O que o Vale do Silício pode ensinar ao futebol

Por Rafael Weber

O espírito do Vale do Silício é uma cultura de crescimento, uma mentalidade de crescimento. Podemos não ter o dinheiro deles. Não podemos ter a sua história. Mas podemos ter a sua mentalidade. E é de graça.

Interrogar o que nos cerca nunca foi tão importante. Devemos considerar alternativas e minimizar objeções. Nada será como é hoje. Mais soluções vão nascer com um pé naquilo que pode e outro naquilo que não pode. Os regimentos vigentes não suportam as inovações atuais. O Facebook reescreveu as regras do marketing. Dos hotéis foi o Airbnb. A Amazon, do varejo. O Spotify pressiona as leis de direitos autorais. A Netflix, de distribuição de conteúdo. E a Tesla, da venda de automóveis. O Vale do Silício permite escrevermos o futebol do futuro, trazendo tendências, produtos e serviços que irão impactar diretamente o dia a dia dos clubes.

Tecnologias inovadoras surgem a todo momento. Estamos na era da Inteligência Artificial, Machine Learning, Veículos Autônomos, Drones, Cidades Inteligentes, Biotecnologia, Impressoras 3D, Big Data, Realidade Aumentada e Virtual. Usá-las no futebol permite quebrar barreiras e paradigmas, proporcionando um crescimento e maximizando os resultados dos clubes como nunca foi possível nas décadas anteriores.

Esses modelos e ferramentas oferecem aos clubes uma nova experiência de trabalho. Aos torcedores, um novo modelo de atendimento, digno de empresas como Google, Netflix e Facebook. O segredo não está em tecnologia, mas em oferecer uma experiência incrível. As tecnologias junto com os novos modelos de negócios que empresas do mundo todo estão aplicando podem mudar o futebol para sempre. Grandes corporações perdem cada vez mais a briga com as startups. Venture Capital e Corporate Venture são termos cada vez mais usados dentro das empresas. Negócios locais tornam-se globais, pólos de inovação surgem no mundo todo. Se os clubes não entenderem como tudo isso funciona e como aproveitar essas oportunidades, podemos passar a ter estruturas de clubes mais fracas e desatualizadas.

Pensar exponencialmente é a chave para descobrir novas oportunidades em potencial e construir soluções inovadoras. Empreendedores do mundo todo veem o Vale do Silício, como um exemplo a ser seguido. Eu concordo. Mas o Vale do Silício não é um lugar, mas uma mentalidade. O Vale do Silício não tem um monopólio do crescimento. Por todo o mundo nós temos grandes ideias, energia, talentos extraordinários. Tenho absoluta certeza de uma coisa: crescimento é o segredo. E o crescimento deve guiar os clubes em cada parte do caminho.

Esta era traz tantos desafios quanto oportunidades. Na era exponencial a única constante é a mudança. Só podemos ter certeza que amanhã será diferente de hoje. Esta é a nossa nova vida, agora. Devemos nos acostumar.