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Foto: Henri Szwarc/Bongarts/Getty Images

Pentacampeão mundial, o artilheiro de todas as copas, alguns dos jogadores mais valiosos do mundo, o Rei do futebol Pelé. O Brasil é colocado em uma lista especial ao redor do mundo. Teria sido feito uma lista que o futebol foi feito para os brasileiros ou os brasileiros foram feitos para jogar o futebol?

A simplicidade do esporte e do povo, tudo à favor para que isso acontecesse porque qualquer um poderia brincar com uma bola, em qualquer espaço, em qualquer época do ano, sem distinção. Sendo chamado e encantando o mundo como futebol arte, ganhamos esse famoso destaque com grandes dribles, e exibições de cinema, seja em edições de Copa ou em Torneios Intercontinentais. Além disso uma das grandes conquistas foram a integração dos jovens negros dando exemplo contra a descriminação racial.

Muito se diz que nos últimos anos deixamos de ser o país do futebol. Com a “Europatização” dos atletas, o nível físico, a tecnologia no esporte, desenvolvimento nos treinamentos e táticas ficamos atrás de muitos países a nível competitivo. Mas o que fez com que ficássemos tão atrás?

Conhecido pela magia e jogadores talentosos deixamos de produzir craques como: Romário, Ronaldinho Gaúcho e Neymar. No processo de formação voltado apenas vencer a qualquer custo perdemos por muita das vezes a nossa essência, deixando o nosso futebol “robotizado” e voltando aos olhos para vitórias e títulos.

Nos dias atuais, falar sobre processo de desenvolvimento requer um cuidado para não cair na hipocrisia e não entendermos também a relevância de ter gerações vitoriosas e grandes craques competindo em torneios regionais, nacionais e dependendo do nível dos clubes competindo internacionalmente.

A importância da captação no Brasil

A captação exerce um papel fundamental enxergando novos talentos, e prospectando futuros jovens promissores para o clube. Bases como São Paulo, Flamengo, Palmeiras, Fluminense são as principais vitrines do futebol mundial em vendas de atletas entre 2014 e 2023, movimentando mais de R$2,0 bilhões somados entre eles e cabe destacar que o estudo que foi feito através do CIES está incluído apenas jogadores que passaram, pelo menos, três temporadas na categoria de base do clube entre os 15 e 21 anos.

A valorização do processo formativo é essencial, não apenas para os clubes, mas de extrema importância para os atletas. Ao encurtar processos e acelerar o desenvolvimento dos mesmos, temos atletas que ainda não estão no auge do desenvolvimento da sua capacidade física e desenvolvimento técnico não participando por todas etapas.

Pentacampeão brasileiro, artilheiro de todas as copas, alguns dos jogadores mais valiosos do futebol mundial, e o principal atleta de toda a história do futebol que foi o Rei Pelé. Inúmeras marcas importantes para mostrar a valorização do nosso produto interno que são os nossos craques.

O Brasil ainda é uma potência no futebol mundial, podemos ver isso claramente no nível de atletas que continuamos a desenvolver, porém a continuidade acaba não sendo eficiente pela responsabilidade e valores astronômicos que os atletas antes dos 20 anos possuem, entretanto o que dita esse valor acaba sendo o mercado, o principal vilão no processo de formação.

Com isso, vemos inúmeros atletas indo para a Europa, sendo comprado por grandes clubes e emprestados para clubes de menor expressão para criar rodagem e experiência sem tanta pressão. Um dos principais exemplos atuais foi o Vinicius Júnior, que foi emprestado para o Real Madrid Castilla para que ele pudesse se adaptar ao futebol Espanhol. Fazendo um plano de transição treinando com a equipe principal e jogando pela equipe B.

A nossa realidade foi sempre criar bons jogadores, colocando na vitrine internacional do futebol inúmeros talentos. Mas até quando a tática e a robotização vai prevalecer a técnica e a qualidade individual?

Obviamente entendemos a devida importância da capacidade física dos atletas, mas para continuarmos sendo uma potência no cenário mundial precisamos valorizar mais os nossos talentos individuais. Isso passa também no processo de formação, onde escolhemos não só o perfil de cada atleta pelo tamanho e força, mas pela sua capacidade cognitiva, entendimento do jogo, raciocínio rápido e relacionamento com a bola.

Desde 2002 nossa última vez sendo campeão mundial, o Brasil passa por grandes dificuldades de chegar em uma final desde então. Eliminados pela França em 2006, Holanda em 2010, Alemanha em 2014, Bélgica em 2018 e em 2022 eliminados pela seleção da Croácia nos pênaltis.

Comparamos e chegamos a debates de como as seleções chegaram ao sucesso levantando a principal taça do futebol. Um dos principais exemplos de filosofia que podemos comparar são entre a Alemanha e França, sucessos e vitorias que não aconteceram por acaso.

A Alemanha por sua vez em 2014 construiu um cenário e mudança na estrutura do seu futebol por longos anos, desde a sua última final contra o Brasil em 2002 investindo em infraestrutura social em campos nas cidades, estrutura da sua confederação DFB, modelo de jogo usando um 9 de referência marcando gols importantes que foi o Miroslav Klose com 16 gols em Copas do Mundo e principalmente desenvolvendo uma equipe robusta que se desenvolveu por anos entre conquistas e fracassos durante as competições.

Sem falar também da importância do futebol nacional da época que era Pep Guardiola comandando a equipe multicampeã do Bayern de Munique com a sua ideia de jogo podendo contribuir com a evolução da grande maioria dos atletas convocados para a Copa do Mundo.

A França por exemplo, através da preparação de atletas de alto nível com colaborações de federações esportivas, foi um dos países que apostaram em jogadores naturalizados de outros países, acreditando nos talentos individuais como Pogba, Griezmann, Mbappé. Além de contar com atletas incansáveis como Kanté e Varane, formando a espinha dorsal da equipe francesa. A aposta em um jogo vertical e um sistema defensivo sólido foram uma das principais chaves do sucesso para a seleção francesa e sua trajetória nas edições que participou.

E o Brasil por sua vez, o que faz de tão diferente comparado aos demais países? Podemos mostrar inúmeros cenários para exemplificar a desqualificação de organização da estrutura dos calendários dos campeonatos, a má gestão dos clubes e os embates políticos entre federações e confederação. Porém, o principal foco da questão é sobre a filosofia adotada e clara que devemos impor. Perdemos por muitos anos por sempre querer ser retrato do futebol europeu, sendo que o futebol europeu sempre tentou nos imitar pela qualidade técnica dos atletas e relacionamento com a bola.

É fato a evolução da tecnologia, na capacidade tática dos atletas e a obediência as formações. Mas na nossa ideia de jogo, o jogador diferente sempre prevaleceu, podemos ter inúmeros exemplos de craques do século XXI como Romário, Ronaldinho Gaúcho, Rivaldo, Neymar.

Prevalecemos pela irreverência, ousadia e personalidade dos atletas. Um dos principais pontos que conectam todos esses craques foi a competição que foram desenvolvidos no futsal, pelo raciocínio rápido com dribles curtos e objetividade para o gol. Será que realmente deixamos de ser o país do futebol, ou apenas deixamos de entender o nosso principal jogo e o que sempre deu certo?

O futebol não é uma matemática exata, mas como formadores de opinião, educadores e profissionais, devemos ter um olhar macro de tudo o que acontece e aconteceu ao longo dos anos para continuar colocando o nosso país no topo do futebol mundial, onde sempre esteve, sem olhar para os outros mas olhar para o seu principal desenvolvimento de futebol formativo, com profissionais experientes e capacitados que possam agregar para a formação de atletas, priorizando o mais importante que é a capacidade técnica.

O Brasil nunca deixou de ser uma potência, só se perdeu com o tempo não conseguindo mostrar no campo a sua principal força.

Texto de Carlos Eduardo Lopes

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