
Foto: Nelson ALMEIDA / AFP
O futebol brasileiro vive um ciclo vicioso que já deixou de ser novidade, mas segue sendo tratado como algo natural: a falta de continuidade dos treinadores. Trocas constantes, projetos interrompidos e decisões precipitadas fazem parte da rotina dos clubes. No entanto, o problema não está apenas nas demissões em si, mas no ecossistema que alimenta essa cultura de imediatismo.
Grande parte desse problema é a falta de convicção. Muitas diretorias contratam os treinadores “da moda” ou o que está livre no mercado, sem nem olhar se o estilo dele combina com o elenco. Aí, quando o resultado não vem em três jogos, o que é normal em qualquer começo de trabalho, a solução é sempre a mesma: demite e traz outro com perfil oposto. É como tentar consertar um computador trocando a tela, quando o problema é o processador.
Essa bagunça gera um efeito dominó bizarro. O clube muda o esquema tático, muda quem joga, muda a lista de reforços… e o jogador? O cara fica perdido, tentando entender uma ideia nova a cada três meses. O resultado é um time sem identidade, que joga na base da vontade, porque tática exige tempo.
Assista: A troca de treinadores no futebol brasileiro – com Fernando Carvalho
E o torcedor também entra nessa pilha. Vivemos uma obsessão pela vitória imediata que atropela qualquer processo. A gente quer o título amanhã, mas esquece que para chegar lá precisa de ajuste, erro e paciência. Para piorar, hoje em dia qualquer comentário inflamado em rede social vira uma crise de estado dentro do clube. A narrativa de “crise” vende mais do que a análise do processo, e a diretoria acaba usando a demissão do técnico como um escudo para acalmar os ânimos.
Demitir os treinadores virou a “válvula de escape” oficial. É o jeito mais fácil de fingir que algo está sendo feito, enquanto os problemas estruturais como falta de planejamento, dívidas, elenco desequilibrado continuam lá, escondidos debaixo do tapete.
Enquanto lá fora a gente vê clubes colhendo frutos por segurarem seus técnicos em fases ruins, aqui a gente continua nesse “looping” eterno de reconstrução. Para quebrar esse ciclo, precisa de algo raro: coragem. Coragem da diretoria para bancar um projeto mesmo sob vaia, e consciência nossa de que o futebol não é mágica, é construção.
A pergunta final não é mais por que eles duram pouco, mas sim: até quando a gente vai achar que recomeçar do zero a cada três meses vai nos levar a algum lugar?
Texto de Alvaro Rocha
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