Kepa, Sarri e o treinamento psicológico

Por Maurício Pinto Marques

O mundo assistiu com surpresa a inusitada cena na final da Copa da Liga Inglesa, no último domingo, entre Chelsea e Manchester City. O goleiro espanhol Kepa Arrizabalaga se negou a ser substituído nos minutos finais da prorrogação. A atitude causou indignação no treinador italiano Maurizio Sarri e espanto em todos ao redor. Após a partida, o arqueiro foi multado em 25% do salário mensal. Depois do pedido de desculpas, o treinador colocou panos quentes na situação, a qual classificou como um “mal-entendido”. A taça, que foi para Manchester, ficou em segundo plano.

O ambiente do time ficou desestabilizado, os jogadores perderam o foco – nem que seja por instantes-, o treinador se descompensou  e provavelmente teve dificuldades de decidir os batedores ou passar alguma orientação. O goleiro mais caro do mundo, por sua vez, deve ter prejudicado a sua tomada de decisão. Se isso foi decisivo para a derrota nos pênaltis e a perda do título? Não posso afirmar, mas creio que sim.

O que poucas pessoas sabem é que controle emocional pode ser treinado. É um dos tópicos mais recorrentes dentro da Psicologia do Esporte e há diversas técnicas e estratégias que podem ser experimentadas tanto por atletas quanto por treinadores. Jogos decisivos e finais, em especial, são um prato cheio para atitudes intempestivas, pois o esgotamento físico, a pressão do ambiente, a ansiedade e até pensamentos disfuncionais de apenas um fator do jogo podem fazer a diferença. Por isso a psicologia e seus termos (como controle de ativação, imagética e mindfulness, neste caso) devem ter mais espaço dentro do mundo do futebol. Depois da explosão da análise táctica está na hora da revolução psicológica finalmente fazer parte dos noticiários esportivos.