GIF Brasil 2019 fecha o ano do FootHub

GIF Brasil 2019 fecha o ano do FootHub

Mesmo sendo uma das principais capitais relacionadas com futebol no Brasil, Porto Alegre era carente de grandes eventos que tratassem o futebol como objeto de estudo. Esse problema acabou no dia 07 de dezembro de 2019. Nesta data foi realizado o GIF- Gestão e Inovação no Futebol, organizado pelo FootHub em parceria com a AIX Sports. O evento teve como objetivos principais reunir pessoas que trabalham ou querem trabalhar com o futebol, gerar conteúdo sobre o esporte e inspirar todos aqueles que estiveram presentes através de histórias que aconteceram e ainda acontecem no mundo da bola.

A abertura do GIF foi feita por Fernando Carvalho, presidente do Internacional no ano de 2006, quando o clube conquistou o título mundial. Em sua palestra, chamada de jornada para vitória, destacou áreas que utilizaram aspectos de gestão e inovação no período em que ele esteve no clube, além de fazer o contraponto com setores que não obtiveram tanto sucesso. O primeiro exemplo veio das categorias de base, que eram quase que amadoras. Foram alterados processos e questões de logística, que deram outra cara para os times inferiores do colorado. Este trabalho iniciou em 1996, e já no ano seguinte veio o título da Copa São Paulo de futebol júnior, o torneio mais tradicional da categoria no país. Além disso, no início dos anos 2000 foram diversos jogadores promovidos ao time principal que entregaram retorno dentro de campo e financeiro, após serem negociados.

Em 2002 Fernando Carvalho assumiu a presidência do clube pela primeira vez. Neste primeiro ano, foram vistas algumas falhas de gestão e falta de inovação. Os contratos da maioria dos atletas possuíam duração de apenas um ano. Os salários e direitos de imagem eram pagos com atraso muitas vezes, afetando o desempenho esportivo. Isso culminou em uma campanha fraca no Brasileirão, com a fuga do rebaixamento ocorrendo apenas na última rodada, contra o Paysandu em Belém do Pará. Neste período foi feito um planejamento estratégico que guiaria o clube pelos próximos anos. Foi definida a missão do Internacional perante o mercado do futebol e seus torcedores, assim como a definição direta de qual seria o negócio da instituição. Os princípios foram definidos, onde a inovação estava inserida e seria um dos fatores fundamentais para o crescimento do Inter. Por fim, a visão de se tornar o maior clube de futebol da América do Sul até 2009, ano do centenário colorado. 

Um ponto importante foi trabalhar a aproximação de jovens torcedores ao Internacional e aumentar o número de sócios do clube. Esse processo foi dividido em partes, com a visita a escolas de Porto Alegre e região metropolitana para atrair diretamente as crianças, além do trabalho com os consulados espalhados pelo Brasil, que saíram de 70 para 700. O clube fechou o período com 50 mil sócios, um recorde nacional para a época. Isso auxiliou também no aumento das receitas, que poderiam ser investidas na montagem de um elenco qualificado. Com dinheiro em caixa e critério nas contratações, o desempenho esportivo melhorou. O título de campeão do mundo em 2006 coroou todo o trabalho, iniciado ainda na década anterior, e que seria exemplo para gestores esportivos de todo país.

O palestrante seguinte foi Carlos Amodeo, CEO do Grêmio, falando sobre o papel de um executivo no futebol, usando seu trabalho no tricolor como exemplo principal. A palestra iniciou com o destaque para três vetores presentes em um clube de futebol: política, paixão e cultura. Segundo Amodeo, um dos grandes desafios do dirigente brasileiro é profissionalizar um clube com esta estrutura. Além disso, se fez necessário uma contextualização do futebol como negócio. O esporte se transformou em uma indústria complexa, com diversos agentes e capaz de movimentar grandes quantias financeiras. As dificuldades de um ambiente ainda não profissional afetam algumas áreas, como a relação com bancos, que costumam dificultar empréstimos às associações por sua falta de boas práticas de governança.

A partir desse contexto, o CEO do Grêmio apontou alguns paradoxos enfrentados por ele ou qualquer outro profissional que trabalhe no futebol. O principal destaque foi é a relação entre o próprio profissional e o dirigente político. É necessário que se mantenha um equilíbrio, com cada um respeitando seu papel. Na sequência, investimento versus orçamento. É fundamental para a saúde financeira de um clube que um plano orçamentário seja respeitado, sem o acúmulo de dívidas. Ainda sem entrar no caso do Grêmio, Amodeo elencou alguns fatores de sucesso e melhores práticas para a gestão de um clube. O primeiro é integrar processos de gestão do departamento de futebol com à gestão geral do clube, que envolvem áreas como o planejamento estratégico e gestão financeira. Quanto as melhores práticas, na visão de Carlos Amodeo, ter um planejamento estratégico como pilar principal é fundamental para gerir um clube gigante, incluindo uma gestão financeira com visão de curto, médio e longo prazo que leve em conta indicadores de desempenho. Esse papel de olhar o clube como um todo é justamente o trabalho de um CEO no clube de futebol, considerando as diversas áreas existentes em uma instituição.

Hora de falar do Grêmio. Amodeo trouxe alguns números para mostrar que todo o conhecimento passado está dando resultado ao Grêmio, além dos títulos dentro de campo. O valor da marca Grêmio está consolidado como a mais valiosa além dos clubes de Rio de Janeiro e São Paulo. Em relação à cultura de futebol implementada, vale destacar a reposição com Matheus Henrique para a saída de Arthur para o Barcelona. Uma evolução econômica, alcançando superávits nos últimos anos, e receita chegando aos R$ 400 milhões. As dívidas também foram reduzidas, com foco nas cobranças de curto prazo e endividamento bancário, que caiu 67%. Como consequência, diminuem também as despesas financeiras, como juros mais altos pagos por empréstimos. Para fechar o evento, o palestrante citou seus próximos desafios no cargo: adquirir a gestão da Arena, trazendo sensação de pertencimento ao torcedor e possibilitando novos negócios, consolidar o modelo de gestão, para garantir cada vez menos influência política e de paixão no médio e longo prazo, e buscar novas fontes de receita, passando a tratar o futebol como entretenimento e aproveitando as oportunidades da transformação digital.

O painel seguinte envolveu dois profissionais. O assunto foi o futebol do interior com a presença de Guilherme Eich, diretor executivo do Avenida, Álvaro Prange, diretor executivo do Pelotas e Juliana, advogada e integrante do departamento de gestão da SER Caxias. O grande desafio destacado é desvincular os resultados dentro de campo da gestão fora dele, com a geração de receitas ocorrendo independente de conquistas. O clube de Caxias do Sul vem fazendo um trabalho de reformulação desde 2015, quando a situação financeira parecia impossível de se resolver. Com um grupo de gestores assumindo comando da instituição, os processos começaram a melhorar, com a situação melhorando até hoje, mas sem estar resolvida. Atualmente, o clube busca um trabalho de aproximação com o torcedor e associado, para que este número não caia tanto quando o ano de futebol se encerra.

Em relação ao Avenida, foi no mesmo período que se percebeu que o amadorismo deveria ser deixado de lado, assumindo uma gestão profissional. Guilherme destacou que a principal busca de uma instituição do interior deve ser buscar credibilidade, seja com o torcedor ou possíveis investidores. Estreitar relações com todos os agentes é um dos passos básicos para resolver tal questão. O clube de Santa Cruz do Sul criou um plano de sócios que pudesse gerar novas receitas, além de disputar competições no ano todo, entregando oportunidades para o torcedor acompanhar seu clube todos os meses. Os resultados de campo vieram, com títulos e disputas de competições nacionais, o que foi fundamental para fidelizar torcedores e patrocinadores até hoje. Além disso, realizar um trabalho via redes sociais e entregar ações fora de campo para os fãs colaboram para que a gestão consiga vencer os desafios.

O Pelotas passou por um momento difícil nos últimos anos, disputando a segunda divisão estadual. O trabalho de Álvaro iniciou com um reconhecimento do clube do contexto onde ele está inserido. Entender torcedores, gestores e possíveis patrocinadores, bem como a situação financeira da instituição e da sociedade se faz fundamental para que o trabalho seja realizado da melhor maneira. A sequência do planejamento foram os feitos esportivos que possam alavancar o clube para um novo patamar. Um terceiro tópico seria o passo para o futuro, onde a inovação seria fundamental. No entanto, inserir novas práticas em um clube do interior é um grande desafio, pela cultura existente no futebol do interior.

Para fechar a manhã, Tatiele Silveira, a primeira treinadora campeã brasileira do futebol feminino, falou sobre a gestão no futebol feminino. A técnica contou um pouco sobre o ano de 2019 da Ferroviária, com o título brasileiro e o vice-campeonato da Libertadores. Dentro do contexto do futebol feminino, a Ferroviária é um grande clube, enquanto no futebol masculino não é uma camisa muito pesada.

Tatiele chegou em janeiro deste ano, tendo participado de todo o processo que culminou nos resultados finais. A formação do elenco foi o primeiro desafio, já que o clube não possuía muitos recursos para a montagem do time. Muita análise de mercado foi utilizada, buscando atletas que acrescentassem qualidade técnica e experiência para o time. A Ferroviária possuía um elenco jovem pelo trabalho de base que é feito, sendo necessário um novo perfil de atletas. Foram 12 jogadoras contratadas para que o clube voltasse a ser protagonista no cenário paulista e nacional do futebol feminino. Além das atletas, o corpo técnico também foi qualificado, processo onde Tatiele está inserida diretamente, para buscar diferenciações e inovações dentro do mercado. O perfil de estudiosos do esporte foi escolhido, incentivando debates sobre os diversos aspectos presentes no futebol feminino com outros profissionais que já estavam no clube.

O principal diferencial da Ferroviária foi a interdisciplinaridade. Este trabalho busca incentivar a troca de conhecimento entre os profissionais da comissão técnica, criando um elo de ligação entre áreas como a fisioterapia, psicologia e os aspectos técnicos e táticos dentro de campo. O grupo de atletas entendendo esse contexto diferente foi fundamental para que as vitórias acontecessem ao longo da temporada. A comunicação e interação da instituição com o mercado e torcedores, buscando uma relação mais próxima também fez parte da construção do ano de sucesso.

Outro aspecto positivo foi resgatar a identidade da Ferroviária, com a atletas conhecidas como Guerreiras Grenás. O perfil mais experiente, com aspectos emocionais mais fortes auxiliou neste processo, que foi complementado com profissionais da área da psicologia. Esse diferencial fortaleceu o clube para as disputas de partidas decisivas contra grandes equipes do país. O título brasileiro veio contra o Corinthians, que havia derrotado a própria Ferroviária na semifinal do campeonato paulista. As atletas precisaram esquecer a derrota no torneio estadual para dar a volta por cima e levar o troféu nacional. Mesmo com a derrota na final da Libertadores, em novo confronto com o Corinthians, o trabalho foi considerado por Tatiele um sucesso, seja por fatores financeiros, planejamento de curto prazo e gestão de pessoas. 

A parte da tarde trouxe mais conhecimento. Para começar, Luis Paulo Rosenberg, ex-diretor de marketing do Corinthians, falou sobre a geração de receitas através da área. Sua história no clube paulista iniciou em 2008, após o inédito rebaixamento do Corinthians. Para a nova fase, era preciso criar uma relação entre a marca e a torcida, com a primeira idolatrando a segunda. Assim surgiu a campanha “Eu Nunca Vou te Abandonar”, que foi fundamental na geração de receitas do clube durante a Série B. Para o ano seguinte, o alvinegro paulista contratou Ronaldo Fenômeno, e o marketing foi desafiado a buscar receitas para pagar o alto salário do atleta. Rosenberg destacou que precisou utilizar da criatividade e vender espaços no uniforme que não eram utilizados para tal fim, como o local em cima do símbolo. Em relação aos produtos licenciados, o palestrante lembrou da preocupação do clube com os canais de venda. Na época, diversas lojas Poderoso Timão foram abertas para garantir que os torcedores consumissem os produtos oficiais da instituição. As receitas do Corinthians sentiram essa mudança de comportamento do departamento de marketing, com elevações constantes de um ano para o outro. O ápice foi 2012, onde conquistas da Libertadores e Mundial de Clubes também auxiliaram a impulsionar os números, que atingiram R$ 324,7 milhões.

A Arena Corinthians foi um capítulo a parte na trajetória de Rosenberg. O plano inicial do clube era reformar e administrar o Pacaembu, estádio municipal onde o alvinegro mandava seus jogos, sem se envolver diretamente com a Copa do Mundo que chegaria em 2014. No entanto, por diversos fatores externos, surgiu o projeto de um novo estádio, com condições especiais de financiamento aproveitadas pelos estádios do mundial. O papel do marketing foi inserir algumas referências do clube na Arena, como a posição da torcida na arquibancada.

Rosenberg voltou ao Corinthians em 2018, em uma passagem curta de cerca de um ano. Mesmo com pouco tempo, muitas lições foram aprendidas. O mercado do futebol passou por algumas modificações em relação ao período anterior do dirigente no clube. As novidades passam por um novo perfil de torcedores, agora muito mais exigentes com os serviços entregues, e pela transformação digital, capaz de transmitir a informação em uma velocidade muito maior. A relação com a mídia começa a mudar, uma vez que o serviço de streaming avança contra a televisão aberta e fechada. A venda de cadeiras no estádio já não é mais suficiente, é preciso entregar uma experiência completa para o torcedor. Os canais de venda citados anteriormente são outros, com parte do público consumindo tudo online. Para fechar, Rosenberg destacou o crescimento da importância dos dados de comportamento e preferências dos consumidores, que devem ser fidelizados de forma com que uma nova venda esteja sempre próxima.

Na sequência, Mateus Grings, consultor de esportes e entretenimento na SAP Labs Latin America, contou um pouco como é seu trabalho relacionando futebol e tecnologia. A coleta e análise de dados é cada vez mais necessária para proporcionar experiências únicas para os torcedores, sendo as novas ferramentas fundamentais nesse contexto. Existem três áreas do futebol consideradas como chave para o sucesso: o time, os torcedores e a operação. O trabalho da SAP busca ligar estas três áreas, contando principalmente com o auxílio da tecnologia.

Um dos destaques levantados por Mateus é o Match Day, o dia do jogo. O exemplo utilizado foi o do Hoffenheim, clube alemão que utiliza todas as ferramentas disponibilizadas pela empresa para entregar um serviço de qualidade para seus fãs. O trabalho começa por um mapeamento de todas as etapas vivenciadas pelo torcedor no dia do jogo, começando pela compra do ingresso. Neste processo, é fundamental conhecer o torcedor e são os dados que entregam tais informações. O perfil do torcedor está mudando nos últimos anos, com o interesse em novas tecnologias contribuindo para um afastamento dos torcedores dos estádios. Isso deve afetar diversos aspectos dos clubes, desde ameaças como perda de receitas importantes atualmente, até oportunidade para criação de novos negócios. Por isso, conhecer tais torcedores é fundamental para minimizar o surgimento em outras formas de entretenimento.

Os dados por si só não irão garantir nenhuma vantagem para os clubes de futebol e seus torcedores. O diferencial está na transformação destes em conhecimento, garantindo as melhores práticas. Estas devem obedecer ao conceito de economia de experiências, uma nova visão de economia que surge no mundo atual. Deve haver um valor agregado no serviço, para que a experiência se torne inesquecível. Uma inovação que auxilia neste processo são os estádios inteligentes, que entregam diversas facilidades capazes de tornar o consumo mais ágil e prazeroso dentro do estádio. O exemplo aqui utilizado pelo palestrante foi o da Allianz Arena, do Bayern de Munique, que mapeia cada ponto do estádio para entregar facilidades ao torcedor, como bares mais próximos aos assentos e onde as filas são menores. Tais dados funcionam também para o time, auxiliando nas três áreas levantadas anteriormente. Os números de treinamentos, aspectos médicos e de scout são levantados pela SAP para seus contratados, facilitando um trabalho de análise integrada que considera os diversos pontos relacionados ao jogo.

A palestra seguinte foi concedida por Terence Gargantini, Brazil & Latam country director do MyCujoo. A plataforma de streaming surgiu no momento em que dois irmãos portugueses que moravam na Suíça precisavam assistir aos jogos do seu time. A partir disso iniciou o processo de democratização do futebol, tentando conectar os torcedores com suas paixões. O problema inicial foi o alto custo para transmitir uma partida, com equipamentos de qualidade e equipe especializada no assunto. A falta de um mercado que pudesse pagar pelas imagens de torneios menores dificultou ainda mais o processo. A solução encontrada foi encontrar parceiros que fizessem a transmissão, com o MyCujoo servindo de apoio.

Atualmente, com o crescimento da plataforma, algumas dificuldades foram deixadas de lado. Segundo Terence, foram em torno de 35.000 jogos transmitidos pelo mundo, envolvendo 120 federações nacionais e estaduais. O público-alvo do MyCujoo também se formou neste tempo. Os campeonatos de massa são deixados de lado, com o foco passando para o long tail, competições menos valorizadas. São exemplos o Brasileirão Série D, futebol feminino e categorias de base. Além disso, o futebol amador também surge como produto dentro da plataforma. Um caso recente foi o da Taça das Favelas, competição entre comunidades do Rio de Janeiro, que teve suas partidas transmitidas por streaming.

Em relação aos dados, existem dois trabalhos diferentes. O primeiro é quanto à mensuração dos números de visualização e comportamentos da audiência. Este processo se faz necessário tanto para vender o produto para possíveis patrocinadores, quanto para entender mais os torcedores, entendendo suas preferências. Foi assim que se descobriu que o público dos campeonatos menores é mais engajado, assistindo 23 minutos em média de uma partida sem mudar para outro conteúdo. Terence destacou que este tempo pode parecer pequeno, mas em tempos de internet e diversas opções de entretenimento é uma grande conquista prender a atenção de um espectador por tanto tempo. O segundo trata dos jogadores. Todos aqueles que estiveram em campo em uma partida transmitida pelo MyCujoo possuem um banco de dados com seus lances, facilitando o processo de análise por parte dos clubes e dos próprios atletas.

O palestrante encerrou sua apresentação trazendo alguns estudos de caso, como o da CBF e os números das diversas competições transmitidas pela plataforma. Além disso, lembrou que, para o futuro, o objetivo do MyCujoo é trabalhar conteúdos e projetos especiais que valorizem justamente os clubes menores, entregando para seus torcedores algo diferente do que é visto na grande mídia.

Caio Derosso, coordenador de desenvolvimento organizacional do Athletico Paranaense trouxe no painel seguinte a história por trás da transformação vivida pelo clube, além de alguns objetivos para o futuro. Esse processo de mudança foi construído a partir de três etapas, chamadas de ondas. A primeira teve na profissionalização o foco principal, e deveria ocorrer entre 1995 e 2004. Era preciso recuperar a instituição e investir em infraestrutura. A administração do clube estava localizada em uma sala comercial na capital paranaense e não possuía nem telefone. O time não possuía local adequado para treinamento. Estas falhas foram corrigidas com a construção do CT do Caju, até hoje um dos mais modernos do país, e da Arena da Baixada, a primeira arena esportiva do país. As melhorias do Athletico surtiram efeito, com o clube conquistando o Campeonato Brasileiro de 2001.

A segunda onda foi chamada de expansão, e deveria durar entre 2005 e 2014. Seu foco seriam melhorias no CT, inserindo a tecnologia na rotina do clube, e a reconstrução do estádio tendo a Copa do Mundo de 2014 como objetivo principal. A terceira onda iniciou no ano de 2015 e tem duração prevista até 2024. O título atribuído para a etapa atual é protagonismo. Aqui finalmente as conquistas esportivas seriam atingidas, conforme o planejamento. E realmente foram, com os títulos da Copa Sul-Americana 2018 e Copa do Brasil 2019. Além disso, o clube busca se adequar as novas legislações que possibilitam a transformação da instituição em clube-empresa. Se tornar referência neste novo formato jurídico é um dos objetivos previstos, assim como a conquista do Mundial de Clubes até o ano de 2024.

Para que o Athletico atinja tais objetivos, existem alguns pilares importantes a serem considerados. Como marca principal do clube, a quebra de paradigmas é fundamental. Isso pode ser visto em ações como a mudança do escudo e uniforme feitos em 2018. São quatro grandes fatores considerados, com Caio destacando principalmente a Inovação, área que inclusive dava nome ao evento. Para o clube, a inovação significa fazer diferença na vida das pessoas. Essa virtude é trabalhada no Athletico de uma forma que se torne uma cultura da instituição, inserida em todas as áreas do clube e criando novos líderes para o futuro. Foram quatro pilares destacados pelo palestrante que auxiliam na criação de tal cultura: errar rápido, para que a correção seja feita com o menor prejuízo, comunicação fluída, evitando qualquer falha entre as partes envolvidas, colaboração com responsabilidade e liderança forte e presente. Foi apresentado ainda o conceito de quick wins, vitórias rápidas na tradução literal, que podem ser tratadas como pequenas metas em busca do objetivo final. Isso facilita o controle do processo como um todo, além de favorecer psicologicamente os envolvidos, que se sentem cada vez mais próximos da conquista final.

Para fechar, Fábio Bampi, o trader esportivo conhecido como Nettuno, e Pedro Trengrouse, advogado e coordenador do Programa Executivo FGV/FIFA. A dupla tratou do mercado de apostas no Brasil, que tem crescido no país e pode servir como fonte de renda para os clubes a partir de uma regulamentação. O primeiro ponto abordado por Nettuno é justamente este processo, que vem sendo conduzido pelo governo federal. O cenário que corre nos meios públicos possui alguns erros que, segundo o palestrante, podem prejudicar o mercado. O primeiro deles é considerar as apostas como uma espécie de loteria, sendo que as duas indústrias se diferem bastante. Além disso, na proposta atual, não existem mecanismos que incentivem a educação sobre as apostas, que podem se tornar um perigoso vício caso o indivíduo não tenha o conhecimento necessário. O sistema de impostos também foi tratado como impróprio, deixando de maximizar as receitas das partes envolvidas no mercado.

Outros dois equívocos que estão diretamente relacionados se referem a publicidade e ao favorecimento de golpes por parte de terceiros. Na forma com que a regulamentação está disposta, será possível levar consumidores sem educação sobre o setor, através de propagandas enganosas sobre altas rentabilidades, para iniciativas que irão apenas prejudica-lo financeiramente. Nettuno destacou que a associação brasileira de apostas esportivas, da qual ele é vice-presidente, sugeriu mudanças no regulamento para auxiliar nestes aspectos levantados, mas acabou ignorado pelo governo. Pedro destacou que, com uma regulamentação de acordo com a sociedade brasileira, as apostas esportivas podem render quantias significativas para os clubes do Brasil.

Para que o dinheiro entre nos cofres das instituições, os clubes deveriam se unir em prol da indústria. Incentivar a economia popular e criar mecanismos de controle também é papel dos clubes, que não deveriam se omitir nesta situação. Ainda em relação as instituições brasileiras, foi falado dos patrocínios atuais. São dez clubes da primeira divisão que levam marcas de casas de apostas em seus uniformes. No entanto, nenhuma destas está entre as 50 maiores do mundo, mostrando um possível problema e uma oportunidade. O primeiro está no fato de apenas aventureiros da indústria investirem no Brasil, não havendo garantias de um patrocínio com visão de médio prazo. Já a oportunidade chega a partir de uma regulamentação correta, atraindo as grandes marcas de apostas a patrocinarem clubes brasileiros. Pedro terminou a fala destacando que as apostas não deverão gerar grandes quantias para os times do Brasil, mesmo que exista uma lei que os favoreça. No entanto, existe uma lei que tramita hoje na câmara dos deputados que relaciona o bingo com entidades esportivas, que poderia gerar milhões as nossas entidades.

O GIF 2019- Gestão e Inovação no futebol, cumpriu seu papel de levar conhecimento e gerar networking entre pessoas interessadas no mundo do futebol, seja com viés profissional ou apenas de admirador do esporte. A promessa de mais eventos como esse irão ocorrer nos próximos anos serve de alento para quem está começando ou deseja ingressar na indústria.