
Ao longo da minha carreira, conheci muitos profissionais talentosos no futebol. Gente competente, dedicada, apaixonada pelo jogo e reconhecida tecnicamente. Ainda assim, muitos deles ficaram pelo caminho. Não por falta de capacidade, mas por falta de estratégia.
Lembro claramente de um caso que ilustra bem isso.
Um profissional jovem, bem relacionado, com passagens por categorias de base e por um clube profissional de médio porte. Tinha acesso aos bastidores, era visto como alguém confiável e, por algum tempo, parecia estar sempre “no radar” para novas oportunidades. Quando surgiam convites, ele aceitava quase todos. Projetos curtos, cargos mal definidos, contextos instáveis. A justificativa era sempre a mesma: “no futebol, não dá para dizer não”.
Alguns anos depois, esse mesmo profissional me procurou frustrado. Tinha trabalhado muito, acumulado experiências, mas não conseguia avançar. Olhando de fora, o currículo parecia rico. Olhando de perto, faltava coerência. Não havia uma narrativa clara de crescimento, nem um projeto de carreira. Apenas movimento.
Carreira no futebol não é sobre estar ocupado. É sobre estar direcionado. Existe uma diferença enorme entre ganhar experiência e construir trajetória. Quando não há método, cada decisão vira apenas uma reação ao contexto — e não um passo consciente.
Planejar a carreira no futebol exige fazer perguntas que muitos evitam:
- Onde eu quero estar em cinco anos?
- Que tipo de profissional quero me tornar?
- Que competências preciso desenvolver para chegar lá?
- Quais projetos agregam aprendizado real — e quais apenas consomem energia?
No FootHub, trabalhamos a ideia de carreira como projeto. Um projeto vivo, que exige diagnóstico, planejamento, execução e revisão constante. Carreira no futebol não se improvisa. Ela se constrói com método, repertório e decisões melhores. É exatamente isso que trabalhamos nas formações do FootHub.
Networking é uma das palavras mais repetidas no futebol — e, ao mesmo tempo, uma das mais mal interpretadas. Ao longo da minha trajetória, convivendo com clubes, dirigentes, executivos, treinadores e profissionais de diferentes áreas, percebi um padrão claro: muita gente acredita estar fazendo networking quando, na prática, está apenas circulando.
Circular não é sinônimo de construir relacionamento. Estar presente não significa ser lembrado. E trocar contatos, por si só, raramente se transforma em oportunidade profissional consistente.
No futebol, a relação sem conteúdo não se sustenta no tempo. O mercado é pequeno, os bastidores são conectados e a reputação viaja rápido. Profissionais que constroem carreiras sólidas entendem que networking não é uma ação isolada, mas um efeito colateral de preparo, postura e entrega.
O networking que realmente gera valor nasce da troca qualificada. Ele acontece quando você tem repertório para conversar, capacidade de análise para contribuir e maturidade para ouvir. Pessoas bem preparadas geram boas conversas. Pessoas despreparadas apenas acumulam contatos — que, na maioria das vezes, não evoluem.
Antes de entrar no passo a passo, é importante esclarecer algo: networking não é pedir favor, não é se autopromover excessivamente e muito menos tentar parecer algo que você ainda não é. No futebol, esse tipo de postura é rapidamente identificado e costuma gerar o efeito oposto ao desejado.
Networking verdadeiro é consequência de consistência profissional.
A seguir, compartilho um passo a passo prático, realista e aplicável para quem deseja construir networking de verdade no futebol.
Passo 1 – Desenvolva Conteúdo antes de Buscar Contato
O erro mais comum de quem quer fazer networking é começar pelo contato. O caminho correto começa pelo conteúdo. Antes de tentar se aproximar de alguém, a pergunta não deveria ser “quem eu preciso conhecer?”, mas sim “o que eu preciso aprender para sustentar uma boa conversa?”
Conteúdo não é apenas conhecimento técnico da sua área específica. É entender o contexto do futebol, os desafios de gestão, as limitações orçamentárias, os dilemas de decisão e as pressões políticas que fazem parte do ambiente. Quanto maior o seu repertório, mais valor você gera na interação.
Passo 2 – Escolha Ambientes Certos para se Relacionar
Relacionamentos profissionais relevantes raramente surgem em ambientes rasos. Eventos muito genéricos tendem a gerar conexões superficiais. Já ambientes de estudo, debate qualificado e experiência prática criam espaço para conversas profundas.
Cursos, imersões, visitas técnicas e programas de formação reúnem pessoas com interesses semelhantes e níveis parecidos de comprometimento com a carreira. Isso facilita a construção de vínculos genuínos e duradouros.

Foto: Visita Técnica do FootHub com os alunos no CT do São Paulo
Passo 3 – Aprenda a Perguntar Mais do que Falar
Profissionais experientes valorizam boas perguntas. Perguntar bem demonstra preparo, curiosidade e respeito pela trajetória do outro. Networking não é sobre impressionar, é sobre compreender.
Quem fala demais geralmente revela ansiedade. Quem pergunta bem constrói conexão. No futebol, boas perguntas abrem portas que discursos prontos jamais abririam.
Passo 4 – Seja Coerente e Presente ao Longo do Tempo
Outro erro recorrente é aparecer apenas quando surge uma necessidade. No futebol, isso é facilmente percebido. Networking exige presença contínua, mesmo quando não há interesse imediato.
Acompanhar trabalhos, trocar ideias, reconhecer bons projetos e manter conversas vivas ao longo do tempo constrói confiança. E confiança é o ativo central de qualquer relação profissional duradoura.
Passo 5 – Entregue Valor Antes de Esperar Retorno
Sempre que possível, gere valor antes de pedir algo. Compartilhar um conteúdo relevante, fazer uma conexão estratégica, indicar uma leitura, dividir uma reflexão ou simplesmente ajudar em algo prático cria capital relacional.
No futebol, esse tipo de postura é percebido rapidamente. Quem entrega valor é lembrado. Quem apenas aparece quando precisa, aos poucos, deixa de ser prioridade.
Passo 6 – Cuide da Sua Reputação Todos os Dias
Networking não existe separado da reputação. Sua postura diária, suas decisões, sua ética profissional e a forma como você trata as pessoas constroem — ou destroem — sua imagem no mercado.
No futebol, a reputação é um ativo invisível e extremamente sensível. Ela não se constrói em um único evento e não se recupera com facilidade quando é perdida. Coerência entre discurso e prática é o que sustenta relações de longo prazo.
No FootHub, acompanhamos de perto profissionais que ampliaram significativamente sua rede de relacionamentos depois que passaram a investir em formação, repertório e visão estratégica. Não porque aprenderam técnicas de networking, mas porque se tornaram profissionais mais interessantes para se relacionar.
Se existe um aprendizado central aqui, é este: no futebol, networking é consequência — nunca ponto de partida.
Quando você foca em aprender, entregar e se posicionar com consistência, o mercado responde. As conexões surgem de forma natural, as conversas ganham profundidade e as oportunidades passam a fazer mais sentido.
Texto de Diogo Bitencourt

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