
Foto: Getty Images via AFP
Em jogo válido pelas 16-avos de final da Copa do Mundo de 2026, Brasil venceu o Japão por 2 a 1 e se classificou para as oitavas de final, onde enfrentará a Noruega. Veja a análise da partida:
O padrão estéril do primeiro tempo foi quebrado por uma mudança drástica de postura e volume na segunda etapa. Os números refletem o domínio territorial brasileiro, mas também a letalidade defensiva que o Japão impôs no início:
Métrica de Desempenho Seleção Brasileira x Seleção Japonesa
Posse de Bola 69% x 31%
Finalizações Totais (no Gol): 20 (7) x 5(2)
Passes: 92%(625/679) x 83%(260/300)
Cruzamentos Realizados: 26 x 11
Desarmes Certos: 11 x 7
Análise Detalhada dos Gols
O Gol do Japão (Kaishu Sano, 29’ 1T): Um erro crasso na fase de construção do Brasil. O lateral Danilo arriscou um passe impreciso e desatento na faixa central do meio-campo. O volante japonês Kaishu Sano interceptou a bola em alta velocidade, aproveitou a transição defensiva desestruturada do Brasil e o espaço cedido pela zaga, limpou a marcação lenta de Casemiro e disparou um chute rasteiro e firme de fora da área, sem chances para Alisson.
O Gol de Empate do Brasil (Casemiro, 11’ 2T): Fruto direto do ajuste tático no intervalo, quando o Brasil passou a explorar as jogadas de linha de fundo de maneira agressiva. Em jogada pelo lado esquerdo da área, o zagueiro Gabriel Magalhães recebeu passe de Vinícius Júnior e fez um cruzamento perfeito em direção à segunda trave. Casemiro, infiltrando-se como elemento surpresa, deslocou-se de seu marcador no ar e testou firme no canto oposto do goleiro Zion Suzuki para empatar o confronto.
O Gol da Virada do Brasil (Gabriel Martinelli, 50’ 2T): Pleno abafa nos acréscimos finais e recuperação alta da bola. O meia japonês Tanaka foi desarmado sob pressão na intermediária defensiva. Em uma transição ofensiva ultra-rápida, Rayan acionou Bruno Guimarães centralizado. Com enorme frieza, Guimarães quebrou a linha defensiva nipônica com um passe rasteiro açucarado para Gabriel Martinelli, que havia saído do banco. O atacante invadiu a grande área e bateu cruzado, rasteiro, balançando as redes no último suspiro do jogo regulamentar.
Erros e Acertos Táticos do Brasil
Os Erros
- Lentidão crônica e média de idade alta: Com atletas experientes como Danilo, Casemiro e Marquinhos, a equipe apresentou sérias dificuldades físicas na recomposição contra as transições em velocidade do Japão. O meio-campo ficou exposto no primeiro tempo.
- Isolamento de Vinícius Júnior: Na etapa inicial, Vini Jr. ficou completamente bloqueado no setor esquerdo, encaixotado pela dobra de marcação japonesa sem o apoio ou ultrapassagem eficiente do lateral Douglas Santos.
- Erros na saída de bola: Passes burocráticos e curtos em zonas de pressão, exatamente o gatilho que o Japão buscava para ferir o Brasil no contra-ataque.
Os Acertos
- Leitura rápida de Carlo Ancelotti: O treinador reagiu perfeitamente ao panorama negativo ao voltar para o segundo tempo com o jovem Endrick no lugar de Lucas Paquetá (que saiu lesionado). A equipe ganhou agressividade, profundidade física e mudou a energia do estádio.
- Exploração das debilidades aéreas: Percebendo a barreira central do Japão por baixo, o Brasil injetou volume no jogo aéreo, efetuando 28 cruzamentos apenas no segundo tempo. Essa insistência rendeu o gol de Casemiro e desestabilizou o plano defensivo rival.
Qualidade técnica individual e profundidade de elenco
As entradas de Endrick e Gabriel Martinelli renovaram o fôlego ofensivo quando o cansaço do Japão pesou. A capacidade de Bruno Guimarães de dar o passe cirúrgico no momento de maior estresse emocional carimbou a vagano.
O que esperar: Brasil x Noruega (Oitavas de Final)
O próximo desafio, no domingo, dia 5 de julho, no New York New Jersey Stadium, mudará drasticamente o nível físico da competição. Enfrentaremos a Noruega, um adversário historicamente encardido para a Seleção.
O desenho tático esperado do Brasil é manter o controle da posse de bola, propondo as ações em bloco médio-alto. O grande dilema tático de Ancelotti será preencher o meio-campo com inteligência devido à lesão de Paquetá. Adotar um formato mais físico para combater a intensidade europeia será vital. A Noruega, por sua vez, deve se fechar em blocos baixos de 5-4-1 ou 4-4-2, esperando o erro de construção do Brasil para esticar jogadas rápidas de transição vertical.
O Brasil precisa estar atento as jogadas da Noruega com ataques verticais de poucos toques, já que a Noruega não gasta tempo rodando a bola lateralmente. O foco deles é recuperar a bola na defesa e acionar diretamente os pontas ou o pivô em profundidade.
Além disso, os noruegueses possuem uma média de altura elevada. Escanteios, faltas laterais e cruzamentos rápidos buscando a infiltração por trás dos nossos zagueiros exigirão foco total de Gabriel Magalhães e Marquinhos.
Como neutralizar Erling Haaland?
O camisa 9 norueguês é o artilheiro isolado de sua seleção com cinco gols nesta Copa do Mundo. Ele é letal porque precisa de pouquíssimo espaço e frações de segundo para concluir a gol.
Haaland é fenomenal atacando o espaço vazio. Gabriel Magalhães e Marquinhos não podem dar o “bote” seco; o segredo é cercar, atrasar a jogada e cortar o suprimento de passes que vem dos meias noruegueses antes que a bola chegue nele.
Quando o Brasil perder a bola no ataque, um dos zagueiros ou Casemiro precisa fazer a cobertura imediata (“vigilância preventiva”) colado em Haaland, impedindo que ele arme arranques em velocidade com campo aberto.
Texto e análise de Julier Cordeiro

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