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Foto: Reprodução Santos

Falar sobre SAF hoje no Brasil quase sempre implica externar posicionamento favorável ou contrário, sem análise do caso concreto e suas peculiaridades. Ocorre maniqueísmo injustificado, como se houvesse apenas duas posições, o que esbarra na frase muito repetida aqui no FootHub, “Para cada realidade uma verdade”!

Os dois tipos jurídicos, seja associação, seja corporação, são adequados desde que com critérios corretos de operação, quais sejam, planejamento, governança, sistemas seguidos a risca, observação e cumprimento de orçamento rigoroso, utilização de equipamentos científicos na gestão do futebol como um todo (time principal e base), ações de longo prazo, contratação de profissionais experientes, renomados e competentes, tendem a dar certo, desde que com convicção, sem submeter as decisões a pressões externas, sempre manifestadas ao sabor das emoções oriundas dos resultados de campo.

Agora, se a ideia da Associação, ultrapassadas todas suas instâncias decisórias, contidas nos respectivos estatutos for pela transformação em SAF, é importante que o clube tenha algumas cautelas.

Antes de detalhar os principios que a Associação precisa buscar de seu investidor, é necessário abordar o assunto sobre o valuation da operação, tópico central em qualquer transação empresarial, mas que no futebol – sendo tema muito novo-, exige cautela e adaptação.

O que é Valuation?

Em “economês”, o valuation é o processo de estimar o valor econômico de uma empresa, sendo uma ferramenta fundamental em operações de fusões, aquisições, captação de recursos e entrada de investidores em uma corporação. Em resumo, trata-se de responder – quanto vale essa empresa hoje? Os principais métodos de valuation na teoria e na prática do mercado, consistem em 3 práticas amplamente difundidas a saber:

a) FLUXO DE CAIXA DESCONTADO (FCD) – Projeta os fluxos de caixa futuros da empresa e traz ao valor presente, descontando uma taxa de risco. É a análise mais completa, mas depende de premissas robustas sobre crescimento e riscos.

c) VALOR PATRIMONIAL (VP) – Baseia-se na contabilidade da empresa, somando seus ativos tangíveis e intangíveis, subtraindo os passivos. É utilizado quando não há histórico de fluxo de caixa relevante.

Nesse ponto, pergunta-se: Por que o Valuation tradicional não serve para clubes?

1) As associações não são empresas típicasNão tem finalidade de lucro, são geridos de forma amadora, sem busca de resultados contábeis, possuem passivos desorganizados e ativos intangíveis (e voláteis) difíceis de precificar, como marca, torcida, atletas do time principal e base, propriedades de marketing, cuja valoração dependem do momento e do desempenho no campo, variável semestre a semestre.

2) Fluxo de caixa é instável – Dependente do desempenho desportivo.

3) Muitos clubes não tem ativos tangíveis relevantes – Como estádios, centros de treinamento próprios, atletas com contratos longos, não contam com categorias de base organizadas, gerando
novos talentos de forma sistemática.

4) Ativos valiosos, mas não mensuravéis – Marca, paixão e fidelidade do torcedor, são ativos valiosos, mas não mensuráveis pelas metodologias tradicionais.

A operação inicial de uma SAF não visa lucro imediato. Geralmente, não existe pagamento ao clube ou a quem quer seja, pela cessão das ações. Na verdade , há casos de valores entregues ao clube para utilização na área social quando houver, mas quantias mínimas.

Os recursos oriundos da negociação, na sua quase totalidade, são comprometidos com investimento na nova empresa, com pagamento de dívidas, montagem ou melhoria de estrutura, escolha de novo elenco e operações em geral, o investidor “aporta recursos com a mão direita e ele mesmo gasta com a mão esquerda”. O dinheiro, em maior monta, não passa pela associação que é quem vende o ativo.

No FootHub, se entende que o valuation de uma associação para transformar-se em SAF deve partir de outra lógica, não da valorização do clube como uma empresa tradicional, mas sim da soma dos compromissos que o investidor assume, minuciosamente negociados e detalhados, para torná-lo competitivo, viável e sustentável.

Na verdade, o valor da SAF está diretamente relacionado a uma simples equação, resultante da soma das:

Essa abordagem parte de uma visão prática e realista, ao observar como têm ocorrido as transformações de associações em corporações no mercado atual: com foco no pagamento ou assunção de dívidas, reformas ou construção de estádios, centros de treinamentos e
centros de saúde e performance.

No entanto, é comum que essas operações sejam iniciadas sem uma avaliação criteriosa das reais necessidades do clube, especialmente no que diz respeito aos recursos que devem ser empregados no departamento de futebol para manutenção, contratações e competitividade.

Nesse sentido, é imprescindível a realização de um diagnóstico completo da situação do clube, que inclua estrutura física, quadro funcional, saúde financeira e capacidade esportiva, seguido da elaboração de um plano de negócio bem estruturado.

O FootHub possui um braço de Consultoria, que é um serviço estruturado para oferecer Análises e  Diagnósticos, e Gestão Integral para os clubes de futebol, entregando recomendações e execução do futebol como um todo, visando potencializar o desempenho dentro e fora do campo, tanto da equipe profissional quanto das categorias de base de clubes de todas as divisões.

Do lado do Investidor, eu, Fernando Carvalho, juntamente com a equipe do FootHub realizamos os estudos de pesquisa de mercado, viabilidade econômica e diligências necessárias para a transformação ou aquisição de SAFs no Brasil ou no exterior.

SERVIÇOS OFERECIDOS
– Diagnóstico do Clube
– Estruturação do Clube para captação de investimento
– Captação de Investidores
– Gestão Integral do Clube
– Viabilidade econômica e Diligência

Essa dupla base técnica é o que permite aos dirigentes saber exatamente o que deve ser negociado com o investidor — e em que termos — para garantir que a SAF não apenas resolva o passado, mas construa um futuro sustentável e competitivo. O discurso de contratar novos jogadores — estrelas — embora sedutor, jamais deve ser o principal argumento para justificar a transformação de uma associação em SAF.

No próximo texto da minha coluna aqui no site do FootHub, irei trazer os principais pilares que julgo extramemente necessário que os dirigentes exijam do investidor, no momento em que aceitar a transformação de Associação para Corporação. Siga acompanhando o site do FootHub

Texto de Fernando Carvalho

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