Sissi, a primeira craque da Seleção

Sissi, a primeira craque da Seleção

Depois de falar sobre o futuro da seleção brasileira, é hora de voltarmos no passado e ver quem foram os pilares do futebol feminino brasileiro. Nesse sentido, nada mais justo do que citar àquela que um dia foi considerada a Marta da década de 90, e que assim como a atual craque do Brasil, inspirou gerações que lutam até hoje pela popularização e principalmente pela valorização do futebol feminino em solo verde e amarelo.

O futebol feminino no Brasil não nasceu neste século

Quando pensamos em Seleção Brasileira feminina de futebol, é normal que pensamos em Marta como representante do país no esporte tendo em vista o quê a jogadora fez ao longo de sua carreira. 

No entanto, o futebol feminino no Brasil não começou com a atual camisa 10 da Seleção, e sim bem antes. 

Na década de 90, quando o mundo, e especialmente o Brasil, ia à loucura vendo Romário, Bebeto e companhia nas Copas do Mundo, o futebol feminino no país e na Seleção dava os seus primeiros passos. 

Sissi, quem é, onde começou a jogar e a importância 

Sisleide do Amor Lima, ou simplesmente Sissi, foi uma das pioneiras do futebol feminino brasileiro. Hoje treinadora nos Estados Unidos, a ex-jogadora ficou marcada pelo talento que encantou o futebol feminino na década de 90. A atleta deu os seus primeiros passos no esporte no São Paulo Futebol Clube. 

A primeira aparição da craque foi em 1988 quando a Copa do Mundo da categoria ainda estava em modo experimental. Depois disso, a jogadora atuou com o Brasil em 1995 na Copa do Mundo da Suécia. Mas a participação mais importante da jogadora foi em 1999.

Na oportunidade, a Seleção Brasileira disputou a Copa do Mundo dos Estados Unidos. Naquele momento, a seleção conquistou o terceiro lugar da competição graças à Sissi. O país só atingiu tal colocação porque nas quartas de final, a jogadora brasileira fez um belo gol de falta, o que garantiu o Brasil nas semifinais do torneio.

O gol marcado por Sisleide foi escolhido com um dos mais bonitos do torneio e até hoje é também um dos mais belos de todas as Copas do Mundo. 

Além dessas conquistas, Sissi também disputou os Jogos Olímpicos de Atlanta, em 1996, e Sydney, em 2000.

Sissi, o futebol e o tabu por ser… mulher. 

Assim como é comum ainda hoje enxergar pessoas que não aceitam mulheres jogando bola, na época de Sissi era ainda pior. Certa vez, a jogadora raspou o seu cabelo em homenagem a uma criança com câncer. Segundo a ex-atleta, o seu cabelo raspado (fora dos padrões da época) chamou mais atenção do que o seu futebol. 

Tais dificuldades extra-campo enfrentadas por Sissi e demais atletas de futebol se tornavam rotineiras em uma época onde lugar de mulher ainda não era em um campo de futebol. Prova disso é que desde a década de 40 até 1983 existia no Brasil a conhecida lei que proibia a prática do futebol feminino no Brasil. O conhecido Decreto-Lei 3199, imposto na Era Vargas, proibiu que mulheres fossem a campos praticar o esporte. 

Apesar do fim da lei no início da década de 80, o retrocesso ainda fazia parte do mundo feminino no futebol, sobretudo nas críticas masculinas apontando que mulher não podia jogar bola. 

Em entrevista ao portal Globoesporte.com, Sissi desabafou e contou que dentro da própria casa não podia chegar perto de uma bola de futebol. 

Meu pai e meu irmão falavam que esse negócio de bola não era para menina. Só me deixavam brincar de bobinha. Um dia acabei me revoltando”, contou a jogadora. 

O caminho depois de Sissi

A ex-atacante brasileira se aposentou em 2009. O legado continua. Hoje o Brasil vê em Marta, em Cristiane e demais atletas o futuro. Um futuro próspero, onde o Brasil não ganhe apenas títulos, e sim reconhecimento e aceitação.

Mais um texto em parceria com o site Jogando com Elas