FUTEBOL FORA DA CAIXA: O futebol brasileiro

Por Rodrigo Romano

Você já ouviu falar na expressão “pensar fora da caixa”? Provavelmente sim. Esta se tornou um clichê do mundo atual, onde o empreendedorismo cresce cada vez mais. Muito se diz que essa atitude é fundamental para ter sucesso no mercado competitivo dos dias atuais. Mas afinal, o que significa tal expressão?

Pensar fora da caixa é inovar, buscar soluções diferentes para problemas encontrados na sua empresa, na sua vida. Leva em conta uma abertura para novas experiências, novas ideias, saindo do pensamento óbvio, da também popular “zona de conforto”. Deixar de lado crenças e costumes antigos, que muitas vezes não se encaixam mais na realidade atual. Com a constante mudança e evolução dos mercados, ter um comportamento que busca a inovação acaba se tornando uma necessidade. Nas indústrias mais competitivas, aqueles que permanecem parados acabam ultrapassados por concorrentes.

“Muito bonita a aula de negócios até aqui, quero saber do futebol.” Vamos lá então. O futebol é um exemplo de indústria competitiva. Os campeonatos europeus dominam o mundo, com estratégias comerciais voltadas principalmente para um público mais jovem. Enquanto isso, o mercado brasileiro se encontra estagnado. Não avança em nenhum lado. As práticas são as mesmas de décadas passadas e ai de quem tentar fazer algo diferente. O estudo é tratado como errado, e a experiência é o grande fator exaltado nos profissionais do futebol. A evolução é tratada com desconfiança e a repetição do erro parece não fazer mal algum. Pensar fora da caixa é uma das saídas para o futebol do Brasil finalmente evoluir na direção do profissionalismo. É necessário acabar com a cultura do “Sempre ganhamos desse jeito, por que deveríamos mudar?”.

Conhecer e entender seu território, sua caixa, e os limites do mesmo é o primeiro passo para pensar fora dele, admitindo seus pontos fortes e fracos, questionando as principais crenças. A busca por novas ideias se torna muito mais fácil depois de ter feito um diagnóstico. Nos próximos parágrafos vamos ajudar e criar uma caixa para o futebol brasileiro de maneira simples por aqui, para que no futuro seja possível falar sobre pensar fora da mesma. Esse diagnóstico vai ser separado em três principais agentes: dirigentes, imprensa e torcedores.

Para começar, os dirigentes. Desde os de alto escalão da CBF até os de clubes. Buscam apenas promover suas entidades, ao invés de pensar no cenário esportivo de maneira geral. Para piorar, existem alguns exemplos de dirigentes que buscam apenas promover seu nome, adotando práticas contrárias as necessidades até mesmo da instituição que fazem parte. Estes se acham donos da federação ou do clube, ainda mais com os mecanismos existentes que permitem sua perpetuação no poder. Isso acaba gerando uma personalidade arrogante, presente na maioria dos “gestores” espalhados pelo Brasil. Arrogância que não combina com o perfil de líder que os dirigentes deveriam ter, ainda mais aqueles que comandam grandes instituições do esporte nacional. Além disso, dificulta na comunicação com demais agentes da indústria, como patrocinadores, atuais e futuros, jogadores, torcedores e a imprensa. Existem algumas exceções, dirigentes que trabalham para que seu clube ou federação tenha um futuro sustentável. Esse são tratados sempre com desconfiança por parte de torcedores e da mídia, já que fazer a coisa certa não é comum por aqui.

Hora de observar o papel da imprensa no futebol do país. Sua função principal é informar para público o que acontece nos diversos setores do futebol brasileiro. No entanto, a forma como essa informação é passada tem sido alterada ao longo do tempo. Alguns veículos buscam uma forma que venda mais assinaturas de seu jornal ou site, enquanto outros criam polêmicas sem sentido, entrando em uma série de debates que não termina e não acrescenta nada para quem está consumindo. Por fim, existe uma parcela da imprensa que dá a notícia de uma forma que vai agradar o torcedor, deixando de lado o senso crítico e questionamentos necessários para o avanço do esporte. Como consequência dessas atitudes, surgem cada vez mais projetos independentes de conteúdo, feito por torcedores e fãs do esporte, focados em informação e análise mais séria. No entanto, ainda é uma parcela pequena da indústria, não possuindo os mesmos acessos e alcance de quem se encontra no mercado a muito tempo.

Para finalizar, os torcedores. Estes têm o mesmo pensamento individual dos dirigentes, querendo apenas o sucesso de seu clube e esquecendo que o futebol brasileiro é uma grande indústria e que todos precisam evoluir juntos. Os torcedores possuem uma licença para pensar assim, afinal de contas, quem quer ver o rival campeão? Entretanto, quando se trata de práticas positivas e negativas, o fanatismo acaba atrapalhando. Os outros estão sempre errados ou deram sorte, até que o seu clube faça a mesma coisa e aquela ideia passe a ser vista com bons olhos. Além disso, um aspecto que chama muita atenção na maioria dos torcedores é o saudosismo, a paixão por algo do passado. O apego ao antigo acaba sendo contrário a novas iniciativas. O mesmo que ocorre com a imprensa é visto nos torcedores. Existe uma parcela mais séria, que acompanha o clube mais de perto, busca informações sobre política e finanças, ao contrário da maioria. No entanto, não é suficiente para influenciar as ações tomadas por dirigentes.

Elencamos diversos aspectos apontados ao longo do texto que mostram que o futebol brasileiro segue contra a evolução, com medo do novo, apenas assistindo o avanço daqueles que estão dispostos a crescer como mercado de futebol. Logo seremos ultrapassados no número de títulos mundiais, e sobrará apenas um passado de glórias para os conservadores que comandam o futebol brasileiro.
Aqui começa uma série de textos no site do Foot.Hub, exercitando o pensamento fora da caixa, trazendo provocações e questionamentos para os dirigentes, a imprensa e torcedores do futebol brasileiro, em busca da evolução que precisamos no Brasil. Até a próxima!