Um olhar sobre a base do futebol feminino

A Copa do Mundo da França vai acabar no próximo domingo (7). Foi através da competição disputada no Velho Continente que ao menos por cerca de um mês, o futebol feminino no Brasil foi pauta com muita ênfase, seja pela mídia ou pelos torcedores.

A derrota da seleção brasileira e por consequência a eliminação da competição para a própria França abriu um leque de debates entre fãs do esporte e também especialistas no assunto em relação a vários temas e dentre eles a formação de atletas, ou seja, as categorias de base.

O Brasil ainda não investe em categorias de base no futebol feminino

Poucas são as atletas que fazem carreira no futebol tendo a mesma estrutura que as categorias de base do futebol masculino oferece. Hoje, no Brasil, é comum que atletas desenvolvam as suas habilidades ainda cedo apenas em campos e na rua ao invés de começarem tendo uma estrutura que as prepare técnica e fisicamente.

A realidade do futebol feminino hoje em relação às atletas mais jovens é a de que na maioria das vezes enquanto os jogadores começaram a treinar aos 10 anos, por exemplo, as jogadoras começam a dar os seus primeiros passos em sua carreira aos 15 ou de 17 anos.

Hoje, São Paulo é o único estado a ter um time de futebol onde garotas com menos de 11 anos de idade podem realizar treinamentos. O COTP (Centro Olímpico de Treinamento e Pesquisa) é atualmente o único time do Brasil com estrutura para treinar o conhecido sub-11.

Além deste fato, vale destacar que muitas atletas mirins, por não terem outra opção, acabam treinando com atletas do sexo oposto. Esse é o caso da jovem Natália Pereira, de apenas 10 anos. A atleta, que fechou em 2019 um contrato com a Umbro, ficou conhecida neste ano justamente por treinar entre os jovens atletas masculinos do Avaí Futebol Clube.

Natália Pereira, de apenas 10 anos, fechou contrato com a Umbro e com o Avaí

Fora dos gramados mas dentro do salão, o Rio Grande do Sul teve uma história parecida com a de Natália para contar em 2019. Manoela Cordeiro, de apenas nove anos, foi o destaque da Liga Gaúcha de Futsal 2019. A atleta ficou marcada por ser goleira de um time masculino e ainda por cima por ajudar o Grêmio Ball/AABB, seu clube, a terminar a primeira parte do competição sem perder nenhum jogo.

A realidade de muitos clubes brasileiros hoje é de focar no sub-17 e no sub-18, como são os casos do Internacional de Porto Alegre e também de alguns outros clubes do país.

As competições de base no Brasil – O que há e o que não há

Justamente por não existir times com atletas mais jovens, fica impossível criar competições oficiais, seja da própria CBF ou das federações estaduais.

Atualmente, quando o assunto são categorias de base no Brasil falando de futebol feminino, ainda há mais ênfase nos estados do que a nível nacional. Em São Paulo, por exemplo, existe o Campeonato Paulista sub-17. No Rio Grande do Sul existe o Gauchão-18. No Brasil não existe nenhum competição nacional da base. Não até o dia 9 de julho.

2019 vai entrar para a história

Daqui cinco vai começar o Campeonato Brasileiro 2019 sub-18. Essa será a primeira competição de base do futebol feminino na história do país.

Ao todo, 24 equipes entraram em campo pela primeira vez e marcarão a história da categoria. Essa quantidade de times será dividida em seis grupos com cidades-sede.

Grupo A: Atlético-MG, Foz/Athletico-PR, Avaí/Kindermann-SC e Santos – Caçador (SC)

Grupo B: Chapecoense, Corinthians, Ferroviária-SP e Internacional – Flores da Cunha (RS)

Grupo C: Botafogo, Cruzeiro, Ponte Preta e São Paulo – Bálsamo (SP)

Grupo D: Bahia, Fluminense, Minas ICESP-DF e Palmeiras – Brasília (DF)

Grupo E: Flamengo, São Francisco-BA, Vitória-BA e Vitória-PE – Recife (PE)

Grupo F: Iranduba, Paysandu, Pinheirense-PA e Vasco da Gama – Belém (PA)

Apesar da boa notícia, é necessário fazer algumas observações como por exemplo a quantidade de jogos em excesso que os clubes terão em comparação com o tempo que terão de descanso.

Ao menos na primeira fase do Brasileirão, os 24 clubes entrarão em campo a cada dois dias. Como a fase inicial terá seis jogos, os clubes jogarão ambas as partidas em 10 dias.

Conteúdo dos parceiros Jogando Com Elas.