Green Football: quando o plástico dos oceanos veste os melhores jogadores do mundo

Green Football: quando o plástico dos oceanos veste os melhores jogadores do mundo

A poluição marítima põe em causa o ecossistema dos oceanos e tem consequências na alimentação do ser humano. A quantidade de resíduos de plástico é um fenômeno ao qual muitas empresas e marcas começam a dar atenção. Acompanhando esta tendência, o plástico do oceano está agora nas camisas dos jogadores das equipes mais populares do mundo.

No jogo para a International Champions Cup que opôs o Real Madrid à AS Roma, muitos torcedores celebraram o primeiro gol da vitória da equipe merengue. Mas mais do que a vitória no plano esportivo, o jogo ficou marcado por ter sido o palco de estreia do terceiro uniforme do Real Madrid que é produzido a partir de plástico retirado dos oceanos.

Camisa ‘coral pink’ terceiro uniforme do Real Madrid

A cor do uniforme foi batizada de ‘coral pink’ e foi escolhida para chamar a atenção sobre a degradação dos recifes de coral. Desenvolvido em conjunto com a Adidas e a Parley, uma organização dedicada à proteção dos oceanos alertando para quantidade de materiais e resíduos de plástico que se encontram no mar, o terceiro equipamento faz com que o Real Madrid entre no lote restrito de emblemas de futebol que aderiram às causas ambientais. Além do Real Madrid, outros grandes clubes do futebol europeu já vestem plástico reciclado que, de outra forma, estaria perdido na vastidão dos oceanos. A parceria Adidas-Parley fez os uniformes do Bayern de Munique,  Manchester United e da Juventus. Do outro lado do Atlântico, para assinalar o dia do planeta Terra, todas as equipas da liga de futebol norte-americano, a Major League Soccer, vestiram uma das camisas desenvolvidas por esta parceria, diz o Fórum do Comércio Mundial (FCM).

Mas a Adidas não está sozinha. A sua grande concorrente norte-americana desenvolveu um projeto semelhante. A Nike também passou a encarar o plástico como um material para os seus produtos. Segundo o FCM, tanto a camisa do Barcelona como os uniformes das seleções de futebol da Coreia do Sul, da Arábia Saudita e da Austrália.

No site da empresa, a Nike explica o processo de transformação da garrafa de plástico em camisa de futebol. Para cada camisa são necessárias entre 12 a 18 garrafas de plástico. Depois de recolhidas, as garrafas são lavadas e destruídas em pequenos ‘flocos’ que são derretidos. É a partir deste processo que a empresa consegue fazer um fio de alta qualidade serve para fazer os equipamentos. O resultado: ‘Lightweight on the pitch. Light impact on the planet‘ (Leve no campo. Leve no impacto do planeta).

Dados avançados pela Greenpeace estimam que cerca 13 milhões de toneladas de plástico são despejadas nos oceanos todos os anos. Nos últimos tempos, a situação tem gerado apreensão um pouco por todo o lado, incluindo nas redes sociais.Nos últimos tempos, a situação tem gerado apreensão nas redes sociais. Por exemplo, uma petição no Twitter recolheu 80 mil assinaturas para que a Coca-Cola repensasse a utilização do plástico na sua cadeia de valor.

A preocupação não é para menos. Atualmente, há 5,25 bilhões de partículas de plástico espalhadas nos oceanos, pesando cerca de 268 mil toneladas. A grande maioria encontra-se entre o Atlântico sul e norte, o Pacífico sul e norte e o oceano Índico. As correntes marítimas levam o plástico para os vários cantos do mundo. Uma equipa de cientistas, na qual participou Simon Boxall, professor de oceanografia da universidade de Southampton, no Reino Unido, encontrou, numa ilha remota no Ártico, amostras de plástico oriundas do Reino Unido, Holanda, Noruega, Estados Unidos, Canadá e França.

Outro estudo concluiu que apenas dez rios são responsáveis por 90% de todo o plástico encontrado nos oceanos do planeta. Entre estes, oito são asiáticos (Yangtze, Indus, Amarelo, Hai Che, Ganges, Rio das Pérolas, Amur e Mekong ) e dois estão em África (Nilo e Níger). Todos os rios têm dois pontos em comum: sociedades com uma alta densidade populacional, muitas vezes com vários milhões de habitantes, e infra-estruturas débeis para lutar com o desperdício.

Numa carta redigida por Mark Parker, CEO e chairman da Nike, a propósito da política de sustentabilidade da empresa, lê-se que “o nosso propósito consiste em usar o poder do esporte para levar o mundo a dar um passo em frente”. “Nós acreditamos num futuro justo e sustentável – um [futuro] onde toda a gente prospera num planeta saudável (…). Estamos a inovar o novo modelo de negócio do século XXI no qual as cadeias de valor são verdes, justas, com equidade e com materiais e produtos sustentáveis”, escreveu Parker.

Com os clubes mais populares do mundo se associando à esta causa, espera-se que o problema chegue a muito mais pessoas do que antes. A final do Copa do mundo de futebol é o evento esportivo mais visto no mundo. Segundo o site Statista, um portal de estatísticas, a final do mundial de 2010 foi vista por 910 milhões de pessoas, tendo o número crescido para mais de bilhões durante a final do Brasil 2014. Além disso, com o desenvolvimento tecnológico que suporta outras formas de consumir o esporte, desde devices móveis ao streaming, é natural que o número de espectadores da final que opôs a França e a Croácia tenha batido todos os recordes de audiências. Isto são números suficientes para fazerem as marcas apostarem no futebol quando se associam a causas ambientais, como é a poluição marítima.