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Foto: Jorge Rodrigues/AGIF

Na coluna anterior, discutimos como o capital humano é o alicerce da formação de atletas e o quanto a desvalorização desses profissionais prejudica o futebol brasileiro. Hoje, exploraremos como a contratação estratégica desses especialistas gera retornos que vão muito além do campo.

A Contratação Estratégica: Além do “Ex-Jogador”

Contratar para a base exige uma visão de longo prazo que ultrapassa o talento técnico ou o currículo de títulos. O clube sempre deve buscar o “pedagogo do futebol”; um profissional que domine metodologias modernas e entenda o desenvolvimento humano.

No futebol de elite, um treinador de base, por exemplo, deixou de ser apenas um instrutor tático para se tornar um gestor de talentos multidisciplinar. Algumas competências tornaram-se inegociáveis:

  • Inteligência Emocional: Para, entre outras pressões que existem em uma gestão de futebol, gerenciar, principalmente, a pressão sobre o adolescente, principal ativo do clube.
  • Comunicação Assertiva: Para blindar o jovem contra o deslumbre precoce.
  • Pedagogia do Esporte: Pois não basta “saber fazer”, é preciso saber ensinar para que os conceitos sejam absorvidos organicamente.
  • Visão ética: o jovem espelha seu líder; um profissional preparado forma não apenas o atleta, mas um cidadão resiliente.

O Retorno Invisível (e o Custo do Erro) 

Muitos enxergam a base como um centro de custo, mas ela é, na verdade, um centro de lucro e sustentabilidade. O investimento no profissional de base cria um ciclo virtuoso:

  1. Economia direta: Cada jogador revelado economiza milhões em contratações, equilibra a folha salarial e pode gerar lucro ao clube.
  2. Identidade e Marca: Atletas formados na casa carregam os valores do clube, gerando maior conexão emocional e engajamento com o torcedor.
  3. Sustentabilidade: Uma base forte mantém o nível competitivo mesmo em crises financeiras.

Inversamente, o “barato sai caro”. Contratar profissionais desqualificados ou pagar salários indignos gera uma sabotagem patrimonial silenciosa. São talentos que deixam de evoluir, são dispensados incorretamente ou migram precocemente para outros clubes por falta de identificação com a metodologia local e sem o sentimento de pertencimento, que é criado pelas lideranças e profissionais qualificados do clube.

Quando se investe em profissionais qualificados, ele funciona como um “filtro de ouro”, impedindo que o clube gaste milhões lá na frente contratando jogadores que ele mesmo poderia ter formado. 

A Matemática do Reserva: Um Choque de Realidade

Para ilustrar o absurdo da desvalorização, consideremos um exemplo prático:

  • O Reserva (“Compõe Elenco”): Um jogador de 28 anos contratado (vamos considerar um valor baixo: R$1 milhão), com salários, encargos, comissões etc que somam R$8 milhões anuais. Ele jogará, talvez, 20% dos minutos da temporada e não terá valor de revenda.
  • A Elite da Base: Com os mesmos 8 milhões, o clube cobriria a folha salarial de toda uma estrutura de profissionais de elite para cuidar de, aproximadamente, 250 jovens talentos por um ano inteiro.

Se essa equipe técnica qualificada ajudar a revelar um único talento vendido por US$5 milhões (aprox. R$30 milhões), o investimento paga toda a folha da base pelos próximos três anos.

O que precisa mudar agora 

Para colher esses frutos, a mudança de mentalidade deve ser urgente:

  • Orçamento Específico: Destinar ao menos 10% do investimento total do futebol para a base (hoje, a média brasileira é de pífios 1% a 5%).
  • Métricas de Sucesso: O foco deve sair dos títulos de categorias inferiores e migrar para o número de atletas e profissionais integrados à equipe principal, e o retorno financeiro gerado.
  • Transparência: Divulgar investimentos e resultados para criar responsabilidade institucional

A Jogada Mais Inteligente – O Diamante e o Lapidador

Foto: Divulgação / Instagram

O futebol brasileiro não sofre de falta de matéria-prima; sofremos de uma crise de lapidação. Quando tratamos profissionais de base como os “engenheiros de elite” que são, paramos de contar com a sorte e passamos a confiar em um processo científico e humanizado.

A escolha é simples: ou valorizamos quem forma nossos craques, ou continuaremos assistindo nossos talentos sendo lapidados no exterior para anos depois, tentarmos importá-los a preço de ouro.

No futebol moderno, o troféu mais valioso não é apenas o de domingo; é o que se constrói de segunda a segunda, nos campos de treino, por mãos que merecem muito mais que um simples “obrigado”.

Resumo da Jogada: Por que investir no Capital Humano?

Para que não restem dúvidas, a gestão moderna da base pode ser sintetizada em cinco pilares:

  • Profissionais como Investidores: O staff da base não é despesa; são gestores que multiplicam o capital do clube através do talento.
  • A Ciência da Lapidação: A formação especializada e pedagógica é tão crucial quanto a experiência prática de campo.
  • Valorização é Estratégia: Remuneração adequada e planos de carreira reduzem a rotatividade e blindam a qualidade do processo.
  • O ROI da Excelência: O retorno financeiro de uma base bem estruturada supera, com folga, qualquer custo operacional.
  • Visão de Futuro: Clubes visionários entendem que o sucesso no apito final começa muito antes (anos antes), na organização e na visão estratégica de quem forma. Quem forma melhor, revela mais.

Quanto seu clube está investindo em quem forma os próximos milhões? 

Na próxima coluna: Falaremos sobre investimentos na base, mas com foco direto nos atletas e na ideia de que a venda de jogadores deveria representar lucro, não apenas o “pagamento das contas”.  Não percam! Até lá!

Leia as colunas anteriores:

– Por que formamos jogadores?

– Quem forma os jogadores? O capital humano como o verdadeiro craque da base. 1ª parte

Texto de Carlos Brazil

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