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(Créditos: Denis Doyle/Getty Images)

Não é de hoje que o futebol movimenta bilhões por temporada. Em 2024, de acordo com a FIFA, o futebol masculino gerou 8,6 bilhões de dólares apenas em transferências. Apesar desse número impressionante, ele ficou abaixo do recorde de 9,66 bilhões de dólares movimentados em 2023.

Em 2017, por exemplo, esse número era significativamente menor, totalizando 4,71 bilhões de dólares, segundo o UOL. O crescimento exponencial nos últimos anos pode ser explicado, em grande parte, pela valorização dos jogadores.

Em 2006, o atleta mais valioso do mundo era um rosto familiar para os brasileiros: Ronaldinho Gaúcho. Aos 26 anos, ele encantava o mundo nos gramados espanhóis, driblando adversários com facilidade e justificando seu valor de 70 milhões de euros.

Como o melhor do mundo na época, seu preço parecia justo. Hoje, no entanto, um jogador com essa mesma avaliação de mercado é Pau Cubarsí, um zagueiro promissor de apenas 18 anos, que ainda disputou menos de 80 partidas como profissional. Essa disparidade reflete como o futebol mudou e como os valores de mercado dos jogadores cresceram a níveis impressionantes.

Existem várias formas de explicar esse fenômeno, mas a mais plausível é a evolução da internet e das redes sociais. O futebol sempre foi um esporte global, mas a revolução digital amplificou sua visibilidade e impacto econômico de maneira sem precedentes. Com o avanço das redes sociais, jogadores passaram a ser muito mais do que atletas – tornaram-se marcas globais.

Antes, a popularidade de um jogador dependia quase exclusivamente de sua performance em campo e da cobertura midiática tradicional, como jornais e televisão. Hoje, com plataformas como Instagram, TikTok e Twitter (X), os próprios jogadores controlam suas narrativas, expandindo sua influência e tornando-se protagonistas do mercado e o mais importante: formadores de opinião e influenciadores digitais.

Isso impacta diretamente a valorização dos atletas. Clubes e patrocinadores enxergam os jogadores não apenas como talentos esportivos, mas como ativos comerciais capazes de gerar engajamento e receita em escala global. Quanto maior o alcance digital de um jogador, maior seu valor de mercado – independentemente do número de partidas disputadas.

Neymar (Foto: Reprodução/Twitter)

A internet também reduziu barreiras geográficas, permitindo que talentos sejam descobertos e promovidos de forma instantânea. Jogadores que, no passado, levariam anos para alcançar reconhecimento mundial, agora viralizam com um único lance ou jogada genial compartilhada milhões de vezes. Esse fenômeno impulsiona negociações cada vez mais altas, contribuindo diretamente para o crescimento financeiro do futebol.

Esse cenário se evidencia ainda mais após cada Copa do Mundo. Basta observar a próxima edição do torneio: certamente algum jogador relativamente desconhecido ou com pouco valor de mercado verá seu preço disparar após boas atuações. Exemplos disso não faltam. James Rodríguez, provavelmente o caso mais icônico, valorizou seu passe em 45% após uma atuação quase perfeita na Copa do Mundo de 2014, garantindo uma transferência para o Real Madrid.

Na mesma edição, Joel Campbell, ao liderar a surpreendente Costa Rica na classificação do “grupo da morte”, teve um aumento de 70% no seu valor de mercado – quase dobrando seu preço.

Essa valorização dos jogadores não é algo novo, mas evoluiu ao ponto de mudar a dinâmica de poder entre atletas e clubes. Um marco nesse processo foi Pelé, que, mesmo sem jogar na Europa, encontrou no marketing uma maneira de expandir sua influência global. Seu contrato com a Puma, no final dos anos 1960, foi revolucionário para a época e um dos primeiros grandes acordos de patrocínio individual no futebol.

O episódio mais icônico dessa parceria aconteceu na Copa do Mundo de 1970, quando Pelé amarrou intencionalmente as chuteiras antes do início de um jogo, garantindo que as câmeras captassem o logo da Puma – um momento que ajudou a estabelecer o modelo de negócios que vemos hoje, onde jogadores são marcas independentes dos clubes.

Outro caso emblemático foi o de David Beckham, que quebrou uma tradição histórica do Real Madrid. Antes dele, o clube espanhol recebia uma porcentagem dos contratos de marketing assinados por seus jogadores. No entanto, Beckham – já uma superestrela global, com acordos milionários com marcas como Adidas e Pepsi – negociou para manter 100% de seus ganhos com publicidade.

Esse foi um ponto de virada: os jogadores passaram a perceber que seu valor ia muito além do que faziam dentro de campo, e os clubes tiveram que se adaptar a essa nova realidade. Essa mudança de dinâmica se intensificou ainda mais nos últimos anos, com jogadores assumindo um papel cada vez maior no controle de suas carreiras e até de clubes.

Lionel Messi, por exemplo, ao assinar com o Inter Miami, garantiu uma participação nos lucros gerados pelos assinantes do serviço de pay-per-view da liga, uma cláusula inédita para um jogador de sua magnitude.

Cristiano Ronaldo, ao fechar com o Al-Nassr, impulsionou a popularidade do clube de forma impressionante, adicionando mais de 26 milhões de seguidores no Instagram em poucos dias – um crescimento que, para muitos times, representa uma revolução financeira tão significativa quanto o próprio desempenho dentro de campo.

(Foto: JAVIER SORIANO/AFP via Getty Images)

Se um jogador pode multiplicar seu valor em apenas cinco partidas bem jogadas, como vimos em Copas do Mundo, imagine o impacto em um cenário hiperconectado, onde cada drible, gol ou passe viraliza instantaneamente e gera milhões em engajamento digital. O futebol moderno já não pertence apenas aos clubes – ele agora é comandado por seus protagonistas em campo.

Texto de Gabriel Amorosino

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