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Existe realmente no Futebol brasileiro, um consenso sobre o assunto prática simultânea, entre o Futsal e o Futebol nas categorias de base?

Os nossos gestores e profissionais entendem que possa haver benefícios e sensíveis contribuições voltadas para a captação, formação e transição dos nossos jogadores?

Não. Não existe consenso e tão pouco entendimento massificado, aliás, nunca existiu. Apesar da extensa prática do Futsal no nosso país, onde contamos com as opções de modelos informais e formais, ainda é possível observar uma certa falta de conhecimento destes processos pelos Clubes.

Sempre friso que o Futsal é uma modalidade e o Futebol é outra, porém, ambas possuem características semelhantes que podem ser bem “exploradas” na integração, sendo elas:

  • Mesmo “guarda-chuva” da família dos jogos de invasão;
  • O jogo jogado com os pés;
  • Objetivo de fazer o gol;
  • Objetivos de confrontos individuais e coletivos;
  • Espaços delimitados;
  • Alguns aspectos técnicos;
  • Alguns aspectos táticos;
  • Imprevisibilidades;
  • Variabilidades;
  • Algumas regras com objetivos semelhantes; e
  • Outros.

Perante as características acima citadas, é inegável a contribuição específica que o Futsal oferece ao Futebol, pensando-se na formação de jogadores, principalmente nas idades mais tenras (07 – 14 anos). A questão das idades é discutível e não é uma “receita de bolo”, podendo variar de acordo com o projeto esportivo, ou seja, não existe um limite para o start, e nem para o término, respeitando apenas os processos do Futebol, para que não hajam conflitos/prejuízos nas cargas e demandas de treinamentos e/ou jogos.

Particularmente sou a favor de que a criança, e até o adolescente, tenha uma vasta experimentação de esportes diversos, com o objetivo de ampliação das capacidades motoras. Falando-se especificamente do Futebol, por que não utilizar o Futsal como condutor apoiador das várias possibilidades.

O Futsal neste cenário, enquadrado nos “Futebóis” de invasão (Beach Soccer/Futebol de Areia, Fut 7, Showbol, Kings League, outros), talvez seja o que mais tenha condições de sustentar uma prática efetiva devido a sua história, estruturação, fomentação.

O Fut 7, por exemplo, também possui grandes semelhanças com o Futebol, porém, ainda carece de maior estruturação e fomentação de grandes competições formais/federativas direcionadas para crianças, impactando por exemplo em uma captação mais assertiva (minutagem, grandes jogos).

Mas por que então não observamos a grande maioria do Clubes utilizando o Futsal + Futebol nos seus regimes formativos? Em outros textos publicados no FootHub, já pontuei algumas situações que ainda impedem que isto aconteça, entre as quais:

  • Falta de conhecimento da temática (gestores, equipe técnica) e/ou;
  • Política interna; e/ou
  • Interesses exclusos; e/ou
  • Inércia/Comodismo; e/ou
  • Ceticismo; e/ou
  • Falta de estrutura física e/ou administrativa; e/ou
  • Falta de recursos financeiros; e/ou
  • Outros.

Percebo que, apesar de existirem diversos relatos, artigos, publicações, livros validando de alguma forma essas práticas, além, das centenas de evidências empíricas, onde se comprovam de fato que a maioria dos nossos grandes jogadores (“filhos do futsal”) em algum momento da sua infância e adolescência, passaram por experiências práticas dentro de quadra (treinos e jogos) de Futsal – formal e/ou informal, já não são mais suficientes para tal convencimento.     

Não tenho a intenção de pontuar neste texto as variadas vantagens que o Futsal traz para o Futebol. Quando bem aplicado, e com o conhecimento necessário é perfeitamente provável desenvolver uma boa metodologia. Ou melhor, é vital que o profissional que trabalha na categoria de base/formação, tenha o conhecimento mínimo para saber o que o Futsal pode oferecer para o Futebol.

Precisamos entender nos próximos anos, como fazer os Clubes e profissionais de formação se aproximarem um pouco mais desse conteúdo, sempre respeitando as opiniões divergentes e descrenças.

O Segredo do Futebol Brasileiro – Futsal e Futebol de Base

No meu livro – “O Segredo do Futebol Brasileiro – Futsal e Futebol de Base”, cito 07 Modelos de Gestão para que seja possível executar com qualidade a prática simultânea entre o Futsal e o Futebol.

Para que tudo isso aconteça de forma factível, entende-se que cada Clube deva procurar o seu Modelo de Gestão, existindo assim, várias possibilidades de implementação da prática do Futsal nos meios de formação para o Futebol de Base. Foi pensando em facilitar os processos, que resolveu-se pontuar os 07 Modelos aplicáveis para os Clubes de Futebol, independentemente do projeto esportivo, da realidade das Macro áreas – administrativas/estruturais/biológicas/matemáticas, das demandas, da metodologia, da cultura/história do Clube, da cidade/região, dos atores externos, parceiros, fornecedores, além de outros fatores.

Dentre esses Modelos de Gestão, destacou-se o Modelo 01, onde o Departamento de Futsal está 100% integrado ao Departamento de Futebol de Base com condução 100% compartilhada de todos os processos. Essas opções de Modelos são apenas alguns exemplos norteadores e sugestões mutáveis/flexíveis do que pode ser feito, pensando-se na prática simultânea e na posterior transição natural em definitivo para o Futebol.

Todos os processos, operações, estruturas físicas, administrativas, biológicas, matemáticas, entre outros aspectos, são realmente adaptáveis, por isso cada Clube precisa perceber a importância de ativar, manter ou aprimorar as práticas simultâneas entre o Futsal e o Futebol de Base, seja ela executada, dentro ou fora do Clube. Esta flexibilidade citada, também oportuniza que outros sistemas se beneficiem, utilizando o Futsal como condutor de formação esportiva – Clubes Sociais, Clubes de Futsal, Associações, Projetos, Escolinhas, Instituições de Ensino, entre outros.

Compreende-se que a prioridade esportiva, para a grande maioria dos Clubes de Futebol, sempre vai ser o Futebol. Qualquer outra modalidade que o Clube fomente, mesmo sendo tradicional, estatutário e/ou institucional, jamais terá o peso financeiro, político, comercial, emocional do Futebol.

Para finalizar, reforçando o parágrafo acima, é importante complementar mais uma vez que o Futsal não compete internamente e/ou esportivamente com o Futebol, por isso, o Clube precisa ter o conhecimento absoluto dos benefícios e processos de integração que podem acontecer entre o Futsal e o Futebol de Base, se adequando com liberdade/flexibilidade aos Modelos disponíveis.

Estudem, entendam, testem, façam bem feito, e não tenho dúvidas que o Futsal vai ser uma excelente ferramenta contribuinte na captação e nos processos de formação, transição do jovem futebolista.

Texto de Rodrigo Neves

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