Marta: o presente e a inspiração do futebol feminino brasileiro

Marta: o presente e a inspiração do futebol feminino brasileiro

Se fizemos questão de relembrar o passado e ousamos pensar no futuro também precisamos falar sobre o presente da seleção brasileira de futebol feminino. E, nesse caso, é impossível não citar aquela que mesmo depois de um tempo ainda é a referência do Brasil na categoria. 

Aos 33 anos de idade, a alagoana Marta da Silva, ou apenas Marta, encanta, inspira e ainda joga muita bola. Hoje no Orlando Pride, um dos maiores times de futebol feminino no mundo, a camisa 10 do Brasil se mantém no topo com uma das melhores atletas da sua modalidade.

As origens, a primeira peneira e o gosto pelo futebol

Origem humilde, infância pobre e a busca por alcançar um sonho. Assim como muitos brasileiros que hoje são estrelas no futebol, Marta também enfrentou barreiras sociais na infância que até hoje são lembradas pela craque. 

Criada somente pela mãe e compartilhando a infância com mais três irmãos, a atleta fez, quando criança, parte do grupo de mais cinco milhões de crianças que são abandonadas pelos pais nos primeiros estágios de vida, segundo aponta uma pesquisa realizada em 2013 pelo CNJ (Conselho Nacional de Justiça). 

No entanto, tal adversidade não foi entrave para que Marta buscasse o sonho de virar jogadora. A primeira peneira feita pela atleta aconteceu no Vasco da Gama. Atleta passou um bom tempo treinando e fazendo transições dentro do clube até que em 2004 foi transferida para o Umeå IK, da Suécia. 

Na Europa, a atual camisa 10 do Brasil ganhou destaque, sobretudo ao ganhar a Liga dos Campeões pelo time sueco justamente no ano em que chegou. Foi o segundo título de expressão da jogadora. 

A chegada à Seleção, a camisa 10 e a glória eterna

Apesar de Marta virar destaque na Europa, a chegada à Seleção aconteceu antes mesmo da jogadora colocar os pés no Velho Continente. A primeira aparição e também a primeira conquista com a camisa verde e amarela aconteceram em 2003, um ano antes da atleta ir à Suécia. Na ocasião, o Brasil passava por uma transição. Marta surgiu e logo de cara conquistou a medalha de ouro do Pan-Americano da República Dominicana. Depois disso, a atleta não deixou mais a seleção. 

Com o destaque também vieram os títulos pessoais. Em 2008, a atacante brasileira conquistou o seu primeiro prêmio como melhor jogadora do mundo da FIFA. Depois disso, a atleta conquistou o prêmio por mais cinco vezes. 

Marta, a Seleção e as frustrações

Apesar do talento, da garra e da vontade de vencer pelo Brasil, Marta e a própria Seleção não conseguiram conquistar aquela que é a competição mais importante entre seleções: a Copa do Mundo. 

Desde a fundação do time brasileiro lá na década de 90, o país não conseguiu conquistar o tão sonhado título. Por vezes, o sonho bateu na trave. Em 2007, por exemplo, o Brasil foi vice-campeão do mundo após perder para a Alemanha por 2 a 0, na China.

Marta – Os títulos e a motivação para o futuro 

Apesar dos títulos da Copa América, dos Pans e também os prêmios individuais, Marta quer que o Brasil pense no futebol feminino com carinho, respeito e igualdade.

Além disso, a craque da Seleção quer uma renovação no Brasil, e que cada vez mais as atletas busquem virar jogadoras. Isso ficou nítido na eliminação do Brasil nas oitavas de final da Copa do Mundo da França neste ano, quando a atleta pediu às futuras gerações que se empenhassem mais. 

“(…) Digo isso no sentido de valorizar mais. Valorize! A gente pede tanto, pede apoio, mas a gente também precisa valorizar. Não vai ter uma Formiga para sempre, uma Marta, uma Cristiane. O futebol feminino depende de vocês para sobreviver” – disse Marta.

Mais um texto em parceria com o Jogando Com Elas