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Foto: Divulgação Santa Cruz

Existe uma grande diferença entre como o mercado de transferências é percebido por quem está de fora e como ele realmente funciona, principalmente nas divisões inferiores do futebol brasileiro. Enquanto o imaginário coletivo pensa que todos os clubes possuem um estruturado departamento de análise de mercado, análise de dados e scout, e que o trabalho sempre é realizado com planejamento de longo prazo, a realidade, muitas vezes, passa por caminhos mais informais, dinâmicos e, sobretudo, urgentes.

Nas divisões inferiores, o tempo é um ativo cada vez mais escasso. O calendário é curto, os orçamentos são enxutos e a pressão por resultados é imediata. Nesse contexto, as tomadas de decisão dificilmente acontecem dentro de um cenário ideal.

A montagem de elenco, que em teoria deveria ser fruto de um planejamento detalhado, frequentemente é impactada por fatores como incertezas financeiras, liberação tardia de orçamento, promessas não cumpridas, disputas políticas internas e até mesmo a espera pelo encerramento de outros campeonatos.

Isso faz com que o processo de contratações seja, muitas vezes, desafiador, exigindo boas relações e muita criatividade do executivo de futebol.

O que é, de fato, o “mercado que poucos veem”?

Talvez este não seja o termo mais apropriado, tendo em vista o grande número de profissionais que trabalham nas divisões nacionais inferiores e nas mais diversas divisões estaduais de um país de dimensões continentais como o Brasil. Ele se refere, na prática, a um mercado que não é acompanhado pela grande mídia, não é visto nos programas de televisão nem discutido nas rodas de torcedores.

É o mercado que se move pela experiência dos gestores (que, em minha opinião, devem assistir ao maior número de partidas possível), por indicações realizadas por treinadores, analistas, intermediários de atletas, outros executivos e pela obtenção de informações de bastidores sobre jogadores insatisfeitos onde estão ou que recentemente deixaram seus clubes.

Em algumas situações, o jogador não possui números relevantes em plataformas de dados, não aparece em relatórios estruturados e não seria encontrado por um processo tradicional de scout, mas “existe” dentro desse ecossistema.

E, em muitos casos, esse jogador é capaz de solucionar um problema do executivo de futebol na formação do plantel.

O papel dos intermediários

Nas divisões inferiores, os intermediários de atletas (popularmente conhecidos como “empresários”) têm um papel ainda mais importante. Eles não são apenas representantes de atletas, mas também fornecedores de soluções, pois, nesse contexto, realizam com maior frequência o trabalho de procurar oportunidades para seus atletas e facilitar a concretização das negociações, em vez de serem procurados e estabelecerem exigências para que as transações se concretizem.

Devemos lembrar que, nas divisões estaduais, a maioria dos Contratos Especiais de Trabalho Desportivo possui duração próxima do mínimo estabelecido no artigo 86 da Lei 14.597/2023 (Lei Geral dos Esportes), ou seja, cerca de três meses. Isso torna comum que um atleta atue por diversos clubes em competições estaduais ao longo de um mesmo ano.

A rotatividade do “mercado que ninguém vê” é altíssima.

O risco da superficialidade

Quando o processo é acelerado, o risco aumenta. É necessário realizar uma análise criteriosa de cada atleta que tenha despertado o interesse do clube.

Quando cito o termo “análise”, não me refiro apenas à análise técnica. É necessário buscar informações sobre as condições técnicas, físicas e comportamentais do atleta.

Conversar com treinadores, auxiliares, preparadores físicos ou analistas de desempenho que trabalharam anteriormente com determinado atleta é fundamental para extrair as mais diversas informações relevantes.

Muitas vezes, o histórico extracampo é ignorado, o que é extremamente prejudicial ao processo. Essas informações dificilmente estarão registradas ou documentadas e, por isso, mais uma vez, ressalto a importância das boas relações entre profissionais do futebol, pois só assim informações dessa natureza serão conhecidas.

Bons contatos economizam o tempo do executivo de futebol, e boas informações diminuem a chance de erro. O caminho mais inteligente para o gestor é transformar informação informal em decisão qualificada.

Porque, no fim, mais importante do que como o jogador chega é o que ele entrega quando entra em campo.

Texto de Eduardo Dutra

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