para os jogadores, adquirir os alimentos indicados pelo profissional, ter organização e estrutura adequada para o trabalho. Com os recursos mais limitados, os nutricionistas precisam pensar em estratégias dentro das limitações e realidade do clube.

Jogos fora de casa – quando a equipe está longe da estrutura do clube, também precisa acontecer uma adaptação no esquema de alimentação. A cultura local (caso o jogo seja em um outro estado ou país) e o clima são alguns dos fatores que influenciam na formulação dos cardápios e da rotina alimentar.

Trabalho de pré-temporada – o trabalho iniciado antes das competições é fundamental para os atletas, pois muitos chegam das férias com uma rotina não muito regrada na alimentação, nem no condicionamento físico. Por isso, retomar os trabalhos para acostumar o organismo e voltar ao ritmo de jogo é essencial para os atletas.

Vale destacar que esse trabalho realizado é em constante cooperação com outros departamentos e profissionais. Por conta disso, este profissional possui diversas relações no seu dia-a-dia.

Relações do nutricionista no clube

A atuação do nutricionista esportivo em um clube de futebol é um trabalho compartilhado com todo o departamento de saúde e performance. Por conta disso, é fundamental que este profissional estabeleça uma complexa rede de relações e interações com os mais diversos departamentos e indivíduos dentro da instituição. 

Relação com os Dirigentes

Essa relação é estratégica e, por vezes, desafiadora, mas absolutamente importante para o sucesso. É fundamental que o nutricionista obtenha o respaldo e a confiança da diretoria para conseguir implementar e sustentar seus métodos e programas. Sem esse apoio, torna-se difícil conseguir os recursos necessários, a adesão dos atletas e a validação das estratégias nutricionais que visam diretamente a melhora da performance em campo e a saúde a longo prazo dos jogadores.

Quando há essa parceria e o dirigente compreende o impacto direto da nutrição na performance, na recuperação e na prevenção de lesões, a nutrição deixa de ser vista como um custo e passa a ser reconhecida como um investimento estratégico que contribui para a competitividade e a sustentabilidade do clube.

Relação com a comissão técnica

Essa relação exige um diálogo constante e transparente, pois o nutricionista precisa entender em detalhes os planos de treinamento do dia, a intensidade esperada, a duração e os objetivos de cada sessão. Com essas informações, é possível ajustar a estratégia nutricional para garantir que o atleta tenha o combustível ideal para executar os treinos da melhor maneira possível. Essa comunicação permite que o nutricionista planeje a alimentação pré, intra e pós-treino com precisão, assegurando que o corpo do jogador esteja sempre preparado para as demandas físicas.

Relação com os Jogadores

A relação entre o nutricionista e os jogadores é a espinha dorsal de qualquer plano nutricional bem-sucedido em um clube de futebol. Para que as recomendações dietéticas se traduzam em melhora de performance e saúde, o nutricionista precisa, acima de tudo, ganhar a confiança do atleta.

Essa confiança não se constrói apenas com conhecimento técnico, mas com empatia, escuta ativa e a capacidade de personalizar a abordagem e o plano alimentar, mostrando ao jogador que as orientações são pensadas para suas necessidades individuais, seus objetivos e até mesmo suas preferências. Quando o atleta confia no profissional e compreende o “porquê” de cada indicação, ele se torna um agente ativo no processo, aderindo de forma mais consistente ao plano e colhendo os benefícios máximos em seu rendimento e bem-estar geral.

Foto: Marcelo Gonçalves – FFC

Relação com o Departamento de Saúde e Performance

A integração do nutricionista com os demais profissionais do departamento de saúde e performance, como fisioterapeutas, médicos, preparadores físicos e fisiologistas, são diárias e de extrema importância para alcançar os objetivos. Isso porque esses especialistas não atuam isoladamente; eles formam uma equipe coesa, onde o trabalho de uma área depende diretamente do resultado e das informações da outra.

Por exemplo, a recuperação nutricional é otimizada quando alinhada com o plano de fisioterapia pós-lesão, ou a periodização da dieta se ajusta perfeitamente à intensidade do treinamento físico e aos dados do fisiologista. Para que essa sinergia funcione plenamente, a comunicação deve ser clara, constante e colaborativa. Todos compartilham os mesmos objetivos: otimizar a saúde do atleta, acelerar a recuperação e elevar a performance, garantindo que o corpo do jogador esteja sempre no seu ápice.

Relação com o Supervisor de Futebol

A colaboração entre o nutricionista e o supervisor de futebol é um elo fundamental na cadeia logística e de performance de um clube. O supervisor, responsável pela organização de viagens e pela infraestrutura fora de campo, detém informações cruciais para o nutricionista. Um diálogo constante entre eles permite que o nutricionista saiba com antecedência os detalhes das viagens: datas, horários e quantas horas de voo serão.

Com esses dados, é possível planejar as refeições que devem ser feitas durante o trajeto, analisar os cardápios ofertados pelos hotéis e antecipar as necessidades nutricionais dos atletas. Esse planejamento prévio das viagens é essencial para prever as melhores medidas de recuperação, garantir a hidratação adequada e oferecer o suporte alimentar ideal para que os atletas cheguem ao destino e entrem em campo com a máxima performance e menor desgaste possível.

Como trabalhar com nutrição esportiva?

Para atuar na área da nutrição esportiva, é necessário ter graduação em nutrição (duração média de 4 anos), ter registro no Conselho Regional Nutricionistas (CRN) e se especializar na área esportiva.

Dentro desse segmento, o profissional encontra várias possibilidades de atuação no mercado de trabalho. Pode seguir em equipes e clubes esportivos de várias modalidades, academias, ou mesmo em clínicas especializadas em nutrição.

O nutricionista esportivo deve adquirir diversas habilidades para lidar com as demandas da função, como:

  • Comunicação compreensível, para o paciente conseguir entender com clareza os conceitos científicos;
  • Influenciar os jogadores a escolherem os melhores hábitos para melhorar suas atuações.
  • Buscar sempre estar atualizado com as tendências e as evoluções na saúde;

Com o objetivo de ajudar a manter sempre atualizado este profissional, e trazer conhecimento para quem está iniciando na área, e que quer entender mais como é a relação e a rotina de um nutricionista em um clube de futebol, o FootHub anuncia o curso “Nutrição no Futebol – Por onde começar”. 

Um conteúdo que mostra os principais aspectos de atuação de um profissional da área dentro de um clube de futebol, seja liderando o próprio departamento ou na relação com outros profissionais do clube, atletas e até mesmo seus familiares.

O curso tem como professora Lenice Carvalho, nutricionista esportiva voltada para a área do futebol, com mais de 18 anos de experiência em clubes. Lenice iniciou sua trajetória ainda na década de 1990 no Grêmio Football Porto-Alegrense, onde permaneceu por cerca de 7 anos.

No início dos anos 2000, chegou ao Internacional, onde ficou por 12 anos, contribuindo com diversos títulos do clube como duas Libertadores e o Mundial de Clubes. Atualmente presta consultoria na área, além de realizar algumas assessorias individuais. 

O curso Nutrição no Futebol – por onde começar é dividido em três temas principais. O primeiro deles trata de pilares da rotina de um nutricionista de clube, desde aspectos da estrutura do clube, o calendário de jogos e treinos, planejamento alimentar e de suplementação e também aspectos relacionados aos atletas do clube. 

O segundo módulo tem como foco a relação do nutricionista com o Executivo de Futebol, e quais as principais formas de construir uma relação positiva com o departamento de futebol de maneira geral.

Para finalizar, o curso aborda a relação entre a nutrição e o atleta, mostrando a importância de dar atenção a área para ter uma carreira de sucesso, além da participação da família e amigos nesta jornada.

Texto de Maria Heloisa Pinzetta e Willian Sanmartin

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