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Foto: Olavo Prazeres

“Não é o que você faz de vez em quando, mas o que você faz de forma consistente que molda sua vida”

Anthony Robbins

Recentemente, assisti a uma excelente palestra de Marcos Biasotto (Coordenador de Futebol de Base do São Paulo) sobre o caminho pedagógico na formação integral do atleta de futebol. Refleti sobre quantos clubes brasileiros efetivamente valorizam esse trajeto e quantos pais, movidos pela ansiedade, ignoram a metodologia do clube ao decidir o futuro de seus filhos.

Como bem pontuado por Biasotto, o desenvolvimento passa por conhecer, aprender, aprimorar, aplicar e consolidar. Sem essa base sólida, a transição para o profissional, que já impõe suas dificuldades, torna-se um abismo.

A formação é, em essência, uma alfabetização esportiva. Assim como não se ensina derivadas antes da adição, não se cobra maturidade tática de quem ainda não domina o próprio corpo

A Escala do Conhecimento: Uma Sequência Lógica

Formar um jogador dos 7 aos 20 anos é como conduzir um aluno do ensino fundamental ao mestrado. Existe um encadeamento lógico que respeita a maturação biológica e cognitiva. Retirar um jovem de um processo consolidado por falta de minutos em campo é como transferir um aluno de uma escola construtivista para uma tradicional no meio do ano: o choque de linguagem cria lacunas irreversíveis.

O que era valorizado ontem, hoje é ignorado. O resultado? Uma lacuna no aprendizado que dificilmente será preenchida. No futebol o prejuízo é idêntico.

O Erro da Troca e o Custo da Descontinuidade (Quebra da Metodologia)

Vivemos o fenômeno do “balcão de negócios” na base do futebol brasileiro. Muitas vezes, a saída não é uma liberação do clube, mas uma decisão precipitada da família ou do agente, que iludidos por promessas, esquecem que, no clube de origem, o jovem tem o benefício do histórico e da paciência com suas oscilações naturais.

Quando pais decidem retirar um jovem de um clube eles não estão mudando o filho de time; eles estão interrompendo uma “alfabetização esportiva” que raramente será recuperada.

Ao trocar de clube constantemente, o atleta sofre prejuízos severos:

Confusão conceitual:  Cada clube tem seu DNA. Mudar drasticamente a metodologia de formação desorienta a inteligência tática e motora do jovem.

Falta de raízes: O atleta nômade não cria vínculos profundos, tornando-se um mero executor de tarefas.

Déficit de resiliência: A reserva, ou não ser relacionado para um jogo, é uma ferramenta pedagógica valiosa. Ela ensina a lidar com a frustração, a treinar mais forte e a conquistar seu espaço por mérito. Poupá-lo desse desconforto impede a criação da “casca” necessária para suportar a pressão do futebol profissional.

“O talento vence jogos, mas o trabalho em equipe e a inteligência vencem campeonato.”

Michael Jordan

A Pedagogia da Espera

Nenhum pai lúcido retira o filho de uma escola porque ele tirou uma nota baixa, buscando uma instituição “mais fácil” onde ele seja o primeiro sem esforço. No futebol, porém, a lógica se inverte.

A maior lição que o esporte oferece é a espera e o respeito ao processo. Sem resiliência, o talento é apenas um fogo de palha que se apaga no primeiro obstáculo do futebol profissional.

A formação integral não é uma corrida de 100 metros, mas uma maratona pedagógica. Quem queima a largada ou muda o percurso no meio do caminho de uma maratona, raramente chega ao pódio.

 E você? Já viu um talento se perder por causa da pressa?

Indicações de Leitura:

– Mindset: A nova psicologia do sucesso – Carol Dweck

– O Jogo Interior do Tênis – W.Timothy Gallwey

Na próxima coluna: Abordaremos os desafios da transição entre categorias, com foco especial na subida da base para o futebol profissional.  Não percam!

Links para as colunas anteriores:

– Por que formamos jogadores?

– Quem forma os jogadores? O capital humano como o verdadeiro craque da base. 1ª parte

– Quem forma os jogadores? O capital humano como o verdadeiro craque da base.  (2ª parte)

– Hipotecando o Futuro: Por que o Futebol Brasileiro Prefere Comprar o Mediano à Lapidar o Ouro?

– Formação de Talentos: O Debate que o Brasil Precisa

– Planejando o Gol: A comunicação como pilar estratégico no futebol

– Metodologia da Base: Onde o Futuro se Desenha

– O Garimpo e o DNA: O Dilema do Olhar no Futebol de Base

Texto de Carlos Brazil

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