Conexão feminina no futebol

O Brasil é considerado o país do futebol já há algum tempo, mas ainda não atinge todos e todas, conforme deveria. A partir disso, mulheres vêm buscando o seu espaço dentro da categoria, seja como jogadora, jornalista e torcedora, através de uma luta diária por espaço, estrutura e qualidade para exercer o que deseja. E todo esse empenho demonstra a garra, competência e, principalmente, adesão por uma causa maior.

Hoje, já é possível notar uma maior procura do público feminino para praticar, competir, trabalhar e torcer neste esporte. Algo que acontece justamente pelo grande empenho e união das mulheres que amam o futebol e que querem preencher uma lacuna que por muitos anos se encontrou vazia, devido ao descaso, preconceito e discriminação. 

E para mudar essa visão, além de mostrar que futebol é lugar para mulher sim, o Jogando Com Elas juntamente com o Foot.Hub vai falar sobre três papéis de destaque feminino dentro deste esporte. 

ATLETA

Marta, quem mais ganhou bolas de ouro, maior artilheira da Seleção brasileira e embaixadora da ONU | Foto: Ryan Brown/ONU Mulheres

Sem dúvidas, o protagonismo da categoria se dá através de suas jogadoras, afinal, são elas que lutam pelo bem do futebol feminino no Brasil. E para a geração mais recente, que sonha em atuar profissionalmente, há uma infinidade de exemplos que, além de toda qualidade dentro de campo, são craques fora dele, ao enfrentar diariamente as barreiras por uma melhor qualidade e estrutura. 

Para ser jogadora de futebol em nosso país, é necessário saber que, a representatividade caminha lado a lado com o talento, esforço e todo treinamento exigido. Assim que jogadoras como Marta, Formiga, Cristiane, entre outras, vão conquistando mudanças significativas para a modalidade: seja um patrocínio, mais campeonatos, estrutura e/ou o apoio e desejo de mais jovens para praticar este esporte. 

Hoje, as atletas que atuam no Brasil disputam competições realizadas pela CBF (Confederação Brasileira de Futebol), entidade máxima do esporte no país, responsável pelo Campeonato Brasileiro Série A1 e Série A2, além do Campeonato Brasileiro Sub-18, este voltado para a categoria de base. Em um âmbito menor, jogam também os estaduais, que ficam a cargo das federações regionais de cada Estado. 

E por estes, e outros tantos motivos, é necessário fazer a diferença não somente com a bola no pé, mas com gestos que buscam o apelo para que a valorização  aumente de forma justa.

JORNALISTA

Primeira mulher a apresentar um programa sobre futebol no Brasil | Foto: Divulgação/Band

 Responsável pela informação, as jornalistas são extremamente necessárias para engajar o público, tanto para praticar, quanto para acompanhar o futebol feminino. E isto é feito com cada vez mais frequência, apesar dos inúmeros casos de crimes sofridos por mulheres enquanto trabalhavam em estádios. 

O “Deixa Ela Trabalhar”, campanha que surgiu após uma série de mulheres serem assediadas e/ou agredidas durante alguma cobertura de futebol, fez com que tanta representatividade gerasse o tão esperado, e mínimo, respeito com as profissionais de imprensa, para que pudessem, portanto, trabalhar com aquilo que tanto gostam. 

O grande exemplo é a Copa do Mundo 2019, realizada na França. A edição, considerada a maior e melhor, foi feita de “mulher para mulher”, ao ser uma competição de futebol feminina e que foi, em sua grande maioria, transmitida por mulheres. A intenção foi realmente mostrar que, jornalistas mulheres têm total capacidade para realizar a cobertura de um grande evento, informar com qualidade, mas, principalmente, que podem e devem trabalhar com o futebol. 

Atualmente, a presença feminina em debates esportivos, transmissões de partidas, em apresentação de programas sobre futebol, redigindo textos, entre outras formas de atuação, cresceu bastante. Os próprios veículos de comunicação, clubes com suas assessoras, e trabalhos freelancer buscam por mulheres capacitadas para que façam o que gostam de fazer: trabalhar com futebol. 

Torcedora 

O público que comparece ao estádio e que apoia incessantemente seu time do coração, por ironia, é um dos que mais sofrem com preconceitos por atos machistas. “Ah, fala a escalação do seu time”, “quem fez o gol na final da Copa de 2002?”; são algumas frases, de tantas, que mulheres escutam pelo Brasil afora, tendo de passar por uma forma de aceitação dos homens, ao precisar mostrar que entendem de futebol. 

Em busca de acabar com situações assim, erradicando todas as formas de preconceitos, grupos de torcedoras espalhadas pelo país criaram campanhas para torcerem juntas, além da fundação de núcleos e torcidas organizadas frequentadas única e exclusivamente por mulheres. 

Força Feminina Colorada, do Sport Club Internacional, Avaixonadas, do Avaí Futebol Clube, Toda Poderosa Corinthiana, do Sport Club Corinthians Paulista, são exemplos de algumas torcidas organizadas que alentam seus times. Além delas, o #TorceJuntoDelas, campanha que surgiu com torcedoras da dupla Gre-Nal, realiza ações em prol da presença feminina nos estádios.  

Estes atos demonstram, assim, que mulheres podem e devem ir ao estádio, que entendem de futebol e que, não precisam provar nada à ninguém, mas pedem, apenas, respeito. 

E aí, em qual destas formas de engajamento com o futebol você se encaixa melhor? Ah, lembrando ainda que tem muitas outras, como árbitra, fisioterapeuta, nutricionista, treinadora etc. O futebol é de todos e todas. Ame, pratique, apoie e incentive, você também.

Texto dos nossos parceiros do Jogando Com Elas.