Preparador físico brasileiro relata sua experiência de sucesso no Leste Europeu

Preparador físico brasileiro relata sua experiência de sucesso no Leste Europeu

A globalização atingiu em cheio o mercado do futebol. As fronteiras foram deixando de ser empecilho para os profissionais do futebol. Se antes jogadores e treinadores eram os mais desejados pelos clubes do exterior, atualmente analistas, fisioterapeutas, preparadores físicos e especialistas em outras áreas do esportes também são alvo de contratação. 

Portugal é um destino recorrente de diversas pessoas ligadas ao futebol. O idioma e as semelhanças culturais são facilitadores para a adaptação. Contudo, é visto como uma porta de entrada para o mercado europeu. Aqueles que almejam a valorização, no entanto, buscam migrar para outros países. 

Trilhando um caminho pouco usual, o gaúcho Michel Huff saiu direto do Juventude para o Metalist, da Ucrânia. Desde então, o preparador físico permaneceu no Leste Europeu, passando por três países diferentes. 

Confira a história escrita pelo próprio:

Minha última década foi marcada por aspectos que me tornaram um cidadão mais completo pessoalmente e profissionalmente. Os quase dez anos na Europa me deram a experiência necessária para buscar novos desafios inclusive no futebol brasileiro.

Os primeiros anos na Ucrânia foram essenciais para meu crescimento, pois lá tive o primeiro contato com o Leste Europeu. Clima, cultura, idiomas, metodologia de treinamento e experiências profissionais no mais alto nível.

Em cinco anos na Ucrânia, eu tive o privilégio de trabalhar em um grande clube. Com uma bela história e uma forte torcida, o Metalist chegou a estar entre os 30 melhores clubes mais bem ranqueados pela UEFA, em 2013. Fora isso, atuamos em grandes competições europeias, o que me possibilitou conhecer muitos países.

Estive em Portugal, Espanha, França, Alemanha, Suécia, Noruega, Romênia, Áustria, Israel, Emirados Árabes, Polônia, Rússia, Inglaterra, Turquia, Holanda, Bélgica e Grécia. Enfrentamos grandes equipes como Bayer Leverkusen, Olympiacos, Zenit, Sporting Lisboa, Shakhtar Donetsk, Dínamo de Kiev, Spartak Moscou, Paok, Legia Varsóvia, AZ Alkmar, CSKA, Dínamo de Moscou, Newcastle, Rubin Kazan, Rapid Viena, Trabzanspor, Rosenborg, Dínamo Bucareste, entre outros.

Além desse grande experiência, tive o privilégio de trabalhar entre 2015 e 2017 em uma dos clubes com melhor infraestrutura do Leste Europeu. Localizado na Moldávia, com um complexo esportivo de dar inveja para qualquer clube de ponta, o Sheriff é uma referência em organização. Em Tiraspol também obtive meus primeiros títulos conquistados: bicampeão moldavo, campeão da Copa da Moldávia e Supercopa. Também conquistamos uma marca histórica vencendo os três títulos na mesma temporada, o que não ocorria há dez anos.

Em 2017 realizei o sonho de trabalhar na Rússia. Fui contratado pelo FK Tosno, que nunca havia disputado a Premier League (como é chamado o Campeonato Russo), considerada uma das oito melhores ligas europeias. Paralelamente, tive o privilégio de trabalhar no país da Copa do Mundo.

Em 2018 conquistei a maior vitória da minha passagem no Leste Europeu: o título da Copa da Rússia de forma invicta, algo que surpreendeu e repercutiu em toda a Europa. Encerrei a temporada de 2017/2018 assistindo a Copa do Mundo e interagindo intensamente com o maior evento do futebol. O Mundial foi considerado pela imprensa como o mais organizado das últimas décadas. Com estádios modernos e seu entorno bem estruturado, a interatividade entre os povos foi espetacular, superando a expectativa do que a globalização dentro de um país de política sócio-cultural rígida poderia oferecer.

No início da nova temporada tive o convite do treinador Dimitri Parfenov para desenvolver o trabalho de gestão da preparação física no clube FK Ural, de Ekaterinburg. Neste período conheci novos países (Finlândia, Chipre, Eslovénia, Servia, Croácia) e também disputei mais uma Premier League. Fomos vice-campeões da Copa da Rússia e cheguei a minha terceira final de copa seguida (uma na Moldávia e duas na Rússia) por três times diferentes.

Dicas que deixo para quem busca oportunidades em lugares diferentes: aprenda o idioma o mais rápido possível, se integre à cultura local para entender bem o sistema e trabalhe intensamente.