Vamos falar de base?

Vamos falar de base?

A formação de atletas é uma marca forte da Dupla Grenal. Alguns dos melhores jogadores do mundo são revelados pelos clubes de Porto Alegre. Na noite da última sexta (08), Ademir Costa, coordenador metodológico da base do Inter, e Francesco Barletta, coordenador geral da base gremista, falaram sobre os principais pontos trabalhados para que tantos jogadores sejam revelados.

A palestra foi dividida em alguns dos tópicos mais importantes para a formação de jogadores. O primeiro foi captação de atletas. Os convidados destacaram que, para que o processo funcione, é necessário definir uma estrutura de captação, levando em conta uma metodologia e um propósito final. Além disso, vale considerar os valores dos jogadores buscados, para que a adaptação destes em um novo clube não atrapalhe na hora de desenvolver seu futebol. Em ambos os clubes a estrutura da área é semelhante, contando com um supervisor, coordenador técnico, e observadores, alguns espalhados pelos principais mercados, outros para verificar se os processos internos estão sendo feitos de forma correta. Profissionais de preparação física e assistência social se fazem necessários em diversos casos, pois jogadores das mais diferentes realidades são captados e precisam se adequar ao novo clube da melhor maneira. Neste trabalho, é preciso ter paciência, já que estão lidando com pessoas.

Em relação a isso, surge o segundo tópico: a formação integral do atleta. Aqui foi destacado que é preciso pensar no físico e no mental dos jovens, preparando estes para a vida, não só para o futebol. Ter como objetivo o desenvolvimento humano além do técnico não é fácil, pois o propósito dos jogadores da base é chegar no profissional e a cultura de vencer ao invés de formar acaba atrapalhando alguns atletas. É preciso que profissionais de diversas áreas estejam envolvidos no processo, trabalhando de forma integrada na formação do jogador. 

Ademir e Francesco destacaram a gestão de treinos como o terceiro tópico. O treinamento na base deve ter o caráter educativo, uma vez que as equipes profissionais estão treinando cada vez menos e disputando um grande número de jogos. Apenas no treinamento será possível mudar o comportamento de um atleta, e isso deve ser aproveitado. Em relação a metodologia, é preciso que o treino tenha relação com o jogo, além de trazer estímulos individuais para os atletas, sempre pensando em ensinar a maneira correta de realizar a jogada. Na sequência, foi falado do trabalho multidisciplinar que deve ser desenvolvido. Este conceito reforça a necessidade de ensinar o jogador da base, seja na parte física e técnica, ou até mesmo em aspectos nutricionais psicológicos. Cabe aos profissionais dos clubes reconhecerem a necessidade da integração destas áreas, pois uma falha em uma delas irá atrapalhar a formação do jovem como um todo.

Para encerrar, a transição da base para o time profissional. Os palestrantes destacaram a ajuda que o time sub23, ou de transição como é chamado no Grêmio, proporciona neste processo. Muitas vezes os atletas estão formados apenas com 22/23 anos, e muitos bons jogadores seriam perdidos na passagem dos juniores para o profissional. Em relação ao processo de transição, o principal ponto a ser destacado é que o jogador deve subir para ficar no elenco de cima. Retornar para a base afeta seu processo de formação e mais atrapalha do que auxilia.

Foi mais uma noite de muito conteúdo no FootHub. Falar de base é sempre importante e os mais de trinta inscritos tiveram a oportunidade de aprender sobre diversos processos com dois grandes profissionais.  

Foto: Leo Moraes