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Foto: Danilo Sardinha/GloboEsporte.com

Mesmo com avanços importantes ao longo da última década, o futebol feminino no Brasil ainda enfrenta um cenário de desigualdade profunda quando comparado ao futebol masculino. A disparidade se manifesta em praticamente todas as esferas: número de clubes, investimento, salários, estrutura, visibilidade e gestão. Os números ajudam a dimensionar um problema histórico, que segue impactando diretamente o desenvolvimento da modalidade.   

O Brasil possui cerca de 194 equipes femininas registradas em federações, contra aproximadamente 690 clubes masculinos profissionais. Na prática, há quase quatro times masculinos para cada time feminino, uma diferença que evidencia o tamanho do desafio de ampliar a base e fortalecer competições regionais e nacionais no futebol feminino.  

A disparidade salta aos olhos quando se compara o investimento dos clubes. Em 2024, o Internacional destinou R$ 312 milhões ao departamento masculino, contra apenas R$ 9,5 milhões ao futebol feminino. Em outros clubes do país, a lógica se repete: a modalidade feminina opera com uma fração ínfima do orçamento disponível ao masculino.

Relatório recente da FIFA mostra que a média salarial anual de uma jogadora profissional é de US$ 10,9 mil, valor muito inferior ao cenário masculino, onde atletas de elite frequentemente recebem essa quantia em uma única semana.

Em clubes menores, há vínculos com duração inferior a três meses, o que gera instabilidade e dificulta que as atletas mantenham dedicação exclusiva ao esporte.

A discrepância também aparece nas competições. Em um Brasileirão recente, o campeão masculino recebeu cerca de R$ 33 milhões em premiação, enquanto o campeão feminino levou aproximadamente R$ 290 mil, uma diferença de mais de cem vezes.

Com premiações tão baixas, a sustentabilidade financeira dos clubes femininos torna-se inviável sem apoio institucional e patrocínios dedicados.

Embora cresça a presença da torcida, a visibilidade ainda é limitada. Algumas partidas isoladas registram grandes públicos  como jogos do Brasileirão Feminino com mais de 40 mil pessoas, mas a média nacional ainda permanece distante da realidade do masculino.

A cobertura midiática, apesar de maior que há alguns anos, continua tímida e irregular.

A sub-representação feminina é outro indicador importante. Apenas 22% das equipes profissionais têm mulheres como treinadoras, enquanto na arbitragem elas compõem cerca de 40% dos quadros analisados pela FIFA.

Além disso, o legado de décadas de proibição (1941 a 1979) deixou marcas profundas na base estrutural do esporte no país.

A desigualdade entre futebol feminino e masculino não é fruto apenas de falta de visibilidade atual,  ela é resultado de décadas de falta de investimento, ausência de categorias de base, contratos precários, pouca mídia e estruturas amadoras.

Sem recursos, os clubes não conseguem crescer; sem crescimento, não geram interesse comercial; sem interesse comercial, não chegam investimentos. É um ciclo vicioso que precisa ser rompido de forma coordenada.

Como o Brasil pode mudar esse cenário?

1. Investimento consistente dos clubes e federações:

Aumentar verbas destinadas às categorias femininas, garantindo estrutura de base, departamentos profissionais e equipes multidisciplinares.

2. Contratos estáveis e profissionalização plena:

Ampliar a duração dos contratos, garantindo segurança financeira e permitindo que as atletas se dediquem integralmente ao futebol.

3. Premiações mais equilibradas:

Revisar o modelo de premiação das competições femininas, tornando-o proporcional à importância da modalidade e estimulando sua sustentabilidade.

4. Ampliação da visibilidade:

Mais transmissões, jogos em estádios principais, campanhas de marketing e acordos com plataformas digitais são essenciais para aumentar o engajamento.

5. Incentivo à formação de lideranças femininas:

Promover a presença de treinadoras, dirigentes e gestoras dentro dos clubes e entidades esportivas.

6. Políticas públicas e incentivos fiscais

Criar programas nacionais de desenvolvimento do futebol feminino, com centros de formação, bolsas-atleta e apoio financeiro para clubes formadores.

7. Educação e combate ao preconceito:

Campanhas nas escolas, mídia e redes sociais para incentivar meninas a praticarem futebol desde cedo e reduzir barreiras culturais.

O futebol feminino brasileiro cresce, conquista espaço e desperta novas gerações de torcedoras e torcedores. Mas o caminho para a igualdade ainda é longo.

Se o país deseja realmente transformar o cenário esportivo, será preciso combinar investimento, compromisso institucional, políticas públicas e, principalmente, respeito à modalidade  que já provou ser capaz de entregar talento, emoção e paixão em campo.

Texto de Pepe Scobby

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